Lula e Dilma boicotaram a Petrobrás para Braskem comprar a Ipiranga

Maior negócio realizado no país até então, a venda do grupo gaúcho Ipiranga em 2007 passou por acertos de bastidores que incluíram compromissos assumidos pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silv. porDiçlma Roussef, na época ministra de Minas e Energia, també,m presidente do Comnselho de Administração da Petrobrás,e pelo ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci,  com a Odebrecht. Desde antes da eleição de 2002 haveria a garantia de que um futuro governo do PT não impediria a privatização e a concentração da petroquímica no país.

Relatos sobre esse episódio estão nos depoimentos do empresário Emílio Odebrecht e do ex-diretor de relações de institucionais da empresa Alexandrino de Alencar a procuradores da Lava-Jat, ambos apresentadosontem a noite pelo Jornal Nacional.

A intervenção de Lula no caso do RS foi em 2005, quando o então presidente teria agido para que a Petrobras, por meio do seu braço no segmento, a Petroquisa, não comprasse a Ipiranga Petroquímica (IPQ) – um dos negócios do grupo gaúcho, que também tinha postos de combustíveis e uma pequena refinaria.

A Braskem tinha unidades no polo petroquímico de Triunfo, assim como a IPQ, e as duas, com a Petroquisa, eram sócias na Copesul, central de matérias-primas do complexo. Se a Petroquisa adquirisse a IPQ, também controlaria a operação mais importante do polo.

– Ficaríamos capengas na Copesul e isolados em Camaçari (sede do polo petroquímico baiano). Do ponto de vista de estratégia de negócios e logística, seria um desastre – diz Emílio em um dos vídeos gravados com sua delação.

O empresário conta que esteve com Lula "para alertá-lo dessas manobras e a Petrobras acabou por não adquirir a Ipiranga, o que permitiu, em 2007, à Braskem, adquirir os ativos petroquímicos do grupo Ipiranga", narra em um dos anexos de seus depoimentos.

Alexandrino de Alencar faz relato mais incisivo. O executivo não situa a data, mas afirma que "antes do primeiro mandato de Lula" se encontrou com o então candidato e Antonio Palocci no apartamento de Pedro Novis, em São Paulo. Emílio também estaria presente.

"Na oportunidade, deixamos claro ao candidato Lula que o setor petroquímico era prioritário para a Odebrecht, considerada 'a joia da coroa' para o grupo", relatou Alexandrino.

Alexandrino lembra o episódio da Ipiranga. Relata que, em 2006, a Odebrecht usou sua influência para barrar os planos da Petrobras. "A solução encontrada pela companhia foi incluir o assunto na pauta das reuniões com o presidente Lula e Antonio Palocci, para que nos auxiliassem a convencer a Petrobras a adquirir a Ipiranga em parceria conosco e com o grupo Ultra, o que efetivamente ocorreu a partir de 2007", diz um dos anexos do depoimento do executivo com forte atuação no Estado.


No mesmo ponto, Alexandrino prossegue afirmando que, como contrapartida ao apoio de Lula e Palocci, afirma ter conhecimento "de relevantes doações em 2002 e 2006 a Palocci". Em 2006, lembra Alexandrino, foram US$ 650 mil à campanha do ex-ministro, afirmando terem sido feitos provavelmente por caixa 2 por serem valores bem acima do que a Odebrecht costumava contribuir para candidatos a deputado federal.

Artigo,Adão Paiani -Pelego !

PELEGO!
Adão Paiani*
Nasci e fui criado numa família trabalhista; com foto de Getúlio em lugar de destaque na sala, e outras de Jango e Brizola espalhadas pela casa. E sempre soube que “pelego” era a pior coisa que se podia dizer de alguém. Quase tão ruim como “dedo duro” ou “alcagüete”, que é praticamente a mesma coisa.
Minha avó de adoção, uma negra de origem yorubá, gostava de política. E me ensinou a gostar também, a ter opinião própria e não ter medo, desde que me conheci por gente. Minha mãe não gostava. Depois do que havia acontecido com meu pai, dizia que tinha de criar um filho sozinha, e não podia se “meter a besta”.
Como tinha que ser, estudava numa escola pública. Um colégio mantido pela Brigada, que é como se chama a Policia Militar no RS. Uma vez, lá por 72/73, tinha meus 8/9 anos, na “Semana da Brigada Militar”, houve um concurso de desenhos. Os alunos tinham que desenhar o trabalho dos “brigadianos”. As crianças desenharam o que se esperava: um policial prendendo um bandido, outro ajudando uma velhinha a atravessar a rua, ou controlando o trânsito. Mas quem disse que eu era normal?
Desenhei várias pessoas de punhos erguidos e levando faixas onde se lia “Anistia para Leonel Brizola”, e os brigadianos batendo. A mãe foi chamada na escola. Queriam saber de onde eu tinha tirado aquilo. Nunca esqueci a expressão de temor e constrangimento dela, ao me levar pela mão, em silêncio, de volta pra casa naquele dia. Devia pensar “É bem filho do pai dele mesmo!”.
Fiz esse longo preâmbulo para chegar ao que interessa. Já no final dos anos ‘70, ouvia falar que o tal de “Lula” era uma cria dos milicos – mais precisamente de um tal General Golbery - para tirar espaço do verdadeiro líder da oposição ao regime militar, que era Leonel de Moura Brizola.
A história me perseguiu por vários anos, sempre com detalhes mais ou menos sórdidos, até que em finais dos anos ‘90 escutei a mesma coisa, com detalhes muito precisos, de uma fonte insuspeita: meu amigo Jair Krischke, o mito, advogado defensor dos direitos humanos no Brasil e na América Latina durante os “anos de chumbo”. Um homem que jamais poderia ser acusado de pertencer à direita.
Jair contava a história com detalhes e convicção de quem tinha conhecimento dos fatos. O PT nunca o perdoou por falar essa e outras verdades, apesar dele haver livrado muitos de seus dirigentes históricos da cadeia durante a repressão.
A informação de que Lula esteve na “folha de pagamento” da Odebrecht por pelo menos 37 anos, vendendo o controle de greves ao patriarca da empreiteira, Norberto, a exemplo do que já fazia com as montadoras de veículos quando no controle do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, agora se vê, é compatível com sua trajetória, e tudo que já se falava dele dentro da própria esquerda e do movimento sindical.
O ladrão de hoje sempre existiu. E já estava lá, naqueles primeiros anos, escondido atrás do sindicalista arrivista, vulgar, amante da boa vida, e pelego.
Demorei 40 anos para ter a convicção de chamar Lula daquilo que ele sempre foi: pelego. Tempo demais. Era só ter olhado com atenção, à época, as fotos de sua prisão pelo DOPS, Elas falam por si mesmas. O grande “líder sindical” e “defensor” da classe trabalhadora, na verdade nunca passou de um reles, abjeto e desprezível pelego. Nada mais do que isso. Pelego!


*Adão Paiani é advogado em Brasília/DF.

Patriarca da Odebrecht relata reunião com Lula sobre reformas em sítio de Atibaia

O patriarca da maior construtora do país, Emílio Odebrecht, afirmou, em sua delação premiada da Lava Jato, que teve uma reunião com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, para confirmar que as obras do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), ficariam prontas em um mês. Era final de 2010, término do segundo mandato. Os delatores revelaram que executaram uma reforma de R$ 1 milhão na propriedade a pedido da ex-primeira dama Marisa Letícia.
Emílio contou aos procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato que, no encontro, o petista não teria ficado surpreso com a informação. “Eu disse: olhe, chefe, o senhor vai ter uma surpresa e vamos garantir o prazo que nós tínhamos dados no problema lá do sítio”. Anotações e e-mails foram entregues pelo delator, como forma de comprovar a reunião. A Lava Jato sustenta que o sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, é patrimônio oculto do ex-presidente Lula, registrado em nome de dois sócios de seus filhos. Lula nega.
Segundo o depoimento de Alexandrino Alencar, que seria a ponte entre Emílio e Lula, a ex-primeira dama teria pedido, durante um evento de celebração do aniversário de Lula, em 2010, que a construtora ajudasse a terminar as reformas. O executivo teria informado Emílio sobre a solicitação. “Alexandrino me avisou do pedido de Dona Marisa e me disse para não comentar nada com o ex-presidente, pois Dona Marisa havia informado que o sítio era uma surpresa”, apontou.
“Pedi a Alexandrino que conversasse com algum empresário nosso para identificar um engenheiro da Odebrecht que pudesse coordenar as obras, mas que nossa participação não fosse revelada, para evitar qualquer constrangimento, e assim foi feito”, garantiu. Emílio Odebrecht ainda relatou que, da "parte dele", o segredo foi mantido "até o final do mandato do ex-presidente", quando houve a reunião no Planalto.
O valor final da obra, de acordo com as delações da empreiteira, foi de R$ 1 milhão. Os executivos revelaram ainda ter combinado a emissão de notas frias com o advogado de Lula, Roberto Teixeira, em nome de Fernando Bittar, para que a defesa pudesse argumentar que o imóvel não é do ex-presidente e que as reformas foram bancadas por Fernando.

Delator diz que ajudou advogado de Lula a ocultar que Odebrecht executou reforma de sítio em Atibaia

Delator diz que ajudou advogado de Lula a ocultar que Odebrecht executou reforma de sítio em Atibaia

Delator diz que comprou cofre para guardar dinheiro da obra na propriedade frequentada pela família de Lula; Instituto Lula afirmou que "o sítio não é de propriedade do ex-presidente".

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Por Fabiano Costa, G1, Brasília

Delator diz que cuidava de reformas no sítio em Atibaia e confirma que seria para Lula
Responsável pela obra do sítio de Atibaia (SP) frequentado pela família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o engenheiro civil Emyr Costa contou à Procuradoria Geral da República (PGR) que ajudou a elaborar um contrato falso para esconder que a Odebrecht havia executado a reforma da propriedade rural. Costa relatou ainda que comprou um cofre para guardar R$ 500 mil repassados, em espécie, pela empreiteira para executar a obra (veja no vídeo acima a partir do minuto 12).
O sítio está registrado em nome dos empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar, sócios do filho do ex-presidente, Fábio Luis Lula da Silva. No entanto, os investigadores da Lava Jato dizem que há indícios de que a propriedade pertenceria ao ex-presidente da República e de que a escritura apenas oculta o nome do verdadeiro dono.
Em janeiro, a Polícia Federal pediu ao Ministério Público Federal para prorrogar o prazo de encerramento do inquérito que investiga o caso.
O Instituto Lula afirmou que "o sítio não é de propriedade do ex-presidente". "Seus donos já provaram tanto a propriedade quanto a origem lícita dos recursos que utilizaram na compra do sítio", diz a nota.
Segundo Costa – que atuava como engenheiro da Odebrecht Ambiental –, ele usou o dinheiro para pagar, semanalmente, a equipe de engenheiros e operários e os materiais de construção da reforma do sítio.
Emyr Costa contou detalhes da obra em depoimento de delação premiada com o Ministério Público. Ele é um dos 78 executivos e ex-dirigentes da empreiteira que fizeram acordo com a PGR para relatar irregularidades cometidas pela construtora em troca de eventual redução de pena.
Em um dos trechos do depoimento de 32 minutos à PGR, o engenheiro explicou aos procuradores como auxiliou o advogado Roberto Teixeira – amigo do ex-presidente – e o ex-dirigente da Odebrecht Alexandrino Alencar a redigir um contrato falso para maquiar o envolvimento da construtora na reforma do sítio.
Conforme o delator, na reunião com Teixeira e Alexandrino, ele informou que as despesas da obra seriam pagas em dinheiro vivo e que seria subcontratada uma empreiteira menor para executar o serviço.
Em meio à conversa, destacou Costa, Roberto Teixeira sugeriu que o engenheiro procurasse o empreiteiro para elaborar um contrato de prestação de serviços em nome do proprietário que aparece na escritura do imóvel, Fernando Bittar.
Diante da proposta do advogado, contou o delator, ele próprio sugeriu que fosse colocado no contrato um valor inferior aos R$ 700 mil que foram gastos na obra. Emyr Costa explicou que decidiram definir que a reforma havia custado R$ 150 mil para que ficasse compatível com a renda de Bitta.
"Eu fui lá para que não aparecesse que foi feito pela Odebrecht em benefício de Lula. Vai lá e faz um contrato entre Bittar e Carlos Rodrigo do Brato, que tem uma construtora e, nesse mesmo objeto, eu declarei: sauna, coloca um valor até mais baixo para ser compatível com a renda do Bittar", observou Costa.
"A gente colocou mais baixo que os 700 mil [reais]. Colocamos 150 mil e eu fiz o contrato pessoalmente, marquei uma reunião, levei o contrato, pedi para ele assinar e emitir uma nota no valor do contrato. Ele me devolveu e eu e eu voltei um dia antes para o senhor Roberto Teixeira eu fui sozinho e me registrei novamente na portaria", complementou.
Delator diz que cuidava de reformas no sítio em Atibaia e confirma que seria para Lula
Cofre
Emyr Costa afirmou que foi destacado para coordenar a obra do sítio no final de 2010 em uma conversa com o executivo Carlos Paschoal, responsável pelas operações da Odebrecht em São Paulo. Segundo o engenheiro, à época ele comandava os projetos de saneamento da construtora entre São Paulo e São Caetano do Sul, município do Grande ABC.
Ele explicou à PGR que a Odebrecht entregou a ele R$ 500 mil em espécie para que ele administrasse a reforma do sítio. O delator disse aos procuradores que nunca tinha visto tanto dinheiro vivo.
A cifra elevada fez com que ele decidisse comprar um cofre para guardar o dinheiro. Costa destacou que, todas as semanas, sacava R$ 100 mil do cofre para entregar à empresa subcontratada para fazer a reforma.
“Eu peguei toda informação e mostrei para Carlos Paschoal e disse que era necessário 500 mil [reais]. Ele me autorizou a começar o trabalho e disse que ia entregar o dinheiro através dessa equipe de operações estruturadas. Ele pediu para ligar para a senhora Maria Lúcia Soares. Eu nunca tinha feito uma obra dessa natureza e comprei um cofre. Semanalmente, eu entregava R$ 100 mil. Eu recebi esse dinheiro em espécie”, contou o delator.
"[Paschoal] me disse que era para eu destacar um engenheiro de confiança para mandar até o apartamento do Lula e fosse até o sitio de Atibaia fazer umas reformas. Essa reunião foi na construtora", disse Emyr Costa aos procuradores, ressaltando que ouviu de seu chefe que a propriedade também era utilizada por Lula.
Reforma
O engenheiro contou no depoimento que a reforma do sítio de Atibaia incluiu a construção de uma casa para os seguranças da Presidência da República que atuavam na equipe de Lula, suítes na casa principal, duas áreas de depósitos para adega e quarto de empregada, sauna, conserto de vazamento da piscina e conclusão de um campo de futebol.
Dono da Odebrecht, o empresário Emilio Odebrecht afirmou em depoimento, no acordo de delação premiada, que a reforma do sítio de Atibaia custou à construtora cerca de R$ 700 mil (veja no vídeo abaixo, a partir do minuto 7).
Petição 6780 - Emilio Odebrecht - Lula e Paulo Okamotto - vídeo 2
Emílio afirmou, ainda, que a propriedade sempre foi tratada dentro da empresa como se pertencesse ao ex-presidente da República. Segundo o empresário, foi a ex-primeira-dama Marisa Letícia quem pediu ajuda para concluir as obras, que já estavam em andamento no sítio.
O pedido, relata Emílio, foi feito em 2010, no último ano do segundo mandato de Lula na Presidência da República.
No ano passado, o instituto já havia se pronunciado sobre o sítio, afirmando que o ex-presidente frequenta o local desde que encerrou o mandato (em 2011); que o sítio pertence a "amigos da família"; e que "a tentativa de associá-lo a supostos atos ilícitos tem o objetivo mal disfarçado de macular a imagem do ex-presidente".
Recibos
Em março do ano passado, a Polícia Federal encontrou no apartamento de Lula, em São Bernardo do Campo (SP), documentos referentes a intervenções e reformas no sítio de Atibaia. Na ocasião, os investigadores afirmaram ter encontrado recibos de compras no Depósito Dias Materiais de Construção Ltda em favor do engenheiro Igenes dos Santos Irigaray Neto e cujo local de entrega indica o endereço do sítio Santa Bárbara.
À época, a ex-proprietária do depósito disse que a Odebrecht pagou as compras para a reforma do imóvel. Ela destacou ainda que Irigaray Neto teria sido contratado por meio do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, um dos réus da Lava Jato.
Na mesma operação de busca e apreensão, os policiais localizaram com a família de Lula um documento intitulado “Sítio Atibaia” que, de acordo com a PF, continha “anotações possivelmente referentes a cronograma de obras; desenhos de plantas e projetos”.
Havia ainda um “pedido de capa de piscina” elaborado pela empresa Acqua Summer Piscinas, em Atibaia, em 18 de janeiro de 2011, em nome do servidor da presidência Rogério Aurélio Pimentel, que atua como assessor de Lula. Pimentel comprou o objeto por R$5 50. A encomenda foi entregue no Sítio Santa Bárbara.
Em sua delação premiada, Emyr Costa contou para a Procuradoria Geral da República que viu pela "televisão" que, na operação no apartamento de Lula, a PF havia apreendido vários recibos do sítio frequentado pela família do ex-presidente.
Ele informou aos procuradores que a maioria do material de construção usado na reforma foi comprado em Atibaia. Segundo ele, apenas a sauna instalada na propriedade foi adquirida fora do município.
O engenheiro relatou que, até a equipe da Odebrecht assumir a reforma, quem estava à frente da obra era um grupo de arquitetos contratos por Bumlai.

"Esse arquiteto tinha feito projeto principal, que era das quatro suítes. Isso já estava sendo feito, nosso trabalho foi de conclusão da obra", enfatizou.

Tito Guarniere - A trapalhada da carne fraca

TITO GUARNIERE
​A TRAPALHADA DA CARNE FRACA
Há um mês atrás a Polícia Federal botou em cana quase 30 agentes sanitários e dirigentes de empresas na Operação Carne Fraca. Estariam mancomunados para vender, no mercado interno e no exterior, carne com prazo de validade vencida, contaminada de bactérias, além de usar papelão para encher linguiças e outros embutidos. Foi uma operação espetacular, como manda o figurino atual, feita com ampla cobertura da mídia, causando revolta entre os consumidores e previsível reação dos mercados compradores internacionais.
Não demorou e logo se viu que não era nada daquilo. A Polícia Federal, o Ministério Público e juízes, com sangue nos olhos para combater o mal, porém imprudentes e desatentos, ignorando medida e proporção, haviam transformado irregularidades pontuais em um escândalo de proporções épicas.
Nenhum dos afoitos e descuidados agentes do Estado, provavelmente, conhecia algum caso recente de intoxicação alimentar por causa da carne de gado ou de frango, ainda que fosse por ouvir dizer. Nenhum deles quis saber de que modo foi possível sair por aí vendendo carne podre – cujo cheiro é inconfundível - sem que ninguém tenha notado. E nem de longe cogitaram de como o Brasil poderia ter chegado a posição invejável no mundo, no comércio de proteína animal, sem cumprir o dever de casa, que começa na obediência estrita das normas sanitárias. Nenhum deles parou para pensar. Simplesmente tocaram bala.
As consequências foram desastrosas para os produtores de carne e para o País. Imediatamente, mais de dez países declararam a carne do Brasil sob suspeição, cancelando pedidos, mandando investigar de perto, e ameaçando suspender definitivamente a compra de fornecedores brasileiros.
As empresas do segmento e o governo tiveram que sair às pressas apagando incêndios pelo mundo, tentando diminuir o impacto da denúncia e mostrando o que era a mais simples verdade: a operação carregou nas tintas, exagerou na dose. Tudo indica que a “crise” foi debelada pela pronta intervenção do governo e das empresas. Tudo voltou ao normal, mas não sem antes causar um grave prejuízo às exportações nacionais, sem provocar um susto desnecessário, que poderia ter sido de consequências devastadoras, no instante em que o País tenta a duras penas sair da recessão.
A Operação Carne Fraca desapareceu da mídia. Não se sabe se existe ainda alguém preso. Não se ouve falar nada de quem bolou a malfadada “blitz”, de quem a executou, de que autoridades assinaram os papéis da ação mal ajambrada.
Entre mortos e feridos todos se salvaram, inclusive as autoridades responsáveis pela operação. Não pediram desculpas, não receberam nenhuma advertência pela ação temerária e mal calculada, não tiveram (nem terão) nenhum prejuízo nos seus bons salários e continuarão levando vida normal. Talvez sintam algum remorso na hora de traçar uma picanha suculenta ou uma costela gorda e macia – mas só pelo medo de engordar. Eles – os autores da patacoada – podem saborear carne brasileira à vontade que não lhes causará nenhum mal.

titoguarniere@terra.com.br

Marcelo S. Portugal: Odebrecht e o capitalismo de compadres

Marcelo S. Portugal: Odebrecht e o capitalismo de compadres
Professor titular na UFRGS, Ph.D. em Economia

O capitalismo gerou o maior desenvolvimento já visto na história humana. Desde seu início, o nível de renda da população do planeta Terra cresce aceleradamente. O padrão de vida das pessoas e os indicadores sociais melhoraram mais nos últimos 250 anos do que em toda a história da humanidade até então.

O capitalismo é um sistema de competição. No qual empresas competem no mercado tentando obter lucros ao oferecer bens e serviços que são mais baratos ou melhores que aqueles produzidos pelos seus concorrentes. É a competição, o mercado, os consumidores que determinam quais são as empresas bem-sucedidas. Aquelas que lucram mais e prosperam.

No Brasil tem se intensificado nos últimos anos uma espécie de capitalismo distinto. É o chamado Capitalismo de Compadres ou Capitalismo de Laços ou ou Capitalismo de Estado ou ainda, como chamam os ingleses, Crony Capitalism. Nele, Estado controla e regula muitos setores econômicos, seja diretamente, através de empresas estatais, ou por meio de regulações ou ainda pela concessão de subsídios creditícios ou tributários. No Capitalismo de Compadres, não há uma competição livre entre as empresas. Ao contrário. O Estado cria dificuldades para vender facilidades.

Os vídeos das delações premiadas da Odebrecht são uma aula sobre o funcionamento das entranhas do Capitalismo de Compadres. O empresário "ajuda" o agente político e, em troca, o agente político "ajuda" a empresa. Além do fato jurídico de que essa ajuda é, na verdade, corrupção, há um fato econômico relevante. Embora o Capitalismo de Compadres seja melhor do que o socialismo puro do ponto de vista da geração de progresso para o país, ele não é capaz de tornar o Brasil um país desenvolvido.


Precisamos de uma nova rodada de liberalização comercial, de desregulamentação de mercados, principalmente na área trabalhista, de eliminação dos subsídios creditícios e tributários destinados aos amigos do rei. Como disse Mário Covas nos anos 90, o Brasil precisa de um choque de capitalismo.

Artigo, Ricardo Noblat - Primeiramente, fora Lula !

Primeiramente, fora Lula!, (por RICARDO NOBLAT, em O GLOBO)
Publicado em 16/04/2017 14:05 e atualizado em 17/04/2017 09:51

Lula viveu de obséquios. Vive. O dinheiro não o atrai. A rotina da política, tampouco. O conforto e as facilidades, sim. Terceiriza a missão de obtê-las

Quem foi Marcelo Odebrecht? O mandachuva do país durante o reinado do PT? O chefe de uma sofisticada organização criminosa? Ou o “bobo da corte” afinal preso e forçado a delatar?

E Lula, quem foi? O primeiro operário a chegar ao poder? O maior líder popular da História? Ou o presidente que fez da corrupção uma política de Estado?

Marcelo será esquecido. Luiz Inácio Odebrecht da Silva, jamais.

Em dezembro de 1989, poucos dias após a eleição do presidente Fernando Collor de Melo, o deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP), ex-condestável do novo regime, almoçava no restaurante Piantella, em Brasília, quando entrou a cantora Fafá de Belém, amiga de Lula. “Como vai Lula?”, perguntou Ulysses. Fafá passara ao lado dele o domingo da sua derrota para Collor.

E contou: “Lula ficou muito chateado, mas começamos a beber e a comer, os meninos foram para a piscina e ele acabou relaxando”. Ulysses quis saber: “Tem piscina na casa de Lula?” Fafá explicou: “Tem, mas a casa é de um compadre dele, o advogado Roberto Teixeira”. Ulysses calou-se. Depois comentou com amigos: “O mal de Lula é que ele parece gostar de viver de obséquios”. Na mosca!

Lula viveu de obséquios. Vive. O dinheiro não o atrai. A rotina da política, tampouco. O conforto e as facilidades, sim. Terceiriza a missão de obtê-las.

O poder sempre o fascinou. E para conquistá-lo e mantê-lo, mandou às favas todos os escrúpulos que não tinha.

Os que o cercam em nada se surpreenderam com a figura que emerge das delações dos executivos da Odebrecht.

É um pragmático, oportunista, que se revelou um farsante. Emilio, o patriarca dos Odebrecht, decifrou Lula muito antes de ele subir a rampa do Palácio do Planalto. Conquistou-o com conselhos e dinheiro.

Perdeu nas vezes em que ele foi derrotado. Recuperou o que perdeu e saiu com os bolsos estufados quando Lula e Dilma governaram. Chamava-o de “chefe”. Emílio era o chefe.

Nos oito anos da presidência do ex-operário que detestava macacão e sonhava com gravatas caras, o país conviveu com o Lula que pensava conhecer e, sem o saber, também com Luiz Inácio Odebrecht da Silva, só conhecido por Emílio e alguns poucos.

“Cuide do meu filho”, um dia Lula pediu a Emílio. Que retrucou: “Cuide do meu também”. Emílio cuidou de Fábio. Lula, de Marcelo.

De Lula cuidaram Emílio e Marcelo, reservando-lhe uma montanha de dinheiro em conta especial para satisfazer-lhe todas as vontades. Lula retribuiu com decisões governamentais que fizeram a Odebrecht crescer muito mais do que a Microsoft em certo período.

A Odebrecht pagou a Lula, e Lula pagou a Odebrecht, com a mesma moeda – recursos públicos. Quem perdeu com isso?

A Odebrecht ganhou mais dinheiro à custa de Lula do que ele à custa dela, mas Lula foi mais esperto. Criou seu próprio banco, administrado pela empreiteira. E quando precisava sacar, outros o faziam em seu nome.

Imagina não ter deixado impressões digitais nas negociatas em que se meteu. A polícia já identificou muitas. E outras serão identificadas antes do seu depoimento em Curitiba.

Corrupção mata. Mata sonhos, esperanças, alucinações. Mata o passado, o presente e compromete o futuro. Mata também de morte morrida à falta de saneamento, hospitais, escolas, segurança pública. A impunidade mata tanto ou mais.


 hora e a vez são da Justiça. E ela será julgada pelo que fizer ou deixar de fazer.