Muita
gente ficou escandalizada com os jornalistas pendurados no WhatsApp do Vorcaro.
“Não esqueça de mim”, dizia o executivo da Globo, que vendia notícia e, quando
oportuno, cobrava ainda caro mais para não publicá-la. “Deixa comigo!”; “Vou
alterar”; “Vamos suprimir esta frase”, dizia a CEO do Metrópoles, ensinando que
o jornalismo deve ser favorável ou desfavorável dependendo das circunstâncias
e, principalmente, dos interesses envolvidos.
Mas não é
apenas a imprensa tradicional que está cheia de oportunidades para quem está do
lado certo dos interesses políticos. Jornalistas, blogueiros, influencers e
sites desavergonhadamente a favor de corruptos também promovem suas
feiras-livres de opiniões.
Na
imprensa na época de Balzac, podia-se comprar a glória, vender as convicções e
negociar a reputação alheia. Nada parece ter mudado.
Porque
nesse mercado de palavras, até a honestidade pode se tornar um ativo comercial.
E, se pagar bem, o jornalista pode até dizer alguma verdade.

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