Carlos Eduardo Bellini Borenstein
Cientista Político da Arko Advice Pesquisas
carloseduardo@arkaodvice.com.br
As pesquisas Nexus e Quaest divulgadas hoje (28) mostram um cenário parecido na eleição ao Palácio do Planalto. A distância entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) é de cinco pontos percentuais na menção estimulada de primeiro turno. Nas simulações de segundo turno, Lula e Flávio estão tecnicamente empatados.
Segundo a Nexus, no primeiro turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto contra 37% de Flávio. No segundo turno, o presidente aparece com 46% contra 44% do senador, cenário de empate técnico por conta da margem de erro – dois pontos percentuais para mais ou para menos. Na Quaest, no cenário de primeiro turno, Lula aparece com 39% contra 34% de Flávio. No segundo turno, ambos empatam em 42% das preferências.
Este maior acirramento da eleição tem relação com o impacto das medidas populares anunciadas por Lula, gerando impacto em três segmentos do eleitorado: mulheres; população com renda mensal de até 2 salários mínimos; e beneficiários do programa Bolsa Família.
Segundo a Quaest, entre o eleitorado feminino, o presidente oscilou positivamente dois pontos (44% para 46%) em relação a semana passada. Nesse segmento, Flávio ficou estável (37%). Apesar das variações estarem dentro da margem de erro, vale observar que nos últimos 15 dias, Lula cresceu cinco pontos (41% para 46%) enquanto Flávio oscilou negativamente um ponto (38% para 37%).
No segmento com renda mensal de até dois salários mínimos, a vantagem de Lula para Flávio em relação à última semana cresceu de 22 pontos (52% a 30%) para 26 pontos (55% a 29%).
Entre os beneficiários do programa Bolsa Família, quando comparamos os números em relação a semana passada, a vantagem de Lula sobre Flávio subiu de 26 pontos (56% a 30%) para 32 pontos (59% a 27%).
O avanço de Lula entre as mulheres; população com renda mensal de até 2 salários e beneficiários do programa Bolsa Família podem ser atribuídas a repercussão positiva das seguintes medidas: reajuste de 15% do Bolsa Família (aprovada ou considerada uma ideia por 59% dos entrevistados); restrição às apostas online (62%); e disponibilização na rede SUS de canetas emagrecedoras (58%).
Mesmo lançando mão dessas medidas, a desaprovação de Lula (49%) segue maior que a aprovação (46%). Além disso, a disputa com Flávio permanece em um quadro de empate técnico.
Nesta reta final da campanha, a aproximação entre Lula e Flávio no primeiro turno tende a continuar por dois aspectos:
1) Parte dos eleitores que declaram voto em Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), concentrando de 8 a 10 pontos percentuais, podem optar pelo voto útil em direção à Flávio Bolsonaro nos últimos dias de campanha ao perceberem que seus candidatos não são eleitoralmente viáveis; e
2) A abstenção é mais adversa a Lula, pois nas últimas eleições foi maior entre os segmentos de menor renda e escolaridade
Embora a tendência seja que a eleição presidencial tenha dois turnos, o resultado do primeiro turno terá um grande peso no rumo do segundo turno. Caso Lula termine o primeiro turno contra uma vantagem inferior a 5 pontos percentuais, crescem as possibilidades de Flávio ultrapassá-lo no segundo turno, pois, de acordo com a Quaest, cerca de 70% dos eleitores de candidatos posicionados “fora da polarização” pendem para Flávio no segundo turno.
Em uma disputa com esse grau de acirramento, detalhes podem fazer a diferença. O debate da Rede Globo, marcado para a próxima quinta-feira (01/10), é um deles. Flávio Bolsonaro confirmou que irá participar, desafiando Lula a fazer o mesmo. Por ora, o presidente resiste em comparecer. Esse debate adquiriu a importância do histórico debate de 1989 entre Collor e Lula, vencido por Collor, e também decisivo naquela eleição.
Outra variável importante é a mobilização das campanhas. Em um pleito em que os eleitores estão desmotivados, quem conseguir levar mais eleitores às urnas tende a levar vantagem.
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