Tudo sobre veículos autônomos (Numa linguagem que você vai entender)


Este material é do Brazil Journal e é assinado por Paulo Machado.

Uber, Tesla e Google investiram bilhões em veículos autônomos (VAS) nos últimos anos.
As montadoras tradicionais, seus fornecedores e outros startups (dentro e fora do Vale do Silício), também.
Mas por que será que mais de US$ 80 bilhões foram injetados nessa corrida? Qual é o futuro do carro autônomo e como ele afetará a vida das cidades e das pessoas?
Quem acabará ganhando esse jogo?
São vários os benefícios que os VAs podem trazer para a sociedade. Primeiro, há o argumento da segurança. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, mais de 1,3 milhões de pessoas morrem por ano em acidentes de trânsito. Mais de 90% dessas mortes se devem ao erro humano, e uma outra porcentagem significativa, a dirigir alcoolizado.
Ao eliminar o componente humano, os VAs podem reduzir o rico de acidentes e melhorar a segurança nas estradas. Isso supondo que os engenheiros consigam de fato resolver todos os desafios de implementação dos VAs.
O segundo é o argumento de que os VAs podem melhorar muito a mobilidade, seja facilitando a vida das pessoas fisicamente incapazes de dirigir, ou acelerando a adoção de serviços como o Uber e o Lyft. Segundo algumas estimativas, os custos de uma corrida podem cair de 70% a 80% se o motorista for excluído da equação.
Em última análise, essas tendências vão mudar quem compra carros – e até a aparência deles.
Um mundo em que os Ubers da vida operassem em escala teria inúmeros efeitos secundários.
O ato de estacionar, por exemplo, vai mudar para sempre.
Hoje, os veículos ficam estacionados mais de 90% do tempo, e a ocupação média (quando o veículo está sendo usado) é de pouco mais de um passageiro por veículo. Se a maioria das pessoas não tiver mais carros e se os carros não ficarem ociosos, as cidades e o comércio sofreriam uma revolução.
O que acontecerá com o trânsito em geral – vai melhorar ou piorar? Será que migraremos do transporte público de volta para os carros se as estradas estiverem mais vazias? O que acontecerá com os varejistas e os preços dos imóveis se não precisarmos mais construir estacionamentos subterrâneos? Será que os prêmios de seguro diminuirão, à medida que os acidentes também diminuírem? As pessoas poderiam optar por viver mais longe das grandes cidades se não tiverem que dirigir horas? O que acontecerá com os empregos dos motoristas de carro e caminhão?
Mas onde está a indústria de VAs no momento, e quanto falta para atingirmos a autonomia completa?
Há cinco níveis de autonomia e, para fins comerciais, estamos apenas no nível 2. O nível 2 significa que o software atual consegue apenas acelerar e desacelerar o carro e mantê-lo na pista, mas o motorista ainda precisa ter as mãos no volante. No nível n3, o software vai dirigir por você, mas o motorista ainda terá que estar pronto para assumir o controle. O nível quatro irá dirigir para você em certas situações, mas não em outras.
Finalmente, o nível cinco não precisará de motorista humano – e o carro sequer terá volante.
Os especialistas do setor ainda não chegaram a um consenso quanto ao nível 5 se tornar realidade. Os mais otimistas acreditam que nos próximos cinco anos a autonomia completa estará pronta para ser implantada em escala em certas áreas dos EUA. A média das pessoas na indústria acredita que levará 10 anos ou mais até que o nível 5 chegue ás grandes cidades. Já os céticos estão confiantes de que o futuro dos VAs será o mesmo dos carros voadores.
O Google começou a pesquisar os VAs há 10 anos e ainda lidera a corrida.
Em dezembro, a empresa disponibilizou o seu Waymo One (um serviço de táxi autônomo) a um seleto grupo de moradores de Phoenyx, no Arizona. A maior parte desses táxis opera com um motorista de segurança no volante – pronto para retomar o comando quando necessário, reforçando a percepção de que o nível 5 de autonomia ainda está longe de se tornar realidade comercial.
O Google já tem mais de 10 milhões de milhas percorridas em seus VAs, enquanto o Uber, em segundo lugar na corrida, tem apenas uma fração.
Mas se o futuro é tão incerto, por que há tanto capital sendo investido nos VAs no que parece ser uma corrida contra o tempo?[] Os especialistas da indústria acreditam que dois cenários mutuamente excludentes devem ser o resultado mais provável desta disputa.
Num cenário, as montadoras poderão adquirir um “pacote” de tecnologia autônoma de um OEM (original equipament manufacture), semelhante ao que é feito hoje quando a Volkswagem compra um injetor de combustível da Bosch. No outro Google e Uber serão os únicos fornecedores dessa tecnologia; este duopólio ditaria as regras do jogo e captaria uma parcela desproporcional de valor na indústria automobilística. Detroit poderia acabar de novo (de novo).
O potencial de captura de valor é substancialmente maior se os VAs substituírem totalmente os motoristas. Os vencedores roubariam o almoço dos taxistas e caminhoneiros ao vender assinaturas de “planos de serviços de mobilidade” (mobility as a service) para indivíduos que não têm mais carros, e que preferem usar seu tempo de deslocamento de uma forma mais eficiente. O UBS estima que a indústria de AVs chegará a US$ 2,3 trilhões até 2030. Já a Intel estima US$ 7 trilhões até 2050.
Há pouca dúvida de que a hegemonia de mercado não virá do hardware e dos sensores, porque eles oferecem (apenas) escala de manufatura, mas não efeitos de rede.
Mais uma vez, o que vai decidir o jogo será o acesso aos dados.
A mina de ouro na cadeia de valor estará em controlar o software e os dados de mapeamento e condução, que andam de mãos dadas.
Quanto mais data points de georeferência e mapas uma empresa tiver, mais precisas serão as informações transmitidas ao carro autônomo, o que se traduzirá em mais segurança. Portanto, quanto mais milhas-dirigidas (ou simuladas) forem acumuladas, mais atualizado e preciso será o sistema.
Além disso, depois de entender o máximo de dados, o mais rapidamente possível, é o segredo para desenvolver fortes efeitos de rede e criar uma barreira de entrada que os concorrentes não conseguirão superar.
Embora este argumento faça sentido, e, em grande parte, explique a corrida contra o tempo, ele pode conter uma falácia. E essa falácia acabaria por fazer com que o pêndulo se movesse em direção ao cenário no qual vários OEM’s poderiam fornecer um “pacote de veículo autônomo”.
Primeiro, há a questão de quem é o dono dos dados. Os fabricantes de automóveis têm argumentado que eles são o vendedor final do veículo e que, portanto, devem ter a posse dos dados. Se esta visão prevalecer, em vez de apenas o Google e Uber controlarem os dados, a posse ficaria fragmentada, reduzindo os efeitos de rede.
Em segundo lugar, o valor dos dados não é linear. Pode haver um ponto em que adicionar mais dados ao algoritmo não gera nenhuma melhoria incremental. Este é um tópico comum em machine learning e, conforme os engenheiros continuam a desenvolver este campo, pode ser que a quantidade de dados necessária para se ter um sistema de VAs seguro diminua substancialmente. A questão passa a ser, portanto, quantas pessoas podem obter essa quantidade de dados. Se a resposta for “várias”, o argumento para se investir bulhões em pesquisa e desenvolvimento (na tentativa de ser o único vencedor) desmonta.
Ainda é muito cedo na indústria de VAs e as respostas para a maioria destas questões ainda permanecem abertas. O ritmo de desenvolvimento dependerá da rapidez com que os problemas da ciência da computação serão resolvidos, e ainda pode demorar décadas até que os VAs entrem na frota global de mais de 1 bilhão de carros.
A autonomia também assumirá formas diferentes, dependendo da complexidade. São Francisco, Manhattan, São Paulo, Beijing e Bangkok terão suas próprias necessidades e peculiaridades, gerando um modelo único em cada lugar.
Apesar de todas essas incertezas, sabemos de uma coisa: o resultado da corrida de VAs terá consequências muito profundas. Esse jogo não mudará apenas a dinâmica de poder em uma das maiores indústrias do mundo. Mudará a maneira como interagimos com nossas cidades – e nossas vidas.



Artigo, Alon Feuerwerker - A disputa sobre o passado histórico é arma na guerra pelo futuro político

A disputa sobre o passado histórico é arma na guerra pelo futuro político 
A eleição de Donald Trump funcionou também como destampador de um assunto que parecia velho: as pendências remanescentes entre os dois lados da Guerra Civil americana. Na Alemanha, a memória dos maciços bombardeios aliados na reta final da Segunda Guerra, sobre cidades alemãs sem nenhum significado militar, vem alimentando o revisionismo de direita.

O Brasil curte uma autoflagelação, mas a disputa política sobre o passado é algo universal. Não é jabuticaba. A narrativa sobre o que ficou para trás é fonte de poder para o discurso pelo futuro. Exige porém certos cuidados: a verossimilhança é importante, e não escorregar para muito longe dos fatos é essencial. Os fatos, sabe-se e ando repetindo aqui, são teimosos.

A retomada da narrativa de 1964 como revolução democrática é fonte de poder para a coalizão que demoliu, primeiro nas celas e tribunais e depois nas urnas, a Nova República. Que um dia já foi chique (Diretas Já, Tancredo, Constituinte). Hoje é escombros. E chegou a hora de o outro lado insistir numa história embelezada sobre os fatos de meio século atrás.

A Nova República virar Velha Política foi a deixa para reavivar a versão de os militares terem sido chamados pela sociedade em 1964 para impedir que os comunistas tomassem o poder. Assim como o endurecimento do regime em 1968/69 foi a deixa ideal para que apoiadores da derrubada de Jango (Juscelino, Ulysses, Montoro) vestissem a roupa de líderes democráticos.

Falta um “alta” na afirmação de que “a sociedade” chamou os militares para derrubar João Goulart. E se o problema era o comunismo bastava prender, exilar e eventualmente matar os comunistas, e fazer a eleição de 1965 sem os comunistas e sem os amigos dos comunistas. Mas não foi assim. As listas de cassações falam por si. E a eleição só voltou mesmo em 1989.

Mas quem quer saber de fatos? Então bola pra frente. Mostrar 1964 como revolução democrática e não golpe militar é combustível político para a coalizão no poder, que reproduz não só as alianças do imediato pós-1964 mas também a política econômica. E o governo pode alimentar a base social com ideologia enquanto não chegam os resultados.

Nesse debate, por enquanto, o bolsonarismo mantém a iniciativa. Governos têm potencialmente vantagem nisso, mas o atual parece sistemático: vai lançando ao ar teses, até mais mais disparatadas, e faz a discussão orbitar em torno delas. Enquanto se discute se o nazismo era de esquerda ou se a Terra é plana, ninguém conhece direito a proposta para a previdência.

Algumas coisas ajudam o bolsonarismo nessa tática. Ajuda-o a generalizada insuficiência em cultura e intelecto, um traço nacional. É também inteligente disseminar teses absurdas. A tentação da crítica é focar no ridículo da coisa, e deixa-se de enfrentar o debate no mérito. O “nossa, que absurdo” substitui a argumentação, e aí vira um Fla-Flu.

Sem contar que manter um fluxo ininterrupto de acusações obriga os adversários a passar o tempo se defendendo. Foi um expediente muito usado pelo PT, em especial nas campanhas presidenciais. E funcionou. Agora assiste-se à volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar. Vamos ver de que jeito o pessoal sai dessa. E uma hora vai sair.

Pois, como não existe mesmo almoço grátis, a linha governamental ajuda a amplificar e tirar a poeira de uma oposição que vinha algo isolada e paralisada, isolamento e paralisação naturais em início de governo. É a antiga constatação: quando o sujeito interfere na realidade, ela também o transforma em algum grau. A cada ação, gera-se uma reação.

Falta porém ainda à oposição um componente essencial: o mal-estar do povo. Poderá ser medido nas pesquisas sobre a popularidade do governo. Se de fato a provável reforma da previdência desencadear um ciclo de crescimento, o governo vai se segurar. Se não, aí sim haverá motivo para o uso da expressão “crise”.
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Alon Feuerwerker (+55 61 9 8161-9394)
mailto:alon.feuerwerker@fsb.com.br

Discurso de Bolsonaro em Israel

Prezados amigos, prezado irmão Benjamin Netanyahu,

Há dois anos estive em Israel. Visitei o Rio Jordão. Por coincidência, meu nome também é Messias. Senti-me emocionado naquele momento. Aceitei um chamamento de um pastor da nossa comitiva e desci as ruas do Rio Jordão, uma emoção, um compromisso, uma fé verdadeira que me acompanhará pelo resto da minha vida.
Sempre admirei o o povo de israel. Depois dessa passagem, em um período de pré-campanha e de campanha, citava sempre qual o ensinamento deveria levar de Israel para o Brasil. Eu falava muitas vezes. Nós sabemos que Israel não é tão rico quanto o Brasil em recursos naturais entre outras coisas. Eu dizia: olha o que eles não tem e veja o que eles são. E daí eu dizia para os meus irmãos brasileiros: olha o que nós temos e o que nós não somos. Como poderemos ser iguais a eles? Precisamos ter a mesma fé que eles têm.
E com esse sentimento e usando também uma passagem bíblica, João 8:32, que diz: conhecereis a verdade e ela vos libertará, conseguimos vencer desafios no Brasil.
Dois milagres aconteceram comigo. Um é estar vivo. Fui muito bem atendido, num segundo momento, no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Pelas mãos daqueles profissionais de saúde e primeiramente pelos profissionais de saúde da Santa Casa de Juiz de Fora e com toda a certeza novamente, pelas mãos de Deus, consegui sobreviver e também ser eleito presidente da República num clima completamente hostil a minha pessoa. Mas eu tinha uma coisa que os outros não tinham: eu tinha o povo ao meu lado.
Prezado irmão Netanyahu. É uma honra voltar a Israel. Realizo essa visita antes mesmo de completar 100 dias de mandato. Meu governo está firmemente decidido em fortalecer a parceria entre Brasil e Israel.
A amizade entre nossos povos é histórica. Tivemos um pequeno momento de afastamento. Mas Deus sabe o que faz. Voltamos.
Brasileiros e israelenses compartilham valores, tradições culturais e o apreço à liberdade e à democracia. Juntas, nossas nações podem alcançar grandes feitos. Temos que explorar esse potencial. É isso que pretendemos fazer nessa visita.
Antes de mais nada quero aproveitar para agradecer a participação do primeiro-ministro Netanyahu na ocasião da minha cerimônia de posse. Foi a primeira visita de um chefe de poder israelense ao meu país. Talvez queira expressar a gratidão do povo brasileiro pela demonstração inequívoca de solidariedade que forneceu Israel no enfrentamento da tragédia de Brumadinho. Esse gesto jamais será esquecido.
É motivo de muito orgulho para mim e para o povo do país o papel que o nosso chanceler Oswaldo Aranha desempenhou na criação do nosso estado de Israel.
Felizmente retornamos para o tratamento equilibrado das questões do Oriente Médio. O nosso ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, voltou de uma visita a Israel entusiasmodo com as possibilidades de acordos e parcerias.
A cooperação nas áreas de segurança e defesa também interessam muito ao Brasil. Eu e meu amigo Netanyahu Pretendemos aproximar nossos povos, nossos militares, nossos estudantes, nossos cientistas, nossos empresários e nossos turistas.
Obrigado pela calorosa recepção. Estou certo que teremos dias muito produtivos e agradáveis.
Eu amo Israel.
Muito obrigado

Artigo, Fábio Jacques - Direita ou esquerda ?

A declaração do ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo na qual afirma que nazismo e fascismo foram regimes de esquerda provocou um frenesi nas hostes esquerdistas não só do Brasil como do mundo.
Os argumentos de especialistas contra esta afirmação, como o embaixador alemão Georg Witschel, Peter Carrier pesquisador da UNESCO sobre o holocausto, ou Ruth Ben-Ghiat se baseiam principalmente no antagonismo de Hitler contra o comunismo, apesar de que até a invasão da Rússia pela Alemanha (operação Barbarossa), Rússia e Alemanha foram aliadas, parceria consolidada no pacto Molotov-Ribbentrop. Inclusive, ainda que muita gente ignore, a segunda guerra mundial começou com a invasão da Polônia pela Alemanha no dia primeiro de setembro de 1939 e pela Rússia no dia 17 do mesmo mês. Em 1945 a Polônia foi libertada dos alemães pelas tropas russas o que fez a população polonesa simbolicamente pular da frigideira para o fogo.
Hitler foi realmente contra o comunismo na Alemanha, o que não significa que seu regime também não fosse de esquerda. Dentro do próprio comunismo russo houve linhas ideológicas diferentes haja vista o assassinato de Trotsky a mando de Stalin assim como as várias reescritas da história a cada novo governo soviético quando até as fotos dos ditadores anteriores foram apagadas para que não fossem mais lembrados.
O que é direita e o que é esquerda? Qual a diferença fundamental entre estes dois regimes?
Minhas leituras na mídia têm me dito que direita é tudo aquilo que não é esquerda. Este raciocínio é semelhante à falácia de dizer que tudo o que não for vermelho é verde e que existe apenas um vermelho enquanto qualquer pessoa instruída sabe que os comprimentos de onda que nossos olhos percebem como vermelho variam entre 625 e 740 nanômetros, ou seja, uma gama bastante ampla.
Vamos, na internet, tentar encontrar alguma definição que diferencie claramente a esquerda da direita.
Direita:
Defende a liberdade de mercado, as liberdades individuais e os valores tradicionais. Sua filosofia é conservadora. O papel do Estado é de respeito aos direitos individuais com pouca intervenção na economia. Economicamente defende a diminuição de impostos e gastos públicos e menos poder do Estado sobre       o mercado.
Esquerda:
Defende a igualdade entre os cidadãos e os direitos das minorias. Sua filosofia é liberal. O papel do Estado é garantir a igualdade de oportunidades a todos os cidadãos. Economicamente defende programas sociais e políticas públicas, impostos pagos de acordo com a renda e regulamentação do Estado sobre o mercado.
Frente a estas duas definições fica difícil afirmar que nazismo e fascismo tenham sido regimes de extrema-direita e que os regimes de Cuba ou Venezuela sejam de esquerda.
Tanto o nazismo e o fascismo como o comunismo foram regimes ditatoriais os quais dificilmente poderiam se enquadrar em qualquer dos modelos teóricos de direita e esquerda acima elencados.
Thomas Morus na sua obra prima “Utopia”, cria uma ilha (dizem que sua inspiração foi o arquipélago brasileiro de Fernando de Noronha) na qual havia igualdade total entre as pessoas seja em termos de oportunidades como em termos de riqueza. Sem posses individuais todos seriam iguais e todos colaborariam pelo bem comum. O nome já diz que se trata de utopia porque as pessoas são diferentes entre si em miríades de aspectos sendo que a igualdade imposta desestimula qualquer senso de iniciativa levando sempre à nivelação por baixo. Quem não tem habilidades especiais ou firme vontade de fazer por si, nada faz porque tem certeza de que receberá o que precisa do Estado e quem for curioso, criativo ou empreendedor deixa estiolar estas suas características porque nenhum benefício lhes proporcionarão.
Cuba e Venezuela nivelaram sua população por baixo. O mesmo ocorreu na Rússia, na China ou em qualquer outro país comunista. Mas mesmo nestes países a natureza humana não foi suficientemente suplantada sendo que no momento da abertura para a livre iniciativa tanto na Rússia como na China surgiram como que do nada grandes empreendedores cujas habilidades se mantiveram por décadas latentes ou foram aplicadas em negócios escusos à margem da lei.
Me parece que o grande problema em aceitar que nazismo e fascismo foram de esquerda não está no reconhecimento da essência de sua ideologia e sim na necessidade de desdizer tudo o que sempre foi dito pela esquerda sobre estes regimes. Como os esquerdistas vão assimilar a ideia de que aqueles tachados por eles de extrema-direita na verdade foram de esquerda? Como vão aceitar que o holocausto foi perpetrado pela esquerda? Este sapo é grande demais pra ser engolido sem entalar na garganta.
Fica mais fácil gritar e espernear contra e simplesmente dividir o espectro político em vermelho e verde. Tudo o que não é vermelho é verde e tudo o que não é esquerda (independente de suas nuances), é direita, e ponto final.
Assim fica fácil argumentar.
O autor é diretor da FJacques - Gestão através de Ideias Atratoras, Porto Alegre, e autor do livro “Quando a empresa se torna Azul – O poder das grandes Ideias”.
www.fjacques.com.br -  fabio@fjacques.com.br

Direito de resposta - Mães & Pais pela Democracia


Prezado Jornalista Políbio Braga,

Em matéria veiculada no último dia 28 de março de 2019, o Sr., mais uma vez, rotula de forma, ao que parece, deliberadamente equivocada e sarcástica a Associação Mães e Pais pela Democracia como se esta fosse formada por “ativistas lulopetistas ou psólicos”. A repetição do uso de tais estranhos adjetivos acerca dos membros de nossa Associação em sua matéria, Sr. Jornalista, seria por nós ignorada, não fosse outra inverdade nela contida e que afeta diretamente a nossa honra, reputação e imagem: o alegado protesto contra a presença de policiais armados em escolas da capital, no dia de ontem. Como já mencionamos em outra oportunidade, somos um grupo suprapartidário e que se reconhece como um novo movimento social, sem a partidarização e a polarização tradicionais no seu gene.
As ameaças criminosas dirigidas à comunidade escolar da rede Marista de ensino em Porto Alegre/RS e que foram divulgadas, antes, nas redes sociais, e, posteriormente, em todos os meios de comunicação, provocaram enorme pânico junto a mães, pais, alunas, alunos, professoras, professores e demais integrantes dessa comunidade. Por conta disso, houve imediata e possível reação das autoridades constituídas, a exemplo da administração escolar e da Secretaria Estadual da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, assim como de mães e pais, de forma individual, ou mesmo, coletiva, pela nossa Associação. 
Ou seja, Sr. Jornalista, a presença de policiais ostensivamente armados nas escolas é também consequência do pedido espontaneamente realizado pela nossa Associação como resposta ao crime de terrorismo praticado esta semana e que claramente foi incitado e radicalizado pelos discursos de ódio e de intolerância que, infelizmente, tomaram conta de vários meios de comunicação, como o seu blog na Internet. 
Por outro lado, Sr. Jornalista, a necessária presença da força policial em ambiente escolar não afasta a imprescindível crítica não só ao fato criminoso gerador dessa excepcional medida, como também ao triste momento político e social do país que torna imperiosa a assistência de policiais fortemente armados num espaço onde os instrumentos deveriam se limitar aos livros, ao conhecimento, ao amor e à liberdade, sem romantismos. Há que se louvar o tipo de policiamento que aconteceu no dia de


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hoje, por exemplo, em que as polícias estiveram presentes sem a exposição de armas e carros, de forma discreta e inteligente, e que produziu, sem dúvidas, mais sensação de segurança para toda comunidade escolar. Em suma, Sr. Jornalista, a crítica realizada pela entidade NUNCA se dirigiu às polícias e/ou as autoridades públicas. Note-se que essa interpretação não seria possível, na medida em que esta Associação defende a democracia e o Estado Democrático de Direito. Portanto, temos a ciência de que não haverá direito à segurança sem a segurança do direito à educação. 
Reforce-se, por oportuno, que a repressão qualificada é fundamental, sobretudo de modo inteligente, integrado com outras agências e com o uso de tecnologia. Defendemos, de igual modo, o desenvolvimento de políticas públicas de prevenção social das violências, desde o papel dos Municípios e das Guardas Municipais, passando pelas agências de educação e chegando até os competentes e aguerridos policiais gaúchos – tanto a Brigada Militar quanto a Polícia Civil. Nossa Associação quer contribuir não somente com o necessário “apagar incêndios” de situações-limite ou de crise, como a levada a efeito esta semana, por criminosos virtuais, como também com a superação da gestão por espasmos em prol da gestão de políticas públicas de segurança baseadas em evidência, o que demanda a conjugação de esforços integrados no âmbito do controle da criminalidade e da prevenção das violências. 
Nesse sentido, agradecemos imensamente aos órgãos de segurança pública do Estado do Rio Grande do Sul e ao Senhor Secretário de Estado e Vice-governador, Del. Ranolfo Vieira Jr., que, prontamente, nos atenderam, garantindo, com os seus limites, a segurança do direito à educação, sobretudo para quem resolveu levar seu(sua) filho(as) à escola em um dia de tantas incertezas e medos. 
Desse modo, o referido equívoco de informação cometido pelo Sr. nos obriga a requerer, mais uma vez, o direito de resposta na forma e no prazo estabelecidos pela Lei nº 13.188, de 11 de novembro de 2015, e que será por nós interpretada como requerimento atendido, desde que os fatos acima narrados sejam inteiramente divulgados, sem cortes, pelos mesmos meios da mencionada matéria.





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Porto Alegre/RS, 29 de março de 2019.

Atenciosamente,


ALINE KERBER
Presidente
Associação Mães&Pais pela Democracia



MARCELO PRADO
Vice-presidente
Associação Mães&Pais pela Democracia

Programação de Bolsonaro em Israel


Veja abaixo os compromissos previstos na visita de Bolsonaro a Israel:

Sábado
• 13h - Partida de Brasília para Las Palmas, Espanha
• 23h20 (horário local) - Chegada a Las Palmas
Domingo
• 00h50 - Partida de Las Palmas para Tel Aviv
• 10h - (horário de Israel) - Chegada a Tel Aviv
• 10h05 - Cerimônia oficial de chegada a Isral
• 13h - Almoço privado
• 17h - Reunião privada com o primeiro-ministro de Israel
• 18h - Cerimônia de assinatura de acordos nas seguintes áreas: Ciência e Tecnologia, Defesa, Segurança Pública, Saúde e da Medicina (a confirmar).
• 19h10 - Chegada à residência do primeiro-ministro
• 19h15 - Declaração conjunta à imprensa do presidente Jair Bolsonaro e do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu
• 19h45 - Jantar oferecido pelo primeiro-ministro de Israel
• 20h - Jantar oferecido pelo ministro de Energia de Israel, Yuval Steinitz, aos ministros integrantes da delegação brasileira
Segunda-feira
• 09h30 - Visita à Unidade de Contraterrorismo da polícia israelense
• 09h40 - Demonstração de emprego da Unidade de Contraterrorismo da polícia israelense
• 11h10 - Visita à Brigada de Busca e Salvamento do Comando da Frente Interna de Israel
• 11h15 - Cerimônia de condecoração da Brigada de Busca e Salvamento do Comando da Frente Interna de Israel com a Insígnia da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul
• 12h20 - Almoço privado
• 16h50 - Chegada ao Muro das Lamentações
Terça-feira
• 08h30 - Café da manhã com CEOs de startups israelo-brasileiros
• 10h - Cerimônia de abertura do encontro empresarial Brasil-Israel
• 10h50 - Visita à exposição de produtos de empresas de inovação
• 11h40 - Visita ao Centro Industrial Har Hotzvim e à Mobileye
• 12h30 - Almoço com empresários
• 15h45 - Visita ao Yad Vashem, Centro de Memória do Holocausto
• 15h50 - Visita à Exposição “Flashes of Memory – Fotografia durante o Holocausto”
• 16h10 - Cerimônia de oferenda floral
• 16h35 - Visita ao Bosque das Nações
• 16h45 - Cerimônia alusiva ao plantio de muda de oliveira no Bosque das Nações
• 19h - Jantar privado
Quarta-feira
• 09h30 - Chegada à cidade de Raanana
• 09h40 - Visita à comunidade de brasileiros estabelecida na cidade
• 11h20 - Chegada ao Aeroporto Internacional Ben Gurion
• 11h40 - Partida de Tel Aviv para Las Palmas
• 14h50 - Chegada a Las Palmas
• 16h20 - Partida de Las Palmas para Brasília
• 20h40 - Chegada a Brasília


Artigo, ministra Eliana Calmon


Estou desolada com a decisão do Supremo.
Lamentavelmente eles prepararam um enterro de luxo para a Lava Jato, em diabólica armação, ao que tudo indica saida da mente brilhante de Gilmar Mendes.
O mais grave é que eles sabem perfeitamente que a Justiça Eleitoral não está preparada para atender ao que eles determinaram.
Os juizes eleitorais são juizes emprestados da Justiça Comum, com mandato de dois anos e portanto sem as garantias que dão ao magistrado independência. Eles são escolhidos pelo Tribunal de Justiça, e percebem uma polpuda gratificação que hoje está na faixa de oito mil reais mensal, pois o jeton por sessão é de R$ 914,13 e o número de sessões é de, no mínimo, de 8 sessões. Essa gratificação não está sujeita a imposto de renda e se agrega integral à remuneração do magistrado. O jeton e o prestigio curricular faz com que as indicações sejam altamente cobiçadas e sempre acompanhadas de forte interferência política.
O mesmo ocorre nos Tribunais Regionais Eleitorais, formado de desembargadores  e advogados escolhidos por critério meramente político, o que se repete na escolha dos ministros representantes do quinto constitucional no Tribunal Superior Eleitoral.
A sistemática, portanto, retira do juiz eleitoral as garantias da inamovibilidade e da irredutibilidade de vencimentos.
Portanto, nào se diga apenas que falta estrutura burocrãtics para atuar a Justiça Eleitoral na apuração de complexos processos de corrupção de políticos, enfrentando os mais hábeis e enturmados advogados, regiamente pagos. A falta de estrutura é uma dificuldade contornável, mas a falta de garantia dos magistrados eleitorais é incontornável e os torna vulneráveis.
A decisão do Supremo foi premeditadamente preparada para acabar com a Lava Jato, repito.
Primeiro veio a portaria do Presidente da Corte, sem limites objetivos ou subjetivos, como instrumento de intimidação, adredemente concebida como mordaça Depois partiram para a desconstrução de uma Operação que só fez enaltecer o Judiciário Brasileiro e pela primeira vez na história desse país chegou até os corruptos de colarinho branco e parlamentares.
O enterro foi arquitetado com esmero e já antecipando o alcance já indicam alguns ministros a possibilidade de ser dado efeito retroativo e assim anular muitas das condenações da Lava Jato, ou seja um apagar quase tudo para começar de novo.
Mas não é só. Pela forte manifestação de Gilmar foi dado inicio à desconstrução da reputação dos investigadores, tal como aconteceu na Itália com a Operação Mãos Limpas. Só nos falta, agora, saber quem será o nosso Berlusconi.