Artigo, Marcel Van Hatten - A defesa do indefensável

A defesa do indefensável
Estou acostumado a sofrer ataques de representantes e seguidores da esquerda. Afinal de contas, durante muito tempo essas pessoas que hoje atacam foram tidas como autoridades que não poderiam ser confrontadas. Agora que a população brasileira conseguiu identificar que o discurso político dos eleitos pela esquerda é uma grande falácia, a agressividade passou a ser a única ferramenta capaz de convencer a militância de partidos como PT e PSOL a seguirem com narrativas pouco críveis como a de que houve um golpe no Brasil para que houvesse o impeachment de Dilma Rousseff.
O texto prossegue sugerindo que todos os que foram às ruas seriam simples “patrocinados” por quem tem interesses partidários ou até econômicos, pois seria impossível o povo estar insatisfeito com os governantes supostamente maravilhosos que guiavam o Brasil para o primeiro mundo. Será mesmo? É claro que não. Milhões de pessoas foram às ruas para expressar espontaneamente a sua insatisfação com o altíssimo desemprego, com o descontrole da inflação, com a identificação dos políticos dos mais altos cargos com líderes populistas, ditadores de nações símbolo do atraso, com os escândalos de corrupção, com a mentira contada nas eleições presidenciais.
Tudo isso, claro, é omitido por quem faz uma defesa sem argumentos sólidos, por quem não consegue aceitar o fato de que o castelo de areia que estava sendo construído, desmoronou. A prova disso é o pleito de 2016, já pós-impeachment, que tirou o PT da liderança na soma total de votos para rebaixá-lo para a oitava e última colocação dentre os maiores partidos do país nas eleições municipais. 
Isso não diz nada? Já passou da hora de esquerdistas deixarem sonhos adolescentes de lado, de pararem de colocar a culpa do mundo somente onde há capitalismo. O discurso politicamente correto – abandonado apenas na hora de atacar opositores políticos – está sendo questionado pelo mundo afora e a esquerda continua agindo da mesma maneira, como se ainda estivesse na crista da onda.
Se tiverem dúvidas sobre quais países devemos ter como modelo, basta consultar o índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, que coloca o Brasil na vergonhosa 122ª colocação. O índice faz uma comparação que leva em consideração aspectos como aplicação da lei, atuação do governo, qualidade de serviços públicos, e vários outros pontos importantes para a qualidade de vida do cidadão. Na América Latina, o Chile é o país que melhor figura no ranking, enquanto Venezuela e Argentina, parceiros tão bem quistos pelos governos petistas, ocupam as posições 169 e 176, respectivamente – aqui vale lembrar que o ranking é feito com 178 países, e Cuba e Coréia do Norte ocupam as duas últimas colocações. 
A política deve ser feita com acompanhamento diário dos fatos, sem paixões irracionais, com participação e proposições realistas. Mentiras, nesta época em que a informação corre sem qualquer controle via internet, podem enganar alguns poucos, mas tendem a ser desmascaradas e terem efeito inverso ao pretendido pelo mentiroso.


MARCEL VAN HATTEM – Cientista Político e Deputado Estadual

Os sabotadores da Lava Jato

Reportagem de capa da revista Veja desta semana conta que os sinais emitidos por Brasília não dão margem a dúvida: se não houver vigilância rigorosa da sociedade, a operação poderá perder a guerra para os corruptos. Diz Veja: "Agora é para valer: os movimentos para sabotar a operação anticorrupção estão no governo, no Congresso, no Supremo e até na Polícia Federal". PMDB, PT, PSDB e PP estão unidos para sabotar a Lava Jato.

Leia mais. A reportagem é de Daniel Pereira, Laryssa Borges, Rodrigo Rangel


Talvez pela proximidade do Carnaval, a piada recorrente em Brasília é que o governo de Michel Temer rasgou a fantasia. O chiste decorre da leitura mais óbvia dos últimos acontecimentos: tudo conspira, dentro e fora do governo, para sabotar ou pelo menos restringir o alcance da Lava Jato. Com o aval do Planalto, acusados de corrupção ocuparam postos-chave no Congresso – como Edison Lobão, presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado -, assumindo o controle sobre a tramitação de qualquer projeto. Também uniram forças com o governo para dar apoio à indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal, vaga na qual terá papel de protagonista no julgamento da Lava Jato. Os sinais da cruzada pela impunidade estão no governo, no Congresso e no Supremo e até na Polícia Federal. A explicação é uma só: o silêncio das ruas, que faz com que movimentos de cerco à operação sintam-se mais à vontade. Tanto que o novo capítulo do abafa reúne próceres dos três poderes. O vale-tudo contra a operação, agora à luz do dia, conta ainda com ações sem estardalhaço, como o desmonte da força-tarefa da PF, com a remoção de personagens centrais, como o delegado Márcio Anselmo, que desvendou a relação do doleiro Alberto Youssef com a Petrobras, marco zero da Lava Jato, e irá para a corregedoria da PF no Espírito Santo.

Artigo, Marcelo Aiquel - O faroeste capixaba e o Exército

       Os brasileiros tem assistido, completamente incrédulos, o caos da segurança pública no Estado do Espírito Santo.
      Ao contrário de outras “ondas de violência” ocorridas no país, esta não teve origem nos presídios, mas sim – pasmem – na atitude irresponsável dos sindicatos patronais e familiares dos policiais que, contrariando a regra constitucional e o bom senso, resolveram decretaruma greve na PM capixaba.
      Ao impedirem o policiamento de sair às ruas, estes irresponsáveis – JUNTAMENTE COM A TROPA, QUE “ACEITOU” ESTE PRECARÍSSIMO IMPEDIMENTO – praticamente conclamaram a bandidagem em geral a “passar o rodo” nas cidades e liberar os saques e crimes, praticados no modo de atacado.
      Ninguém – nem o mais radical dos “coxinhas da zelite” – de sã consciência pode se opor às reivindicações justas, como a atualização ou o pagamento em dia do soldo dos policiais. Porém, existem maneiras civilizadas, legais, e organizadas, de fazê-lo, e nunca causando o completo descontrole da criminalidade.
      Porém, quem se aproveitou da ausência de policiamento não foram somente os bandidos, mas uma boa parte dos “civilizados cidadãos” capixabas que, sem controle, desnudaram ao país seu lado marginal, saqueando lojas e mercados em busca de bens e mostrando a falta de educação do povo brasileiro em geral.
      E quem chegou para tentar colocar ordem na bagunça foram as mal faladas (e sempre criticadas) Forças Armadas.
      Ah, depois de saudados pela populaçãoindefesa e assustada, os militares são benvindos? Onde ficou aquele velho desprezo ideológico pelo exército nacional?
      O próprio PT, quando governo, esqueceu-se que considera os chefes militares torturadores e simpatizantes da “ditadura”, e se socorreu deles e das FA para “auxiliar” na tragédia do Haiti; combater o narcotráfico nas comunidades cariocas; e atuar nas catáfrofes naturais; entre outras tantas atribuições determinadas aos nossos militares.
      Aí então o exército serve?Para rebelar tumultos, combater a dengue e enfrentar enchentes?Aí serve?
      Tá na hora desta hipocrisia coletiva, manipulada por uma imprensa parcial, ter fim.
      Afinal, os militares são torturadores, ou salvadores?
      Agora, no Espírito Santo, os “ditadores”entram em cena para salvar (mais uma vez) a população.
      E são recebidos – assim como em 1964 – com festa e alegria por um povo de memória curta, afetada principalmente por mentiras difundidas agranel através de pessoas com terceiros interesses que não restabelecer a verdade da história.
      Outro dia escutava uma entrevista do recém-empossado prefeito de São Paulo, João Dória, numa rádio (Jovem Pan), onde ele foi duramente cobrado pelas entrevistadoras. Saiu-se muito bem, demonstrou farto conhecimento de causa, calou as duas jornalistas entrevistadoras (uma do time da Globonews), e deixou claro que existe luz no fim do túnel.
      Esta luz aponta no sentido da primeira medida para a reconstrução do país:um programa severo de tolerância zero, que deve ser implantado paradesmascarar os interesses obscuros existentes na mídia e acabar de vez com este assassinato de reputações criado pela esquerda brasileira.
      Chega de dissimulação, queremos a verdade verdadeira, não aquela parcial e dirigida que alguns tentam nos empurrar.
      Não é possível – nem aceitável – que pessoas ativas na época de 1964 continuem a execrar as FORÇAS ARMADAS, com a balela de que os militares deram um golpe de Estado.
      Quem vivia naquele tempo sabe perfeitamente que as FA apenas atenderam ao pedido de socorro da população, em vias de ser remetida ao autoritarismo de uma ditadura de esquerda por um bando de jovens (muitos hoje arrependidos) inconsequentes que recebera profunda lavagem cerebral para tornar-se simpatizante da ideologia comunista.
      A mesma ideologia que fez naufragar Cuba e a Venezuela, por exemplo.
      Aplaudam e apoiem o Far West capixaba e logo teremos aqui uma verdadeira ditadura. A do proletariado. Que só deu certo para seus comandantes, bem ao contrário da tal “ditadura militar” brasileira.


      Marcelo Aiquel – advogado (11/02/2017

Artigo, Gilberto Silva, vice-presidente do Afocefe Sindicato - A transparência é o único caminho

Quando reiniciar a discussão dos projetos enviados pelo governo do Estado à Assembleia Legislativa para apreciação, com único indicativo do nosso governante de que somente a aprovação destes projetos poderá retirar o Rio Grande do Sul da atual penúria financeira em que se encontra, surgem versões diversas quanto ao tamanho no rombo das contas públicas e as saídas para o problema. O próprio governo não contribui para elucidar estas divergências, pois ao apresentar um orçamento dito “realista” apontando para um “déficit” de 4,4 bilhões em 2016, encerra o ano com uma prestação de contas afirmando que, graças aos “seus esforços” este valor ficou em apenas R$ 143 milhões.

O único caminho para que a população não fique jogada de um lado para outro como marionete, envolvida em discursos efusivos e cheio de palavras de efeito, é a transparência e a publicidade de todos os atos públicos. Tornar mais transparentes os dados da arrecadação estadual, com facilidade de acesso e informações claras e precisas, sobre quais e quanto as empresas devem ao Estado, como são concedidos os incentivos fiscais, quais a contrapartidas das empresas e, principalmente, como é realizada a fiscalização do cumprimento de obrigações, são essenciais para que a discussão seja objetiva. O deputado Luis Augusto Lara (PTB) está buscando assinaturas na Assembleia Legislativa para que seja realizada uma CPI nos Incentivos Fiscais.

Não com o objetivo de acabar com os mesmos, o que é inviável no atual quadro de guerra fiscal em que vivem os estados, mas para esclarecer quais os critérios de concessão. A adesão à CPI dos Incentivos Fiscais seria uma ótima oportunidade para que o próprio governo, através de uma exposição de todos os dados, comprovasse a legalidade dos atos praticados e o zelo com o dinheiro público que deixa de ingressar no Tesouro para beneficiar determinada empresa ou segmento econômico.

Não podemos mais ser jogados de um lado para outro numa discussão ideológica de qual tamanho deve ter o Estado, quando, na verdade, o que precisamos é que este Estado consiga garantir à população serviços essenciais como saúde, segurança e educação. Para isso, deve zelar pela legalidade de seus atos, tornando público tanto as despesas quanto as receitas que ingressam para cumprir o seu papel.

Artigo, Paulo Franquilin, tenente-coronel BM da reserva - Passados 20 anos

Em 1997 aconteceu a primeira greve da Brigada Militar, quando os brigadianos saíram às ruas para pedir o retorno de vantagens salariais retiradas pelos governos da época, além de mostrarem descontentamento com a situação de equipamentos e armamentos que não eram adequados para a realização do serviço policial com segurança para os servidores.

Passados 20 anos, a situação da Brigada Militar atualmente continua com enormes carências de efetivo e equipamentos, salários defasados e projetos em tramitação retirando vantagens dos brigadianos, tendo ainda a realidade de recebimento de salários parcelados e cada vez menos policiais nas ruas. A violência aumentando com homicídios ocorrendo em quantidades absurdas, assaltos às agências bancárias com uso de escudos humanos, explosões de caixas eletrônicos e incêndios em viaturas acontecem no Rio Grande do Sul com a polícia trabalhando normalmente.

Enquanto isso, no Espírito Santo, por motivos salariais, acontece uma greve de enormes proporções, com retirada de efetivos das ruas, policiais militares aquartelados e familiares impedindo a saída de viaturas, aumentando significativamente a violência nas cidades capixabas. As cenas de saques e depredações de lojas, supermercados e outros estabelecimentos mostram o caos instalado nas ruas de Vitória e cidades vizinhas, pois além de criminosos, muitos cidadãos ordeiros estão participando dos ataques, aproveitando a ausência da Polícia Militar para levarem eletrodomésticos e outros objetos em seus veículos.

Por aqui temos o caos no sistema prisional e descontentamento dos brigadianos com a situação salarial e falta de estrutura para desempenhar suas atividades, somando-se a isso a possibilidade de mudanças na carreira e nas vantagens salariais que tramitam na Assembleia Legislativa, encaminhadas pelo governo estadual. A possibilidade de termos em breve outras polícias militares paralisando é muito grande, podendo repetir o ocorrido em 1997, quando vários estados tiveram greves de policiais e bombeiros militares, com a diferença de que agora o nível de criminalidade é muito superior.

Artigo, Luís Milman - Universidade aparelhada pelos comunistas e pelo PT

Por Luis Milman
O ambiente universitário brasileiro, a exemplo do jornalístico, é um terreno no qual sempre proliferou a mentalidade esquerdista. O Partido dos Trabalhadores, desde os anos 80, é o preferido de professores e alunos, que ostentam sua militância abertamente e com orgulho. Na medida em que o PT foi se tornando um partido de governo, partidos de esquerda mais à margem do poder, como o PC do B, o PSTU e o PSOL,  passaram a dividir com os petistas a liderança do movimento estudantil, enquanto os sindicatos docentes, especialmente das universidades públicas, continuaram a ser dominados por petistas. O PT substituiu o antigo PCB, o Partidão – do qual, em muitos aspectos, é um esbirro- na preferência da intelligentsia universitária. Assim, não é novidade que sempre tenha havido, por parte deste setor, uma adesão confessional aos padrões de pensamento e organização marxistas.
Para todos os efeitos, estar vinculado ao PT ou, em segundo plano, aos demais partidos da esquerda, aberta ou informalmente, significa, ainda hoje, possuir uma carta de recomendação ideológica, sem a qual é muito difícil abrir as portas para a participação em grupos que dominam a política e movem a burocracia universitária.  A credencial é responsável pela ocupação de cargos diretivos e pela consequente ascenção na carreira docente, sem falar na participação assídua em congressos nacionais e internacioais e, principalmente, nas agências estatais de fomento à pesquisa, que controlam a distribuição de bolsas de estudo para alunos e verbas polpudas para professores . Para aqueles que não se ajustam ao perfil ideológico dominante, que são independentes ou não-alinhados ao ideário hegemônico, resta resignarem-se com um autêntico exercício de sobrevivência profissional, em um contexto que, não raras vezes, torna-se, até mesmo, hostil.
A contraface deste esquerdismo que sequestrou a Universidade brasileira é a inexistência de setores articulados mais identificados com referências teóricas de direita. Entenda-se por direita, aqui, não o espantalho reacionário que os petistas, ou a esquerda brasileira como um todo, fabricou para justificar sua doutrinação. A direita que importa é aquela dos conservadores e liberais, que defende os valores da democracia republicana, da economia de mercado, da tradição e costumes judaico-cristãos e da liberdade individual. Esta está praticamente extinta na Universidade, muito por culpa de sua própria falta de combatividade e de sua aceitação pacífica do expurgo ideológico a que foi submetida pela esquerda.
Externamente, apenas para fins de propaganda, os esquerdistas que dominam os campi, sustentam que são democratas e que há, na universidade, um fluxo de pensamento livre. Não há. Este fluxo é condicionado pela aceitação, por parte da maioria esmagadora de professores e estudantes, de modo tácito ou explícito, da mentalidade revolucionária marxista ou paramarxista e de sua superioridade moral. Um professor, na área de Humanidades, por exemplo, tem muita dificuldade operacional para expor as ideias políticas de Hume, Burque ou Toqueville, ou a crítica ao socialismo de Mises e Hayeck, num ambiente no qual Marx , Gramsci, Adorno e Dvorkin são praticamente vistos como sublimes.
São imperceptíveis, na Universidade brasileira, os registos do debate e da abertura intelectual. Em seu lugar, há um compadrio doutrinário e a consequência de décadas desta hegemonia esquerdista é aquilo que chamo de espiral da mediocridade. Nas salas de aula e nos encontros de pesquisadores repetem-se à exaustão as fórmulas surradas de pensadores marxistas. Há muito espaço, também, para anarcomarxistas, como Foucault, ou para pós-modernistas como Derrida, além de uma penca de autores de expressão menor que seguem estas linhas. Tudo produzido de maneira repetitiva para consumo da clientela acadêmica. Não há diferença entre formação e doutrinação . A reflexão dá lugar ao automatismo e os modos de expressão, na mesma medida em que a capacidade crítica é substituída por uma adesão do sujeito a uma dogmática já existente, limitam-se a propagar e a produzir cópias caricatas dos modelos que habitam o Olimpo das ideias revolucionárias e desconstrutivistas.
É a este quadro, em linhas gerais, que está reduzida a intelectualidade na Universidade brasileira. É de se reconhecer, no entanto, que está surgindo, devido à degradação política do PT, uma demanda por mais inteligência na sociedade. Esta demanda reflete-se no meio acadêmico, onde a situação confortável da esquerda passou a sofrer alguma contestação, mesmo que ainda incipiente. Uma das defesas do esquerdismo, digamos, corporativo da Universidade, é fazer com que suas práticas e hábitos  permaneçam intransparentes para essa mesma sociedade que a sustenta. A vida intelectual e a burocracia universitárias ainda constituem uma caixa-preta para o cidadão comum. É preciso urgentemente devassá-la

Artigo, Aquillino Dalla Santa Neto, Zero Hora - o Brasil em chamas

Aquillino Dalla Santa Neto: o Brasil em chamas
Professor de Filosofia

Nenhuma situação provocou tanta tensão em toda a história do Brasil quanto os últimos atos criminosos que ameaçam e barbarizam diariamente as capitais do país.

O que realmente nos preocupa está identificado no fato de estarmos vivendo uma situação que, a cada dia, demonstra ser irreversível, fazendo com que toda a sociedade comece a pensar como será daqui para a frente. Hoje, o simples pensamento de não sabermos mais se retornaremos vivos para casa ou se iremos para o necrotério em sacos plásticos faz com que a intranquilidade e o desespero atinjam e liguem todos (independentemente de classe social ou nível cultural), numa luta constante para se manter longe das estatísticas de vítimas de latrocínios e assassinatos.

Identificar os motivos em uma breve análise do porquê de estarmos vivendo um estado de sítio num país democrático e em pleno século 21 poderia ser inútil aos olhos de quem sofre as consequências na pele e não tem tempo para refletir a respeito.

No entanto, ignorar as causas, devido à omissão das autoridades competentes nos últimos 30 anos, as quais deveriam ter oferecido e garantido uma realidade com mais dignidade e segurança, condizente com o orçamento de uma nação do porte demográfico, geográfico e econômico do Brasil, poderia ser tão irresponsável quanto foram os últimos governos, que deliberadamente fecharam os olhos para a segurança pública, ignorando e subestimando o que poderia acontecer se não fosse investido o mínimo de recursos para que tal situação chegasse a este ponto.

Se nos voltarmos para o que está acontecendo em Vitória, com o Exército nas ruas com a missão de impedir saques e assassinatos à luz do dia, podemos até imaginar que somos meros figurantes de algum dos filmes de ficção do diretor John Carpenter, que retratam de forma surreal uma fase da existência humana em que o ser humano tinha que matar para sobreviver em um mundo sem valores, sem regras e sem ética, onde reinava apenas a corrupção e a selvageria.


Infelizmente, Porto Alegre e o Rio de Janeiro estão próximos da realidade de Vitória, mas os governos estaduais insistem em dispensar a presença dos militares para manter e garantir a ordem e a segurança, com a desculpa de que não há necessidade para tanto. Ora, é óbvio que, enquanto não houver tropas nas ruas, já que não há policiamento, o estímulo para assaltos será cada vez maior, tornando os criminosos ainda mais audaciosos e violento