Análise, especial, Carlos Eduardo Bellini Borenstein - Pesquisas mostram cenário estável com vantagem de Flávio

Carlos Eduardo Bellini Borenstein

Cientista Político

carloseduardo@arkoadvice.com.br

Faltando quatro dias para o segundo turno, a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) está acirrada. Analisando oito pesquisas de intenção de voto divulgadas ao longo do segundo turno – AtlasIntel; PoderData; Nexus; Futura; Quaest; Datafolha; Ipespe; e Gerp – constatamos duas questões importantes: 

1) As variações nas intenções de voto em Flávio e Lula, comparando a primeira com a última pesquisas realizadas até esta quarta-feira (21), estão dentro da margem de erro, indicando uma estabilidade na disputa, o que favorece quem está na frente: Flávio Bolsonaro; e

2) Em todas as pesquisas, Flávio está em situação de vantagem numérica sobre Lula

No AtlasIntel (13 a 18/Out), Flávio registra 49,8% das intenções de voto contra 47,6% de Lula. Uma vantagem de 2,2 pontos em favor do senador. Na série de pesquisas do segundo turno, Flávio oscilou 1,3 pontos, enquanto Lula variou positivamente 1,9 pontos. As oscilações estão levemente acima da margem de erro – 1 ponto percentual para mais ou para menos. 

No PoderData (19/Out), Flávio aparece estável com 49%. Lula registra 46%, uma distância de 3 pontos. Na série de pesquisas do segundo turno, Flávio teve variação de 0 ponto, enquanto Lula variou positivamente dois pontos. As oscilações estão dentro da margem de erro – 1,8 ponto percentual para mais ou para menos. 

Na Nexus (16 a 18/Out), Flávio Bolsonaro aparece com 46,5% contra 45,9% de Lula, distância de apenas 0,6 ponto. Na sequência de pesquisas do segundo turno, Flávio teve uma variação negativa de 1,5 pontos, enquanto Lula variou positivamente 0,9 ponto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. 

Na Futura (19 a 20/10), Flávio registra 48,9% contra 46,8% de Lula, uma distância de 2,1 pontos. Na série de pesquisas do segundo turno, Flávio teve uma variação negativa de 1,1 ponto, enquanto Lula oscilou positivamente 0,2 ponto. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.


Na Quaest (17 a 20/10), Flávio aparece com 45% contra 44% de Lula, distância de 1 ponto. Comparando as pesquisas do instituto, Flávio oscilou negativamente 1 ponto, enquanto Lula ficou estável. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. 

No Datafolha (13 a 14/10), Flávio registrou 47% contra 45% de Lula, uma vantagem para o senador de 2 pontos. Ao longo do segundo turno, Flávio variou negativamente 2 pontos, enquanto Lula ficou estável. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. 

No Ipespe (13 a 15/10), Flávio aparece com 48% contra 46% de Lula, distância de 2 pontos. Ao longo do segundo turno, Flávio teve uma oscilação negativa de 1 ponto, enquanto Lula variou positivamente 2 pontos. 

No Gerp (19, 20 e 21/10), Flávio tem 50% contra 45% de Lula, uma vantagem de 5 pontos. Durante o segundo turno, Flávio cresceu 4 pontos, mesma variação de Lula. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Apesar da vantagem de Flávio na reta final, a eleição não está decidida, já que a campanha de Lula tenta criar fatos novos como, por exemplo, o desafio envolvendo a abertura da quebra dos sigilos dos candidatos. O objetivo de movimentos como esse é deslocar a discussão eleitoral do governo Lula (PT) para outros temas. Embora provoque “barulho” no noticiário, não deve a alterar o curso da eleição. 

O grande evento desta reta final será o debate da Rede Globo, onde o desempenho de Flávio e Lula pode impactar nas últimas 48 horas antes do pleito. 

Mesmo que a pesquisa Quaest tenha indicado um aumento de indecisos entre as mulheres e os independentes na menção espontânea, por ora, não temos indicativos de que esses eleitores migrarão para Lula. Ao que tudo indica, isso ocorreu por um aumento da insatisfação provocada pelo debate da Rede Bandeirantes, consequência do forte embate entre Flávio e Lula.

Apesar da eleição não está decidida, Flávio chega em melhores condições na reta final, pois:

1) Lidera, mesmo que numericamente, todas as pesquisas; 

2) O saldo de popularidade do governo Lula segue negativo; 

3) A abstenção tende a continuar alta, reduzindo o espaço de crescimento de Lula; 

4) A eleição transcorre em um ambiente de mudança, o que beneficia a oposição; e

5) Até o momento, não há fatos novos que impactem o humor dos eleitores a ponto de provocar uma mudança na tendência capturada pelas pesquisas



Dica do editor

 O jornal The Washington desta quinta-feira ensina que um diagnóstico errado de esclerose múltipla (EM) acontece porque não existe um único exame definitivo para confirmar a doença, e os sintomas clínicos podem ser facilmente confundidos com os de outras condições neurológicas ou autoimunes. Segundo especialistas, como a neurologista Dr. Marwa Kaisey e outros profissionais da área, os principais fatores que levam ao erro incluem:

• Ausência de um teste exclusivo: O diagnóstico exige seguir critérios formais e avaliar um conjunto de informações clínicas (histórico, exames físicos e de imagem), e não um simples exame de sangue.

• Sobreposição de sintomas: Sinais comuns da EM — como fadiga, formigamento, dormência, fraqueza, desequilíbrio e alterações visuais — também aparecem em várias outras doenças.

• Confusão com outras condições: Outras patologias imitam a EM ou geram lesões parecidas na ressonância magnética, como:

• Distúrbios do espectro da neuromielite óptica (NMO)

• Lúpus e outras doenças autoimunes inflamatórias

• Enxaqueca

• Miastenia gravis

• Condições neurodegenerativas raras ou hereditárias (como alguns tipos de ataxias ou adrenoleucodistrofia)

• Interpretação isolada da ressonância magnética: Manchas e lesões no cérebro ou na medula espinhal podem ser vistas na ressonância por outros motivos que não a esclerose múltipla, exigindo rigor para não fechar um diagnóstico prematuro.