Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.
E-mail: releituras21@gmail.com
Se a mentira oficial houvesse sido desmascarada, será que a votação na Bahia teria sido a que foi? O baiano, que, para nós gaúchos, parece mais do que fraterno, um povo muito afetuoso, provavelmente haja caído numa armadilha de marketing, elegendo, para o Senado, dois suspeitos.
E qual foi a grande mentira? Houve muitas, mas talvez a mais descarada haja sido, para ocultar que o "caso Master" foi gestado e parido pelos petistas da Bahia, jogá-lo nas costas do governo anterior. Fato é que Lula, em pessoa, mentiu para a massa desinformada, colocando o escândalo do Master na conta de Jair Bolsonaro. Isso tem que ser desmentido.
Jornais e revistas veiculam informações, nada de narrativas, e mostram a responsabilidade direta dos petistas que governaram a Bahia nas últimas décadas, com destaque para dois nomes: Jaques Wagner e Rui Costa, ambos enrolados com Guga Lima e Daniel Vorcaro, os artífices do golpe do Banco Master. Entre no link e leia matéria detalhada, feita por jornalistas profissionais do Poder360 (volto depois): https://www.poder360.com.br/poder-justica/jaques-wagner-e-rui-costa-favoreceram-negocio-que-enriqueceu-vorcaro/
Viram? É o DNA petista do Master. O Credicesta, que era para servidores do Estado da Bahia comprarem alimentos, graças a Wagner e Costa, virou cartão de empréstimo consignado. E os decretos em favor de Guga Lima?
Agora, Jaques Wagner e Rui Costa são eleitos para o Senado, e, em nome da Bahia, farão um "vale tudo" para impedir que se investigue o maior escândalo financeiro da história. Que há de novo nisso?
Há um padrão de conduta. Em 2013, Dilma Rousseff declarou: "Nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição." Em 2018, Lula falou: "Eles não sabem do que nós seremos capazes de fazer (...).". E em 2018, Dilma Rousseff disse: "A gente fará aliança até com o diabo para combatê-los."
Para a "esquerda" (outros dirão no plural), a política é uma guerra, que ela faz sem declarar. E na guerra, a primeira vítima é a verdade (isso é um clichê, mas muito válido). Não é ilógico, pois, que seja um padrão da esquerda mentir. Mas que narrativa essa gente terá impingido ao povo da Bahia? Agora a grande questão é: caso os baianos tivessem clareza sobre o que aconteceu e o impacto disso em suas vidas, será que votariam em fulanos que se locupletam com a pobreza da Bahia?
Vejam estes números: 19,98% do eleitorado baiano não compareceram para votar; 5,13% votaram em branco; e 4,37% anularam o voto. Ou seja, 29,48% não escolheram ninguém. Mas participaram. Não há dúvida quanto a isso. Só que participaram de modo passivo: são partícipes do resultado
Se esse imenso contingente, bem mais de um quarto do eleitorado, tivesse clareza de que Wagner e Costa estão na raiz do caso Master e percebesse a mentira dos petistas, ficaria indignado e daria um voto de protesto? O único certo é que a passividade é um grande favor a quem joga sujo na política e nela está unicamente por motivos egoístas.
No cenário nacional, não foi muito diferente. A quantidade de eleitores passivos chegou aos incríveis 24,63%.
A grande notícia é que o "vale tudo" de Jaques Wagner, Rui Costa e afins ficou quase impossível, porque o Senado se renovou e terá uma maioria disposta a investigar a roubalheira (fraude do INSS, caso Master etc.) e a pôr limites aos excessos do STF. E vai ficar de todo impossível se o chefão desses dois não se reeleger, zerando a margem para truques.
Se os eleitores passivos do 1º turno tiverem capacidade de indignação e votarem no 2º turno, a faxina poderá avançar.
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