As eleições que podem paralisar Trump e abrir caminho para a esquerda radical em 2028

Na terça-feira, os americanos decidem o Congresso. O que está em jogo vai muito além dos próximos dois anos.

Na próxima terça-feira, 3 de novembro, os Estados Unidos renovam as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. São 33 disputas regulares e duas eleições especiais, em Ohio e na Flórida, para as vagas deixadas por JD Vance e Marco Rubio. Ou seja, a Câmara inteira e pouco mais de um terço do Senado.

O ponto de partida é uma maioria republicana estreita. Na Câmara, são 218 republicanos, 214 democratas, um independente (Kevin Kiley, da Califórnia, que deixou o partido, mas continua na bancada republicana) e duas vagas abertas. A maioria exige 218 votos. No Senado, os republicanos têm 53 cadeiras, contra 47 do bloco democrata, que inclui dois independentes. Para virar o Senado, os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras, já que um empate de 50 a 50 é desempatado pelo vice-presidente Vance.

O histórico joga contra quem governa

As eleições de meio de mandato, as chamadas midterms, acontecem a cada quatro anos, dois anos depois da eleição presidencial. E funcionam quase sempre como um plebiscito sobre o presidente. Desde a Segunda Guerra Mundial, o partido que ocupa a Casa Branca perdeu cadeiras na Câmara em praticamente todas as midterms. As exceções foram 1998 e 2002. O próprio Trump sentiu isso em 2018, quando os democratas ganharam 41 cadeiras e retomaram a Câmara.

As pesquisas confirmam a tendência. A média do Silver Bulletin, atualizada em 30 de outubro, aponta vantagem democrata de 8,9 pontos na intenção de voto para o Congresso, ou 9,1 pontos entre os eleitores mais prováveis. A pesquisa Fox News de meados de outubro registrou 54% a 45% para os democratas entre eleitores registrados. O Cook Political Report já fala em até 240 cadeiras democratas na Câmara, e o mercado de previsões Kalshi projeta número semelhante.

Mas há bons motivos para desconfiar dos números. Nas três eleições que tiveram Trump na cédula, as pesquisas erraram, e erraram para o mesmo lado. Em 2020, segundo a própria associação dos pesquisadores americanos (AAPOR), as pesquisas nacionais superestimaram a vantagem de Biden em 3,9 pontos, o maior erro em 40 anos. Nas disputas para o Senado e para os governos estaduais, inflaram os democratas em 6 pontos, em média. Em 2016 e em 2024, o eleitor de Trump também apareceu menos nas pesquisas do que nas urnas. Ou seja, o tamanho de uma eventual derrota republicana ainda é uma incógnita. A medida real só começa a aparecer na terça-feira à noite, com o fechamento das urnas. E, nas disputas mais apertadas, pode demorar mais: a Califórnia leva dias para contar os votos pelo correio, e no Alasca a apuração do voto ranqueado costuma sair semanas depois da eleição.

A Câmara, portanto, é o terreno em que a derrota republicana parece mais provável. A guerra de verdade está no Senado. Pela classificação do Cook, seis cadeiras republicanas estão em situação de empate técnico (Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Ohio e Texas), além da vaga aberta da Carolina do Norte, que já pende para os democratas. Do outro lado, a cadeira democrata mais ameaçada é a de Michigan. No Alasca, aliás, a disputa ganhou nesta semana um ingrediente que diz muito sobre os métodos do adversário: a revelação, pelo New York Times, de que a campanha democrata ajudou a recrutar um segundo "Dan Sullivan" para confundir o eleitor do senador republicano de mesmo nome.

Quem vota e como se vota

Segundo o Pew Research Center, cerca de 250 milhões de cidadãos adultos estão aptos a votar em 2026. É o eleitorado potencial, não o número de registrados: nos Estados Unidos, o registro não é automático e o voto não é obrigatório.

A eleição também não é centralizada. Cada estado define suas regras de registro, voto antecipado, voto pelo correio e equipamento. Na eleição de 2024, a referência consolidada mais recente, cerca de 30% dos eleitores votaram pelo correio, segundo a comissão eleitoral federal (EAC). Mais de dois terços votaram presencialmente, divididos quase meio a meio entre o voto antecipado e o dia da eleição.

E vale uma explicação para o leitor brasileiro: o "voto eletrônico" americano não tem nada a ver com a urna brasileira. O padrão é a cédula de papel, preenchida à mão e lida por scanner. Onde há máquina, ela imprime um registro físico que pode ser auditado. A quase totalidade das jurisdições trabalha com cédula ou comprovante em papel. Quem poderia imaginar que a democracia mais rica do planeta confia no papel...

Por que Trump chega mais fraco

A primeira razão é o bolso. A inflação anual voltou a subir em setembro e chegou a 3,7%, puxada pela energia, que ficou 20,4% mais cara em um ano. A gasolina subiu 34,2% no período. Segundo a AAA, o galão custa em média US$ 4,33, contra US$ 2,98 antes da guerra com o Irã, e o diesel bateu recorde de US$ 6,29 no fim de setembro.

O choque tem duas origens externas. A primeira é a guerra com o Irã e a instabilidade no Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo do mundo. O Brent voltou a tocar US$ 110 em meados de outubro. A segunda é a campanha de drones ucranianos contra refinarias russas, que derrubou o refino da Rússia ao menor nível em mais de duas décadas. Mesmo sob sanções, a Rússia era uma das grandes fornecedoras de diesel do mundo, e hoje proíbe a própria exportação. Quem paga a diferença é o caminhoneiro americano, e com ele toda a cadeia de preços.

Por trás disso há um problema estrutural que nenhum dos dois partidos enfrentou: o déficit. O governo federal fechou o ano fiscal de 2026 com um rombo de cerca de US$ 2 trilhões, segundo o CBO. O descontrole acelerou com a pandemia e nunca mais foi corrigido. Um Estado que gasta muito mais do que arrecada alimenta a inflação, e a inflação que corrói o salário desde 2021 é a mesma que hoje corrói a popularidade do presidente.

O resultado aparece nas pesquisas. Na Fox News, a aprovação de Trump caiu para 36%, a menor já registrada pelo instituto em qualquer dos seus mandatos. Na inflação, a aprovação é de apenas 22%.

A segunda razão é a imigração. Fechar a fronteira e moralizar o caos herdado de Biden, que abriu as portas para todo tipo de ilegal, continua popular. Mas uma parcela relevante do eleitorado acha que o governo pesou a mão na repressão. Em fevereiro, 52% disseram à AP-NORC que Trump "foi longe demais" nas deportações, e 62% disseram o mesmo sobre o envio de agentes federais para as grandes cidades.

A terceira razão é a de sempre: uma imprensa e todo um aparelho de esquerda que atacam Trump 24 horas por dia, sete dias por semana. Não por ignorância, mas por método. A piada corrente nos Estados Unidos é que, se Trump curasse o câncer, a militância de redação daria um jeito de transformar isso em notícia ruim.

Trump chega mais fraco do que em 2024. Não tanto quanto a imprensa diz, mas mais fraco.

O que muda se os democratas vencerem

Uma derrota nas duas Casas seria muito negativa para o governo. Com a Câmara, a oposição controla o orçamento, as comissões de investigação e o ritmo de tudo o que precisa de aprovação legislativa. Com o Senado, controla as confirmações: ministros, embaixadores, juízes federais e, sobretudo, qualquer eventual vaga na Suprema Corte.

Uma ressalva importante: os democratas não poderiam impor sua agenda nos próximos dois anos. Trump mantém o poder de veto, e derrubá-lo exige dois terços das duas Casas. O que está em jogo em 2026 é a paralisia do governo Trump. O que está em jogo em 2028 é outra coisa.

O partido que a esquerda radical está tomando

Porque o Partido Democrata de 2026 não é mais o de Bill Clinton. Está sendo tomado por dentro por figuras ligadas aos Democratic Socialists of America, o DSA, um movimento abertamente socialista que cresceu à sombra de Bernie Sanders e de Alexandria Ocasio-Cortez.

O símbolo dessa transformação é Zohran Mamdani, prefeito de Nova York desde janeiro. Ele chegou ao cargo prometendo uma sobretaxa sobre quem ganha mais de US$ 1 milhão, aumento do imposto sobre empresas, congelamento de aluguéis, ônibus de graça e supermercados municipais. O imposto sobre milionários foi barrado pela governadora Kathy Hochul, que é democrata. Mas o congelamento de aluguéis passou: em junho, um conselho em que Mamdani nomeou seis dos nove integrantes congelou os aluguéis de cerca de um milhão de apartamentos. E a prefeitura já reservou US$ 70 milhões para os supermercados estatais. Controle de preços, mais impostos e mais gasto público: a velha receita, agora no coração financeiro do capitalismo mundial.

E as ambições do DSA vão muito além de Nova York. A plataforma lançada pelo movimento em julho propõe abolir o Senado e substituí-lo por uma legislatura única, e extinguir a Suprema Corte, trocandoa por um Judiciário "subordinado ao Congresso". Até Bernie Sanders, quando perguntado se apoiava a ideia, respondeu apenas: "Não".

Na ala mais tradicional do partido, a agenda é menos espalhafatosa, mas aponta na mesma direção. A primeira proposta é o fim do filibuster, a regra que exige 60 dos 100 votos do Senado para encerrar o debate e levar a voto a maioria dos projetos de lei. É a trava que obriga a maioria a negociar com a minoria. A segunda é transformar Washington, D.C., hoje um distrito federal, e Porto Rico, hoje um território, em estados, o que criaria quatro novas cadeiras no Senado, quase certamente democratas. A Câmara democrata já aprovou a criação do estado de D.C. em 2020 e em 2021. A terceira é aumentar o número de juízes da Suprema Corte para desfazer a maioria conservadora. Somadas, as três mudanças dariam a uma maioria simples o poder de reescrever as regras do jogo sem depender de ninguém.

O DSA ainda não manda no partido. Um levantamento da Brookings mostrou que seus candidatos a cargos estaduais e ao Congresso venceram menos da metade das primárias de 2026. Mas venceram onde importa. Em Nova York, Darializa Avila Chevalier derrubou o deputado democrata Adriano Espaillat na primária. Em Michigan, o candidato democrata ao Senado é Abdul El-Sayed, um nome da ala de Sanders, numa disputa considerada empatada.

Há ainda um componente que a militância de redação prefere ignorar: a aliança entre a esquerda radical e o fundamentalismo islâmico, a mesma que se vê no mundo inteiro. Em 2025, no segundo aniversário do 7 de outubro, o Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou Mamdani de agir como "porta-voz da propaganda do Hamas". Neste ano, já prefeito da cidade com a maior população judaica fora de Israel, ele repetiu a fórmula: chamou o massacre de "crime de guerra horrível" e dedicou o restante da declaração a acusar Israel de "genocídio". Questionado, recusou-se a mudar uma vírgula.

Em Michigan, o problema tem nome e sobrenome. Abdul El-Sayed, o candidato democrata ao Senado numa disputa empatada, passou as últimas semanas tentando se explicar sobre suas ligações com a Irmandade Muçulmana, a matriz do islamismo político e do próprio Hamas, que nasceu como seu braço palestino. A Irmandade é um grupo terrorista. Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes a classificam assim há mais de uma década. Em janeiro, o governo americano designou como terroristas os braços egípcio, jordaniano e libanês, este último incluído na lista de organizações terroristas estrangeiras do Departamento de Estado. Os braços egípcio e jordaniano foram enquadrados, segundo Washington, por dar apoio material ao Hamas. Segundo o Washington Free Beacon, o pai dele, o imã Mohammed El-Sayed, integra o conselho da Life for Relief and Development. A entidade pagou US$ 780 mil em acordo com o Tesouro americano por ter enviado dinheiro ao Iraque de Saddam Hussein, sob sanções, e teve o escritório revistado pelo FBI em 2006. Seu diretor-executivo aparece numa lista de líderes da Irmandade nos Estados Unidos, anexada pela Promotoria federal ao processo da Holy Land Foundation, o maior caso de financiamento ao terrorismo da história americana. Posts de 2010 da meia-irmã do candidato, resgatados nesta campanha, afirmam que a mãe e a família eram "há muito tempo" ligadas à Irmandade. El-Sayed nega qualquer vínculo e diz repudiar o grupo. Mas, quando a Fox News lhe perguntou, em abril, se o mundo não estaria melhor

sem os radicais que governam o Irã, preferiu dizer que "radicalismo de qualquer tipo é ruim" e emendar um ataque ao "movimento MAGA".

2028 no horizonte

Enquanto Trump estiver na Casa Branca, essa agenda continua contida. Mas a esquerda radical não está mirando em 2026. Está mirando em 2028, na eleição que define quem governa a partir de janeiro de 2029.

E o cenário é revelador. Numa pesquisa da AtlasIntel de maio, Ocasio-Cortez apareceu em primeiro lugar na disputa pela candidatura democrata, com 26%, à frente do governador da Califórnia, Gavin Newsom (21,2%), e de Kamala Harris (12,9%). Nos mercados de previsão, ela também já ultrapassou Newsom.

Vale lembrar que, em 2016, o establishment democrata fechou fileiras em torno de Hillary Clinton justamente para barrar Bernie Sanders. Dez anos depois, a herdeira política de Sanders é quem lidera as pesquisas. O partido que antes continha sua ala socialista agora pode ser liderado por ela.

Elon Musk, o maior doador individual destas midterms, com mais de US$ 440 milhões aplicados para manter o Congresso nas mãos dos republicanos, resumiu o risco nesta sexta-feira. Em posts no X, disse que sua maior preocupação é uma vitória democrata completa: Câmara e Senado agora, Presidência em 2028. E listou o que viria em seguida: transformar D.C. e Porto Rico em estados para garantir a maioria no Senado, legalizar os imigrantes ilegais para garantir uma maioria duradoura e aumentar a Suprema Corte para ter maioria imediata. São as mesmas peças descritas acima, com o acréscimo da anistia, que fabrica milhões de futuros eleitores. O resultado, escreveu, seria "um Estado de partido único permanente e o fim da democracia em qualquer sentido significativo da palavra".

Seria, nas palavras dele, "game over" para os Estados Unidos.

Para Musk, uma única condição impede esse desfecho: 51 senadores republicanos em 2029. E é por isso que o Senado é a disputa decisiva de terça-feira. Os senadores eleitos agora têm mandato de seis anos, até 2033. Ou seja, são eles que estarão sentados no Senado quando o próximo presidente tomar posse. Cada cadeira perdida em 2026 é uma trava a menos contra o partido único em 2029.

Uma vitória democrata na terça-feira não entrega o país ao DSA. Mas paralisa o último governo que hoje se opõe a ele, e dá à esquerda radical dois anos de palanque, comissões e manchetes para chegar a 2028 com o caminho aberto.

O farol

Na terça-feira não se decide apenas o Congresso. Começa a se decidir se o último grande bastião da liberdade no Ocidente continuará de pé.

Os Estados Unidos não são apenas a maior economia do planeta. São a única grande nação fundada sobre uma ideia: a de que os direitos do indivíduo são dados pelo Criador, não concedidos pelo governo. Liberdade de expressão garantida pela Primeira Emenda, propriedade protegida, poder dividido entre instituições que se vigiam mutuamente. É exatamente esse desenho que o DSA quer desmontar, a começar pelo Senado e pela Suprema Corte que Madison ajudou a criar.

Para o resto do mundo, isso não é detalhe. No Reino Unido, gente é presa por post. No Brasil, o Supremo censura, persegue e prende opositores, e a pressão mais concreta contra esse regime veio de Washington. Por toda parte, quando a censura avança, é para os Estados Unidos que os perseguidos olham. Milhões de pessoas, entre elas muitos brasileiros, encontraram ali a liberdade que perderam em casa.

Se a esquerda radical tomar o país que serve de farol, ela não apaga apenas o futuro dos americanos.

Apaga a última luz para todos os que vivem sob regimes que já se renderam.

E, se o farol se apagar, não haverá outro lugar para onde correr.


Memória - Artigo, Everardo Maciel

Everardo Maciel foi Secretário da Receita Federal de 1995 a 2002, um dos principais cérebros por trás da estabilização da economia brasileira a partir do Plano Real.

Ontem [18/10/26], no debate da Band, o Presidente Lula disse que criou o Simples e que recebeu um país "quebrado" do governo FHC. O Presidente FHC, sempre gentil com Lula, não tem condições de refutar essas afirmativas. Faço-o eu, por conta própria.

O Simples foi instituído pela Lei nº 9.317, de 05.12.1996, no governo FHC, em virtude de projeto de lei de conversão da MP nº 1.526, de 05.11.1996, aprovado por votação simbólica em ambas as Casas do Congresso.

Não costumo reivindicar autoria. Vou abrir uma exceção. Fui eu, com a colaboração de quadros qualificados da Receita, o responsável tanto pela concepção do regime quanto por sua denominação.

O sucesso do regime federal inspirou os Estados na criação de regimes análogos, como o Simples Paulista, Simples Candango etc.

Quando Lula já era presidente, foi sancionada a Lei Complementar nº 123, de 14.12.2006, que estendeu o bem-sucedido regime federal para os Estados que ainda não tinham adotado o regime e para os Municípios, unificando-os. Essa extensão era o reconhecimento do êxito do programa criado no governo FHC.

Fui o coordenador da transição na área econômica do governo FHC para o de Lula, ressalvado o Banco Central. Houve um claro reconhecimento do equilíbrio das contas públicas pela equipe de transição do novo governo. A turbulência de 2002 foi em boa parte reação dos mercados à perspectiva da eleição, e o próprio candidato Lula se comprometeu, na Carta ao Povo Brasileiro, a manter a política fiscal herdada.

A preservação dessa política fiscal, aliada a um contexto internacional favorável, explica em boa parte o bom desempenho fiscal do primeiro governo Lula.

Entendo como legítimo o empenho de Lula para se reeleger. Porém, precisa mesmo ofender o legado de quem não pode refutá-lo? Ou apropriar-se de ideia que não é sua? É possível que ele não saiba, também, quem criou o Simples e qual foi o legado fiscal do governo FHC.

"Quieta, non movere" é um conhecido provérbio latino. Traduzindo em bom português: não mexa com quem está quieto.




Flávio contesta o resultado: “foram vários gols de mão”.

Por: Roni Marques Corrêa


É preciso ler nas entrelinhas a live de Flávio Bolsonaro. Ele mostra por que é, hoje, o líder da oposição — o único líder — e deixa claro que, para se tornar líder de um povo, é preciso ter liberdade para se expressar. Ele foi para os EUA para ter essa liberdade.


Na transmissão, afirma: “Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil.” E completa: “Aqui de fora eu vou conseguir manifestar com um pouquinho mais de liberdade o pensamento de muita gente.” Relata que o pai, na última visita, olhou-o com os olhos marejados e perguntou: “Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né?” Flávio respondeu: “Pai, já sei. Tô preparado, vou enfrentar. Agora sei o que eu tenho que fazer.” Ora, isto é cristalino: vai lutar de fora e exercer a liderança de lá. Fica evidente que Jair Bolsonaro, que já havia dito em carta que Flávio falava por ele, reafirmou essa posição e está plenamente de acordo com o caminho de Flávio, e o endossou como o líder da oposição , pois na posição de preso está refém do sistema, o que Flávio  ka fora poderáfaksr apontar o caminho  que ele não pode.

O jogo de intrigas e a tentativa de colocar outro porta-voz não prosperarão. Falarão por ele os filhos — notadamente Flávio, com os quase 60 milhões de votos que ele próprio cita como força e legitimidade. Flávio é, sim, hoje o único líder da direita no Brasil, e os que divergem fazem o jogo do sistema.


Flávio, já na carta aberta direto dos EUAe agora na live, exerce liderança ao indicar que Rogério Marinho é o candidato à presidência do Senado: “A nossa trincheira neste momento será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal. E a pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho.” A indicação é firme: não é para negociar. E aí vem a frase-chave: as tentativas de negociação, usando a liberdade do presidente Bolsonaro como “moeda de troca”, são “nojentas”.

Fica nítido que Jair Bolsonaro manteve Flávio na liderança por estar fragilizado e sendo pressionado pelo sistema, chantageado como uma moeda de troca. Ao ungir Flávio para ser o líder e falar dos EUA, longe do alcance do sistema,o poder dos chantageadores diminui. Flávio e jair sabe que quem está no país está manietado por ministros do STF, com ameaça de processo e cassação e tudo o que já vimos acontecer. Os governadores mais ainda, sob o arbítrio do STF e também do governo de Lula, que usará a chantagem para liberação de recursos como moeda de troca, e a única alternativa  foi Flávio ir lutar do lado de fora do país .


Flávio é direto: “Eu perdi pro sistema, não perdi pro meu adversário.”

“Foram vários gols de mão que o adversário fez e que não foram anulados aí pelo VAR. Jogou completamente fora da legislação eleitoral.” “Muitas coisas são sem explicação nessas eleições, matematicamente impossíveis de terem ocorrido no mundo real, sem que houvesse algum gol de mão.” Deixando claro que contesta todo o processo eleitoral.


Flávio faz denúncia gravíssima e os jornais do mundo inteiro estão repercutindo. Só no Brasil a imprensa tradicional e o sistema fingem normalidade. O mínimo que os responsáveis deveriam fazer era abrir todo o processo e o sistema das urnas e da totalização. Afinal, se está mesmo tudo correto, por que não abrir para o povo poder dirimir todas as dúvidas? Sempre que algo fica escondido, a dúvida torna-se legítima. Veja o caso do sigilo que o Lula colocou e que prometeu abrir e não cumpriu: todos perguntam o que tem no sigilo que Lula quer esconder. Assim é com o processo eleitoral: por que sem transparencia fica  a dúvida de milhares de brasileiros sobre o sistema? A quem interessa? Esta posição reforça a tese dos que acham que houve interferência no processo para beneficiar o Lula, e com isto tira legitimidade.


Em qualquer empresa, sistemas são auditados por agentes externos quando há dúvida. A mensagem do sistema continua sendo: não discordem de que o processo é seguro, ou serão presos. Isso reforça que Flávio agiu certo para ter liberdade de falar o que sabe e pensa sem ser preso. O que já ocorreu no passado aqui .


O mais enigmático foi a afirmação de que voltará a disputar a eleição, mas não em 2030: “Eu não tô falando de 2030 não, eu tô falando de antes disso.” Fica algo fortíssimo no ar. O que ele sabe que não sabemos? Provas do gol de mão? Algo sobre Lula? O quadro está obscuro. Os números não fecham. Flávio deixa claro que falará com mais profundidade em breve. A expectativa do que dirá cresce após a live.


Algumas vozes já tentam negociar com o sistema — como fizeram antes e não deu certo: mídia e políticos carreiristas que querem isolar o bolsonarismo. Lembram do que falavam do Eduardo? Foram derrotados pela estratégia de lançar Flávio. Este grupo não aprendeu com os ridículos índices de Zema e Caiado.


A população percebeu que Jair Bolsonaro e seus filhos são a liderança que não negocia princípios com o sistema. E com isto entrega o comando e a liderança. Podem anotar: quem não aceitar a liderança de Flávio vai se enfraquecer e ficar pelo caminho.

 Na Venezuela ocorreu algo similar, e os que negociaram com o sistema hoje estão esquecidos e sem força alguma. A mensagem do povo foi clara: elegeu os senadores indicados pelo Bolsonaro, e Zema e Caiado tiveram votações irrisórias.

Flávio é a voz de Jair Bolsonaro agora, e nas entrelinhas ele deixa isto claro. Ele próprio teria sido pressionado para acordos e, se não fosse para os EUA, seria preso, e Bolsonaro não tem como comandar da prisão que o sistema o colocou ,para beneficiar Lula.

A mídia tradicional, que depende das verbas do governo Lula, vai diariamente tentar endossar Tarcísio e todos que divergirem de Flávio na direita, como já fez antes até Jair escolher Flávio. Mas só será perda de tempo. Em 2030 ou antes, como ele disse, ninguém irá conseguir superar o bolsonarismo e ir ao segundo turno pelo lado da direita, e quem fizer isto só estará fortalecendo a esquerda.


Flávio indicou e aposta em Rogério Marinho para a presidência do Senado. Se ganhar, ele se fortalece e já causa a primeira derrota nos que pensam em negociar com o sistemae no próprio sistema e abre espaço para afastamento de ministros 

Senhores e senhoras, o jogo continua, e o povo ( até quem votou no Lula) muito rápido sentirá o peso do governo gastador e irresponsável de Lula. Para começar, os combustíveis já foram às alturas, e mais que o jogo político, o bolso é decisivo. O preço nos mercados está pelas insustentavel, e a fome aumentando dia a dia, e o monstro da inflação , já começa  a ser uma posdibilidadeávio Bolsonaro. Ele mostra por que é, hoje, o líder da oposição — o único líder — e deixa claro que, para se tornar líder de um povo, é preciso ter liberdade para se expressar. Ele foi para os EUA para ter essa liberdade.


Na transmissão, afirma: “Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil.” E completa: “Aqui de fora eu vou conseguir manifestar com um pouquinho mais de liberdade o pensamento de muita gente.” Relata que o pai, na última visita, olhou-o com os olhos marejados e perguntou: “Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né?” Flávio respondeu: “Pai, já sei. Tô preparado, vou enfrentar. Agora sei o que eu tenho que fazer.” Ora, isto é cristalino: vai lutar de fora e exercer a liderança de lá. Fica evidente o que Jair Bolsonaro,já havia dito em carta que Flávio falava por ele, e a forna como Flávio se expressou reafirma  essa posição que Jair está  plenamente de acordo com o caminho de Flávio. Por óbvio, nunca admitirá que sabia ou sugeriu; ficará na nossa imaginação, pois está calado como todos os presos políticos no país, e qualquer opinião usam para justificar mais ações violentas contra ele.

O jogo de intrigas e a tentativa de colocar outro porta-voz não prosperarão. Falarão por ele os filhos — notadamente Flávio, com os quase 60 milhões de votos que ele próprio cita como força e legitimidade. Flávio é, sim, hoje o único líder da direita no Brasil, e os que divergem fazem o jogo do sistema.


Flávio, já na carta e agora na live, exerce liderança ao indicar que Rogério Marinho é o candidato à presidência do Senado: “A nossa trincheira neste momento será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal. E a pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho.” A indicação é firme: não é para negociar. E aí vem a frase-chave: as tentativas de negociação, usando a liberdade do presidente Bolsonaro como “moeda de troca”, são “nojentas”.

Fica nítido que Jair Bolsonaro manteve Flávio na liderança por estar fragilizado e sendo pressionado pelo sistema, chantageado como uma moeda de troca. Ao ungir Flávio para ser o líder e falar dos EUA, longe do alcance do sistema,o poder dos chantageadores diminui. Flávio e jair sabe que quem está no país está manietado por ministros do STF, com ameaça de processo e cassação e tudo o que já vimos acontecer. Os governadores mais ainda, sob o arbítrio do STF e também do governo de Lula, que usará a chantagem para liberação de recursos como moeda de troca, e a única alternativa  foi Flávio ir lutar do lado de fora do país .


Flávio é direto: “Eu perdi pro sistema, não perdi pro meu adversário.”

“Foram vários gols de mão que o adversário fez e que não foram anulados aí pelo VAR. Jogou completamente fora da legislação eleitoral.” “Muitas coisas são sem explicação nessas eleições, matematicamente impossíveis de terem ocorrido no mundo real, sem que houvesse algum gol de mão.” Deixando claro que contesta todo o processo eleitoral.


Flávio faz denúncia gravíssima e os jornais do mundo inteiro estão repercutindo. Só no Brasil a imprensa tradicional e o sistema fingem normalidade. O mínimo que os responsáveis deveriam fazer era abrir todo o processo e o sistema das urnas e da totalização. Afinal, se está mesmo tudo correto, por que não abrir para o povo poder dirimir todas as dúvidas? Sempre que algo fica escondido, a dúvida torna-se legítima. Veja o caso do sigilo que o Lula colocou e que prometeu abrir e não cumpriu: todos perguntam o que tem no sigilo que Lula quer esconder. Assim é com o processo eleitoral: por que sem transparencia fica  a dúvida de milhares de brasileiros sobre o sistema? A quem interessa? Esta posição reforça a tese dos que acham que houve interferência no processo para beneficiar o Lula, e com isto tira legitimidade.


Em qualquer empresa, sistemas são auditados por agentes externos quando há dúvida. A mensagem do sistema continua sendo: não discordem de que o processo é seguro, ou serão presos. Isso reforça que Flávio agiu certo para ter liberdade de falar o que sabe e pensa sem ser preso. O que já ocorreu no passado aqui .


O mais enigmático foi a afirmação de que voltará a disputar a eleição, mas não em 2030: “Eu não tô falando de 2030 não, eu tô falando de antes disso.” Fica algo fortíssimo no ar. O que ele sabe que não sabemos? Provas do gol de mão? Algo sobre Lula? O quadro está obscuro. Os números não fecham. Flávio deixa claro que falará com mais profundidade em breve. A expectativa do que dirá cresce após a live.


Algumas vozes já tentam negociar com o sistema — como fizeram antes e não deu certo: mídia e políticos carreiristas que querem isolar o bolsonarismo. Lembram do que falavam do Eduardo? Foram derrotados pela estratégia de lançar Flávio. Este grupo não aprendeu com os ridículos índices de Zema e Caiado.


A população percebeu que Jair Bolsonaro e seus filhos são a liderança que não negocia princípios com o sistema. E com isto entrega o comando e a liderança. Podem anotar: quem não aceitar a liderança de Flávio vai se enfraquecer e ficar pelo caminho.

 Na Venezuela ocorreu algo similar, e os que negociaram com o sistema hoje estão esquecidos e sem força alguma. A mensagem do povo foi clara: elegeu os senadores indicados pelo Bolsonaro, e Zema e Caiado tiveram votações irrisórias.

Flávio é a voz de Jair Bolsonaro agora, e nas entrelinhas ele deixa isto claro. Ele próprio teria sido pressionado para acordos e, se não fosse para os EUA, seria preso, e Bolsonaro não tem como comandar da prisão que o sistema o colocou ,para beneficiar Lula.

A mídia tradicional, que depende das verbas do governo Lula, vai diariamente tentar endossar Tarcísio e todos que divergirem de Flávio na direita, como já fez antes até Jair escolher Flávio. Mas só será perda de tempo. Em 2030 ou antes, como ele disse, ninguém irá conseguir superar o bolsonarismo e ir ao segundo turno pelo lado da direita, e quem fizer isto só estará fortalecendo a esquerda.


Flávio indicou e aposta em Rogério Marinho para a presidência do Senado. Se ganhar, ele se fortalece e já causa a primeira derrota nos que pensam em negociar com o sistemae no próprio sistema e abre espaço para afastamento de ministros 

Senhores e senhoras, o jogo continua, e o povo ( até quem votou no Lula) muito rápido sentirá o peso do governo gastador e irresponsável de Lula. Para começar, os combustíveis já foram às alturas, e mais que o jogo político, o bolso é decisivo. O preço nos mercados está pelas insustentavel, e a fome aumentando dia a dia, e o monstro da inflação , já começa  a ser uma realidade a nos assombrar.

Artigo, especial - Entre as contas e o medo

  Este artigo é do Observatório Brasil Soberano

A eleição terminou, mas os dois maiores problemas da vida dos brasileiros continuam sem solução: a economia e a violência. Lula terá mais quatro anos no Planalto, depois de um mandato em que a dívida pública disparou e o crime organizado ampliou sua presença em atividades legais. Ele conhece esses problemas, conhece a máquina pública e terá de responder pelos resultados de sua própria administração.

Na economia, os números são mais que preocupantes. A dívida bruta chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto, o equivalente a 82,9% do PIB. São mais de 11 pontos percentuais de aumento durante o terceiro mandato de Lula.

O país gastou R$ 1,18 trilhão com juros da dívida nos 12 meses encerrados em agosto. No mesmo período, o déficit nominal chegou a R$ 1,26 trilhão. São números que ajudam a explicar a dificuldade de reduzir os juros e recuperar a confiança de quem investe, produz e emprega.

Durante a campanha, Lula anunciou benefícios sem apresentar um plano detalhado para financiá-los. A Instituição Fiscal Independente do Senado estimou em quase R$ 300 bilhões o impacto das medidas lançadas no período eleitoral, incluindo estímulos de crédito e renúncias fiscais.

A reação do mercado depois da eleição foi imediata: queda da Bolsa, alta do dólar e avanço dos juros futuros. O governo terá de lidar com a desconfiança e apresentar medidas concretas. Afinal, crédito caro compromete investimentos, contratações e o orçamento das famílias.

Nas estatais, os Correios são o exemplo mais evidente. Depois de perder R$ 8,5 bilhões em 2025 e outros R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, a empresa recebeu aval para contratar mais R$ 7 bilhões em empréstimos com garantia do Tesouro. Outros R$ 12 bilhões já haviam sido garantidos em 2025. Se a estatal não pagar, a obrigação será assumida pelo contribuinte. 

Na segurança pública, os números revelam outra realidade alarmante. Pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que 68,7 milhões de brasileiros com mais de 16 anos percebem a presença de facções ou milícias perto de suas casas. São 41,2% da população pesquisada. Nas capitais, o percentual chega a 55,9%.

O crime organizado também se tornou uma potência financeira. A Operação Carbono Oculto identificou R$ 52 bilhões movimentados entre 2020 e 2024 por postos de combustíveis ligados a um esquema investigado por lavagem de dinheiro. A Receita Federal identificou ainda pelo menos 40 fundos de investimento, com patrimônio de R$ 30 bilhões, sob controle da organização investigada.

As facções já atuam muito além do tráfico. Investigações alcançam transportes, combustíveis, empresas e serviços essenciais. Em comunidades do Ceará e do Rio de Janeiro, há denúncias de criminosos cobrando taxas de comerciantes e moradores até pelo fornecimento de água.

Enquanto organizações criminosas ampliam seus negócios, o governo fala em criar um Ministério da Segurança Pública. Uma nova estrutura administrativa não enfrenta, por si só, redes que movimentam bilhões. O país precisa de investigações permanentes, controle de fronteiras, fiscalização financeira e operações capazes de atingir o patrimônio e as lideranças dessas organizações.

Lula dispõe da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e dos instrumentos federais de inteligência e investigação. Precisa explicar como pretende utilizá-los para produzir resultados mais consistentes. Também terá de mostrar de onde sairão os recursos para as novas propostas anunciadas na área.

O problema é que o governo começa outro mandato precisando encontrar dinheiro para suas promessas, controlar uma dívida crescente e enfrentar organizações criminosas que já interferem na economia e na rotina de milhões de pessoas.

Lula não é um presidente que está chegando agora. Governou o país durante três mandatos e terá um quarto pela frente. A experiência que costuma apresentar como credencial também aumenta sua responsabilidade pelos problemas que permanecem.

O brasileiro precisa de emprego, renda, crédito acessível e segurança para viver e trabalhar. Já ouviu promessas suficientes.

A eleição garantiu a Lula mais quatro anos de poder. O país precisa saber quanto tempo ainda terá de esperar por resultados.

Artigo, Augusto Nunes, Revista Oeste - O triunfo da malandragem

Lula fez o diabo para conseguir o quarto mandato

Pela primeira vez desde a Proclamação da República, o advogado de um presidente candidato à reeleição, e por ele premiado com uma vaga no Supremo Tribunal Federal, decidiu monocraticamente adiar por duas horas o encerramento de uma votação nacional. Pior: a decisão de Cristiano Zanin foi anunciada às 17:01, um minuto depois do horário fixado. Pela primeira vez, desde que o Brasil adotou o sistema da eleição em dois turnos, um candidato derrotado no primeiro (por uma diferença de dois milhões de votos), venceu o segundo (com uma vantagem de quase cinco milhões). Estranhamente também pela primeira vez, a taxa de abstenção registrou uma queda de três milhões de eleitores do primeiro para o segundo turno. Pela primeira vez no mundo, um político conseguiu, no curto prazo de três semanas, anexar mais dez milhões de cabeças a seu rebanho de eleitores. Pela primeira vez, nenhum instituto de pesquisas eleitorais registrou qualquer indício da virada de dimensões amazônicas. Dois dias antes de completar 81 anos, Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu, graças à soma desses assombros, mais quatro anos na chefia do governo brasileiro.

Segundo a apuração oficial, Lula obteve neste 25 de outubro, mais de sessenta e quatro milhões de votos. No primeiro turno, estacionou abaixo de 54 milhões, o senador Flávio Bolsonaro, candidato da oposição, não conseguiu chegar a 60 milhões. Em 4 de outubro, ele ultrapassou a marca de 56 milhões. "A gente faz o diabo para ganhar a eleição", confessou Dilma Rousseff, ao vencer Aécio Neves em 2014. Para conquistar o quarto mandato, Lula inspirou-se nessa lição que ensinou à discípula. Transformou de vez o Bolsa Família numa fábrica de dependentes desinformados, fez do buquê de "programas sociais" o maior sistema de compra de votos do planeta e gastou bilhões de reais inexistentes em medidas populistas. Ao longo da campanha, sobretudo nos dois debates na TV, mentiu mais do que nunca.

Além da amputação de plurais e do r final dos infinitivos, os falatórios de Lula em sua última campanha foram perturbados por estranhos curto-circuitos. Na Band, por exemplo, afirmou que nos próximos quatro anos, acabaria com o Brasil. Na Globo, depois de uma pausa, recitou o seguinte: "Imposto, imposto, imposto, se alguém lhe fala todo de todo santo dia imposto, imposto, imposto... porque pra eles...o que pesa pra eles é melhorá a vida do povo." No mesmo debate desconfiou do inimigo: "Eu não sei se o meu adversário fala baixo pra mim não escutá". Em seguida, prometeu combater organizações narcoterroristas com a extinção da polícia e, mais de uma vez, recomendou a Flávio Bolsonaro, à plateia e aos espectadores que fossem "ao Gugo" caso não entendessem alguma coisa. Quem foi ao Google descobriu que Lula mentira ao revelar de que forma conseguiu conhecer o Brasil - percorreu: noventa e um mil quilômetros de ônibus, barco e trem. Tal proeza é impossível. A distância equivale a mais de duas voltas completas ao redor do planeta.

Lula ampliou a manada de cabos eleitorais com a inclusão da imprensa estatizada, dos institutos de pesquisa reduzidos a lojinhas de porcentagens da máquina federal e dos devotos da seita, fora o resto. O ex-advogado Cristiano Zanin, presenteado por Lula com uma vaga no STF, foi o ministro que decidiu adiar o fim da votação para as sete horas da noite. Zanin passou meses afirmando que seu cliente mais ilustre não era corrupto e lavador de dinheiro, ofícios que custaram a Lula a condenação a nove anos de cadeia pelo juiz Sérgio Moro, agora governador eleito do Paraná. O TRF da quarta região aumentou a pena para 12 anos. O Superior Tribunal de Justiça endossou a decisão. Zanin só não mente mais que Lula, que sempre foi essencialmente um assassino da verdade.

Mentindo, abandonou o emprego de torneiro mecânico para virar primeiro secretário do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo e de Diadema. Procurado pela também viúva Marisa Letícia, que queria tratar do caso do marido morto, Lula engavetou a papelada até conseguir seduzi-la. Assumiu o comando da entidade amparado em outra falácia: aquele pernambucano atarracado e barbudo, jamais abandonava companheiros de lutas. Todos foram esquecidos em algum lugar do caminho percorrido pelo operário, que se converteu em político profissional, depois da fundação do Partido dos Trabalhadores, em fevereiro de 1980.

Candidato a governador de São Paulo em 1982 perdeu para Franco Montoro, Reinaldo de Barros e Jânio Quadros, mas conseguiu mais de um milhão de votos e sobretudo aprendeu a tapear plateias. Diante de órfãos de grupelhos que tentaram derrubar a bala a ditadura militar e substituí-la pela ditadura do proletariado, ou estudantes que sem terem lido uma única vírgula de O Capital se apaixonavam pelo líder operário com jeitão de marxista, Lula repetia o refrão da campanha: "Vote 3, porque o resto é burguês". Se houvesse muitos burgueses entre os espectadores, abrandava o falatório: "Não sou de esquerda nem de direita, sou torneiro mecânico".

Até virar presidente de sindicato, Lula jurava querer distância de partidos e ideologias. "Detesto política e quem gosta de política", repetia. Em julho de 1979 entrevistado pela revista Playboy mudou de ideia. Revelou que entre as celebridades que admirava estavam o ditador cubano Fidel Castro, Tiradentes, Gandhi, Che Guevara, Mao Tsé Tung e Adolf Hitler. Diante da expressão intrigada do jornalista, tentou explicar-se: "Não apoio todas as ideias do Hitler, mas ele tinha uma coisa que eu admiro num homem. O fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer". Em 1989, transferiu-se para a banda esquerda: "Sou daqueles que acreditam que o socialismo é o melhor sistema político", informou o candidato à Presidência da República pelo PT.

Com a dissolução do colosso comunista e o fim da Guerra Fria, começou a referir-se a si próprio como se o apelido fosse alguma entidade: "Só o Lula pode dar um jeito no Brasil", por exemplo. Para quem vê as coisas como as coisas são, ficou claro que Lula sempre fora e sempre seria apenas lulista. O mais fanático e passional dos lulistas. Foi assim que o que poderia ter sido um partido virou seita, cujos devotos veem no líder seu único deus. Lula transformou seu altar em palanque ambulante. Derrotado por Fernando Collor na primeira tentativa de instalar-se no Palácio do Planalto, também perdeu para Fernando Henrique os duelos de 1994 e 1998. Concretizou o sonho neste século ao vencer José Serra no pleito de 2002. Reeleito, em 2006, esperaria 12 anos para voltar ao cargo que deixara no fim de 2010.

A partir de janeiro Lula terá de lidar com seu próprio legado. Ele sempre atribuiu a terceiros os problemas que cria ou aumenta. Fernando Henrique Cardoso, que o derrotou duas vezes já no primeiro turno, entregou-lhe em janeiro de 2003 um país com a moeda estável, modernizado pelas privatizações de estatais deficitárias e em pleno desenvolvimento. No dia da posse, Lula despediu-se do antecessor que lhe entregara a faixa com uma mentira carinhosa: "Aqui você sempre terá um amigo". Três meses depois de passagem por Paris em companhia de Lula, o ministro Antônio Palocci telefonou para FHC, que também estava na capital da França: "Em nome do presidente, quero agradecer ao senhor pelo país que recebemos", ouviu o ex-presidente. Ainda em 2003 Lula responsabilizou Fernando Henrique por todos os problemas passados presentes e futuros do Brasil: "Ele me deixou uma herança maldita".

Maldita é a herança com que o presidente reeleito terá de lidar - e enfrentando, pela primeira vez, uma oposição vigorosa, fortalecida pela conquista de 16 governos estaduais e majoritária tanto na Câmara quanto no Senado. Na noite deste domingo, tão logo terminou a apuração, Flávio Bolsonaro avisou que não reconhece o resultado oficial e pedirá a anulação da disputa manchada pela interferência de outro poder. Se é que isso serve de consolo, Flávio escapou da missão de encontrar soluções para um Brasil submerso no poço de areia movediça, escavado pela fusão da crise econômica, da incompetência administrativa, da corrupção endêmica e de um Supremo Tribunal Federal em adiantado estágio de decomposição.


A minuta do golpe na visão de Moraes, comprada sem discussão pela imprensa

 A "minuta do golpe" original refere-se aos documentos reais e rascunhos de decretos investigados pela Polícia Federal, e não a um texto criado por Inteligência Artificial.

O termo ganhou destaque com a apreensão de textos que planejavam decretar Estado de Defesa ou Estado de Sítio para contestar o resultado das eleições de 2022.

As investigações da Polícia Federal apontam a existência de duas versões principais encontradas no mundo físico e digital:


1. Minuta do "Estado de Defesa no TSE" (Encontrada com Anderson Torres)


Esta versão foi apreendida pela Polícia Federal na residência do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres. O rascunho de decreto previa:

• Instauração de Estado de Defesa na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

• Criação de uma "Comissão Regularizadora" para fiscalizar e contestar o resultado das eleições de 2022.

• Afastamento de ministros e quebra de sigilos de magistrados do STF e do TSE.


2. Minuta do "Estado de Sítio e GLO" (Apresentada no Alvorada)


Esta versão detalha o plano apresentado em reuniões no Palácio da Alvorada em dezembro de 2022 para os comandantes das Forças Armadas. Conforme os autos divulgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o trecho central do documento citava:

"Jogando de forma incondicional dentro das quatro linhas, com base em disposições expressas na Constituição Federal de 1988, declaro o Estado de Sítio; e, como ato contínuo, decreto Operação de Garantia da Lei e da Ordem."

O texto contava com "considerandos" (justificativas jurídicas) alegando supostas interferências do Poder Judiciário sobre o Executivo, determinava a prisão de autoridades — como o ministro Alexandre de Moraes — e estipulava a convocação de novas eleições.

Principais pontos da

• Constitucionalização do SUSP: Insere o Sistema Único de Segurança Pública (criado originalmente por lei) na Constituição, aumentando a integração entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

• Novas competências para forças federais:

• A Polícia Federal (PF) ganha atribuição explícita para investigar crimes de organizações criminosas e milícias com atuação interestadual ou internacional.

• A Polícia Rodoviária Federal (PRF) é convertida em Polícia Viária Federal (PVF), expandindo sua atuação para a fiscalização de ferrovias e hidrovias federais, além de poder apoiar outras ações de segurança quando acionada.

• Polícias Municipais: Permite formalmente a criação de guardas municipais com atuação em policiamento ostensivo e comunitário.

• Endurecimento penal: Estabelece penas mais severas, regimes prisionais mais rígidos (como prisão em segurança máxima) e restrições a benefícios para líderes e integrantes de facções criminosas e milícias.

• Fundos de Segurança: Protege e constitucionaliza recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional, proibindo o contingenciamento dessas verbas.