Demanda do consumidor por crédito recua 5,1% em abril, aponta

Procura por crédito caiu em todas as regiões do país em abril

São Paulo, 17 de Maio de 2016 – De acordo com o Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito, a quantidade de pessoas que buscou crédito em abril de 2016 caiu 5,1% em relação ao mês imediatamente anterior (março/16). Em comparação com o mesmo mês do ano passado, a procura por crédito cresceu 7,8%. No acumulado do primeiro quadrimestre do ano, a demanda do consumidor por crédito avançou 2,6% em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado.
De acordo com os economistas da Serasa Experian, a evolução da demanda por crédito pelos consumidores continua exibindo baixo dinamismo devido aos impactos da recessão econômica sobre o nível de emprego, reduzindo a capacidade de pagamento das famílias, pelo grau deprimido da confiança dos consumidores e pelas altas taxas de juros praticadas nas operações de crédito.
Análise por classe de renda pessoal mensal
Na comparação com março/16, a queda na demanda do consumidor por crédito foi de 4,6% para os que ganham até R$ 500 mensais e de 4,9% para os que recebem entre R$ 500 e R$ 1.000 por mês. Os demais recuos foram de: 5,3% para renda entre R$ 1.000 e R$ 2.000; 5,2% para a faixa de R$ 2.000 a R$ 5.000 mensais; 5,1% para os que recebem entre R$ 5.000 e R$ 10.000 por mês; e 4,6% para aqueles que ganham mais de R$ 10.000 mensais.

No acumulado do primeiro quadrimestre de 2016, com exceção da faixa de menor renda (com queda de 2,0%), a busca do consumidor por crédito subiu em todas as demais faixas de renda em relação ao primeiro quadrimestre de 2015: consumidores com renda mensal entre R$ 500 e R$ 1.000 (2,1%); renda mensal entre R$ 1.000 e R$ 2.000 (3,7%); renda mensal entre R$ 2.000 e R$ 5.000 (4,0%); renda mensal entre R$ 5.000 e R$ 10.000 (4,1%) e renda mensal maior que R$ 10.000 (3,5%).
Análise por região
Em abril/16, quando comparado com março/16, houve variações negativas na procura do consumidor por crédito em todas as regiões do país: Norte (-9,8%); Centro-Oeste (-7,6%); Sudeste (-5,4%); Nordeste (-3,8%); Sul (-2,6%).

No acumulado do primeiro quadrimestre de 2016, as demandas dos consumidores por crédito avançaram 4,4% na Região Sul, 4,6% no Sudeste e 2,2% no Centro-Oeste. O maior recuo na demanda dos consumidores por crédito ocorreu no Nordeste: baixa de 4,0% no primeiro quadrimestre de 2016 perante mesmo período do ano passado. Por fim, na região Norte, a queda na demanda dos consumidores por crédito foi de 1,3% no primeiro quadrimestre de 2016.
A série histórica deste indicador está disponível em
http://www.serasaexperian.com.br/release/indicadores/demanda_pf_credito.htm
Metodologia do indicador
O Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito é construído a partir de uma amostra significativa de CPFs, consultados mensalmente na base de dados da Serasa Experian. A quantidade de CPFs consultados, especificamente nas transações que configuram alguma relação creditícia entre os consumidores e instituições do sistema financeiro ou empresas não financeiras, é transformada em número índice (média de 2008 = 100). O indicador é segmentado por região geográfica e por classe de rendimento mensal.
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Serasa Experian
A Serasa Experian é líder na América Latina em serviços de informações para apoio na tomada de decisões das empresas. No Brasil, é sinônimo de solução para todas as etapas do ciclo de negócios, desde a prospecção até a cobrança, oferecendo às organizações as melhores ferramentas. Com profundo conhecimento do mercado brasileiro, conjuga a força e a tradição do nome Serasa com a liderança mundial da Experian. Criada em 1968, uniu-se à Experian Company em 2007. Responde on-line/real-time a 6 milhões de consultas por dia, auxiliando 500 mil clientes diretos e indiretos a tomar a melhor decisão em qualquer etapa de negócio. É a maior Autoridade Certificadora do Brasil, provendo todos os tipos de certificados digitais ICP-Brasil, tornando os negócios mais seguros, ágeis e rentáveis.
Constantemente orientada para soluções inovadoras em informações para crédito, marketing, identidade digital e negócios, a Serasa Experian vem contribuindo para a transformação do mercado de soluções de informação, com a incorporação contínua dos mais avançados recursos de inteligência e tecnologia.
Para mais informações, visite www.serasaexperian.com.br
Experian
A Serasa Experian é parte da Experian, líder mundial em serviços de informação, fornecendo dados e ferramentas de análise a clientes ao redor do mundo. O Grupo auxilia os clientes no gerenciamento do risco de crédito, prevenção a fraudes, direcionamento de campanhas de marketing e na automatização do processo de tomada de decisão. A Experian também apoia pessoas físicas na verificação de seus relatórios e scores de crédito e na proteção a fraudes de identidade. Em 2015, a Experian foi eleita pela revista Forbes como uma das companhias mais inovadoras do mundo.
A Experian plc está registrada na Bolsa de Valores de Londres (EXPN) e compõe o índice FTSE 100. A receita total para o ano fiscal encerrado em 31 de março de 2015 foi de US$ 4,8 bilhões. A empresa emprega cerca de 17.000 pessoas em 37 países e possui sede corporativa em Dublin, na Irlanda e sedes operacionais em Nottingham, no Reino Unido; na Califórnia, Estados Unidos, e em São Paulo, Brasil.


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Atividade econômica recua 0,7% no primeiro trimestre, diz Serasa Experian

Apesar da retração, resultado mostra que recessão perdeu fôlego
São Paulo, 16 de maio de 2016 – O Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica (PIB Mensal) exibiu retração de 0,7% no primeiro trimestre de 2016 frente ao último trimestre do ano passado, já efetuados os devidos ajustes sazonais. Na comparação com o primeiro trimestre de 2015, o recuo na atividade econômica foi de 5,5%.
De acordo com os economistas da Serasa Experian, apesar de ter sido mais uma retração trimestral da economia (a quinta consecutiva), tal resultado sinaliza que a recessão perdeu fôlego no primeiro trimestre de 2016, já que a queda, na margem, foi a menor do que a dos trimestres anteriores: -1,4% no 4T15; -1,7% no 3T15 e -2,1% no 2T15.
Pelo lado da oferta agregada, a atividade agropecuária crescendo 4,6%, foi a principal responsável pelo resultado menos negativo da atividade econômica no primeiro trimestre de 2016. Por outro lado a indústria, recuando 4,3% no primeiro trimestre, aprofundou seu movimento negativo. Queda menor, porém, registrou o setor de serviços neste primeiro trimestre do ano: recuo de 0,4% em relação ao último trimestre do ano passado.
Do ponto de vista da demanda agregada, os investimentos caindo 1,5% e o consumo das famílias recuando 1,3% foram os principais responsáveis pela retração da atividade econômica no primeiro trimestre de 2016. Também o consumo do governo contribuiu para a queda, porém em menor escala: baixa de 0,3% no primeiro trimestre deste ano. Já o setor externo, com exportações avançando 5,9% e importações recuando 2,6% amenizaram a retração da atividade econômica durante o primeiro trimestre de 2016.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2015, a queda de 5,5% da atividade econômica no acumulado do primeiro trimestre de 2016 foi provocada, principalmente, pelas retrações de 12,1% da atividade industrial e de 3,8% do setor de serviços. Pelo lado da demanda, destacam-se a queda de 17,0% dos investimentos e de 6,4% do consumo das famílias. A retração da atividade econômica só não foi maior por causa do setor externo: alta de 12,5% das exportações e recuo de 22,1% das importações.
A série histórica deste indicador está disponível em
http://www.serasaexperian.com.br/release/indicadores/atividade_ecomonica.htm
Metodologia do Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica (PIB Mensal)
Na construção do Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica (PIB Mensal) utilizam-se técnicas estatísticas de desagregação temporal com indicadores (Chow-Lin, Fernandez, Litterman e Santos Silva-Cardoso). Cada subcomponente do PIB Trimestral, sem ajuste sazonal, oriundo do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, foi desagregado, por cada uma das técnicas supramencionadas, utilizando-se séries de alta freqüência (mensais) altamente correlacionadas com a série a ser desagregada. Considerou-se como estimativa final de cada série mensal associada a cada um dos subcomponentes do PIB Trimestral a média aritmética simples dos valores mensais obtidos por cada uma das técnicas distintas de desagregação temporal.
As séries mensais finais dos subcomponentes foram utilizadas como indicadores para a obtenção das séries dos níveis hierárquicos imediatamente superiores, sempre considerando como estimativas finais, em cada etapa, as médias aritméticas dos valores obtidos pelas quatro técnicas de desagregação temporal. Tal procedimento foi conduzido até chegar-se à última desagregação temporal, ou seja, do PIB Trimestral Consolidado, sendo que, para tanto, consideramos como indicadores mensais as séries desagregadas dos componentes da oferta agregada.
Para a obtenção das estimativas mensais das séries do PIB Trimestral com ajuste sazonal, cada componente mensal desagregado nos procedimentos anteriores (sem ajuste sazonal) foram ajustados sazonalmente utilizando-se TRAMO/SEATS constituindo-se, assim, os indicadores mensais a serem utilizados nas técnicas de desagregação temporal das séries, com ajuste sazonal, do PIB Trimestral.
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Glauco Fonsêca - Presidencialismo de coalização: Antes e agora

Os nada saudosos governantes petistas, sempre que eram questionados a respeito de suas ações e obras, elencavam os valores investidos no empreendimento A, os bilhões gastos no projeto B e assim por diante. Ao serem perguntados o que haviam feito, de fato e por exemplo, no campo da saúde, respondiam sempre de pronto “investimos X bilhões na saúde no ano tal, 50% a mais do que o governo anterior”. Era sempre assim: milhões aqui, bilhões acolá. Se alguém perguntasse algo do tipo “OK, mas, de fato, o que está sendo feito com esse enorme orçamento mencionado? ”, ficava invariavelmente com respostas evasivas, quando não agressivas pois, para os petistas, o valor pecuniário era sempre mais importante do que as obras em si. A diferença – ainda que precária – se dava nas campanhas eleitorais, onde apareciam algumas obras que deveriam ilustrar ou desvendar o destino dos recursos. As lacunas de verdade se davam nestes “esclarecimentos” também precários a respeito de obras que até hoje, em grande parte, estão ou inconclusas ou sequer ainda saíram do papel.

Esse método - lidar com os montantes como se bastassem para que as coisas se tornassem reais ou de divulgar valores como se esses fossem fruto da generosidade petista - além de enormemente irresponsável, escondia a estupenda incompetência gerencial petista, bem como sua inapetência para o trabalho efetivo. Os tais bilhões de dólares para a duplicação de uma rodovia era, para eles, o trabalho em si. A rodovia? Ora, quem se importa? O jeito petista de não-fazer e “gargantear”, como se diz aqui no RS é responsável pelo estado a que chegou o país, com obras inacabadas e cofres raspados, com contratos aditados e obras por concluir. A “mecânica” de fazer negócios do petismo encerrava no rápido espaço de tempo entre a entrevista coletiva para anunciar somas enormes de dinheiro público e a propina que chegava a partir do pagamento da primeira parcela de cada obra.

No petismo, época macabra em que foi gestada e parida a mais violenta hecatombe econômica de um país inteiro, o “presidencialismo de coalizão” (expressão criada pelo cientista político Sérgio Abranches em 1988), virou sinônimo de conchavos com dupla intenção: primeiro, atrair partidos para fazerem parte da gestão, a título de mantê-los silentes e fiéis às orientações do governo e, em seguida para, de modo sistêmico, subjuga-los não por conta de metas ou objetivos de gestão do estado, mas para aquietar eventuais diatribes com farto dinheiro público. O grande balão de ensaio do presidencialismo de coalizão à moda petista foi o Mensalão. Logo em seguida, a ampla dispersão de “lotes” da máquina pública para todos os partidos aliados gerou apenas uma enorme e desconexa colcha de retalhos, com zero eficiência e altíssimos custos para o país. O resultado está aí para quem quiser ver.

Agora, no governo Temer, observa-se que vários partidos fazem, novamente, parte da máquina gestora governamental, mas com uma pequena e, ao mesmo tempo, gigantesca diferença: Os partidos aliados terão de “entregar” seu trabalho, terão de planejar, apoiar o plano de governo, terão de FAZER as coisas realmente acontecerem com menos, muito menos recursos do Tesouro. Eis aí o “presidencialismo de coalizão” em seu estado natural e virtuoso, sem o pejorativo acoplado pelo petismo. A diferença com o estilo petista é enorme e notável. Se os partidos aliados não conseguirem, por seus méritos, estabelecer e agregar valor, serão ejetados da coalizão, o que será péssimo para suas imagens e de seus líderes.

Não dá mais para errar: A coalizão terá de ser em nome do Brasil, de metas estruturantes, da solução de problemas enormes sem desperdício, sem corrupção, sem roubalheira.


Não podemos mais nos dar ao luxo de errar, de desperdiçar, de sermos roubados. Não podemos mais nos dar ao luxo de revivermos o petismo. 

Troca de guarda no Banco Central

Quem é e o que pensa Ilan Goldfajn, o mais cotado para assumir o posto de guardião do real

Flavia Galembeck, Istoé Dinheiro

O novo ministro da Fazenda Henrique Meirelles prometeu para a segunda-feira 16 o anúncio do sucessor de Alexandre Tombini no Banco Central. O nome mais provável para assumir o posto de guardião da moeda brasileira é o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, que concorria com Mário Mesquita ao posto. Se nomeado, Goldfajn deve reproduzir no BC a mesma estratégia que o tornou célebre entre seus pares no Itaú Unibanco. Ao ser encarregado, em 2010, da espinhosa tarefa de unificar as tesourarias de três bancos (Itaú, Unibanco e BBA), ele teve de transformar em um coro afinado os discursos, por vezes dissonantes, de 12 economistas que trabalhavam nas três casas, muitos deles com carreiras vistosas - e egos inflados.
Seu plano passou pela reprodução, em parte, de uma estrutura de pesquisa baseada em modelos matemáticos robustos. Esse instrumental teórico era usado para prever e calcular indicadores econômicos, algo que frequentava seu dia a dia como diretor de Política Econômica do BC, onde ele trabalhou entre 2000 e 2003. "Ele tinha uma visão ampla do sistema", comenta uma fonte que acompanhou de perto o trabalho de Goldfajn no Itaú. De fato, o economista é reconhecido pelo notório saber sobre macroeconomia e pela experiência em estratégias para o combate à inflação e condução da política monetária.
Em seu Ph.D, obtido no Massachusetts Institute of Technology (MIT), ele produziu um estudo sobre dívida pública, que foi premiado com o prêmio do "World Economy Lab", da instituição americana. A experiência vem a calhar, já que o endividamento do governo é um dos principais problemas da economia brasileira para o governo Temer resolver. Paralelamente, com o seu estilo de coordenar o trabalho, Goldfajn, que não é o mais simpático nem o mais tirano da turma, embora seja duro quando necessário, foi arrefecendo a vontade dos demais economistas do banco em relação a quem seria o porta-voz da instituição.
Em pouco tempo, ele mesmo assumiu a posição sem que a esperada guerra de egos se concretizasse. "Goldfajn impôs respeito de uma maneira sustentável ", confirma um ex-colega de banco. Tempos depois, ele instituiu uma medida que causou desconforto entre seus colegas. Como ele era muito requisitado para fazer apresentações a clientes, como, por exemplo, do segmento corporativo, ele passou a enviar a fatura das horas trabalhadas da equipe para o centro de custos do setor. "Ele tem uma capacidade de organização acima da média e foi o homem certo na hora certa", avalia o ex-colega.
Suas opiniões sobre o papel do BC na economia e no sistema financeiro estão em linha com o pensamento econômico ortodoxo. Ao ser chamado a opinar na Comissão de Assuntos Econômicos no Senado, em 2013, Goldfajn defendeu maior transparência na condução da política fiscal. Na ocasião, ele afirmou ser a favor da independência do BC, pois isso daria mais clareza e transparência na condução da política monetária. Essas opiniões constam de artigos publicados no livro "Como reagir à crise?", coletânea organizada por ele e por seu colega no Itaú BBA, o economista Edmar Bacha.
Recentemente, ao comentar o Relatório Trimestral de Inflação pelo BC, Goldfajn reafirmou que o Copom (Comitê de Política Monetária) deve reduzir os juros apenas no segundo semestre deste ano. Ele esperava quatro cortes de 0,5 ponto percentual na Selic, a partir de julho: "A recessão prolongada e o câmbio mais estável devem contribuir para uma gradual redução das expectativas de inflação, o que abrirá espaço para o ciclo de corte de juros mais adiante". Obviamente, com a posse do novo governo e a troca do comando no BC, essas e outras previsões devem mudar.
Nascido em 1966 em Haifa, Israel, Goldfajn cresceu no Rio de Janeiro. Estudou em uma escola tradicional judaica em Botafogo, o Colégio Israelita Brasileiro A. Liessin, vizinho do Colégio Princesa Isabel, onde a psicóloga Denise Salomão Goldfajn, sua mulher, cursava o ensino médio. Os dois se casaram em 1991, logo após ele concluir o mestrado na PUC-RJ, que engatou na sequência do curso de Economia na UFRJ, concluído em 1988. Já casados, os dois seguiram para os Estados Unidos, onde ele concluiria o Ph.D no MIT, em 1995. Pais de três filhos, Gabriel, Maya e Amir, o casal ainda ficaria mais quatro anos nos Estados Unidos.
Ilan lecionou na Brandeis University por dois anos, até ir para o Fundo Monetário Internacional (FMI), onde foi economista até 1999. Nessa época, ele ainda foi consultor do Banco Mundial e da ONU. De volta ao Brasil, Goldfajn lecionou na PUC-RJ por dez anos. Ele ainda foi sócio da Gávea Investimentos, entre 2003 e 2006, chefiando as áreas de pesquisas macroeconômicas e análise de risco. Atuou como diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa em Economia da Casa das Garças, entre 2006 e 2009, e foi sócio-fundador da Ciano Investimentos e da Ciano Consultoria, entre 2007 e 2009, de onde se desligou ao ir para o Itaú.

Em uma entrevista para a publicação "Educar para Crescer", o economista lembra do papel fundamental de seu pai em sua opção de prolongar os estudos. "Só parei de estudar formalmente quando eu tinha quase 30 anos. Isso foi fundamental para minha vida na área de economia, que também é baseada no estudo. Logo que me formei, pensava em começar a trabalhar e meu pai me mostrou que eu podia investir mais em mim." José Jayme Goldfajn conhecia o mercado e sabia que esses anos a mais fariam toda a diferença na carreira do filho. Até 1991, José Jayme era sócio da Objetiva Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda.

Entenda de que modo Dilma montou seu bunker para fazer oposição a Temer no Palácio Alvorada

Gustavo Uribe e Marina Dias
Folha
Com dados e informações armazenados em quase 14 anos de gestão petista, a presidente afastada Dilma Rousseff estruturou no Palácio do Alvorada uma espécie de “centro de inteligência” da estratégia dos partidos e movimentos de esquerda de contraofensiva à gestão interina de Michel Temer. O peemedebista assumiu o Planalto na quinta-feira (12), após a abertura do processo de impeachment contra a Dilma no Senado.
No chamado “bunker de resistência”, a presidente afastada montou um arquivo detalhado com números e estatísticas de iniciativas e programas das gestões petistas, concentrado na evolução ano a ano e no número de beneficiários das principais vitrines eleitorais da gestão da presidente, como os programas Minha Casa, Minha Vida, Pronatec e Bolsa Família.
A ideia é utilizá-lo na formulação de um discurso unificado para atacar o governo interino sobre eventuais retrocessos em relação às administrações de Dilma e Lula e para rebater eventuais críticas feitas pela gestão Temer em relação ao legado do PT no país.
NA OPOSIÇÃO
Segundo um aliado de Dilma, a intenção é que as informações abasteçam tanto dirigentes de partidos ou movimentos críticos ao impeachment como as bancadas oposicionistas a Temer no Congresso, como a do PT e a do PC do B.
O arquivo tem sido administrado pela assessora presidencial Sandra Brandão, que foi cedida para a presidente durante o período de afastamento temporário. Apelidada de “Google do Planalto”, ela era responsável por fornecer rapidamente dados governamentais para Dilma durante os debates televisivos na campanha de 2014.
Na estratégia de oposição ao governo interino, Dilma também montou uma equipe para cuidar do compartilhamento de conteúdo nas redes sociais e reforçará a divulgação do portal Informa Brasil. Criado no ano passado pelo governo federal, mas que até o momento não havia sido divulgado, o site reúne informações sobre as iniciativas da gestão petista na Presidência.
VIAGENS PELO PAÍS
Em outra frente, Dilma iniciará ainda neste mês viagens pelo país para criticar o impeachment e dará semanalmente entrevistas para veículos de imprensa nacionais e internacionais. Na última sexta (13), por exemplo, falou com agências estrangeiras.
A estratégia, como explicou um assessor da presidente afastada, é “ocupar o máximo de espaço possível”, fazendo, assim, um contraponto a Temer no período de afastamento.
REFORMA NO PALÁCIO
Na tentativa de adaptar o Palácio do Alvorada à nova equipe, a presidente afastada fez mudanças no local.
As salas anexas à biblioteca da residência oficial e a sala de jogos foram reorganizadas para receber 25 auxiliares. Para abrir espaço, objetos e móveis foram transferidos para a Granja do Torto.
Para monitorar o cenário internacional e viabilizar viagens para o exterior, Dilma pretendia manter em sua equipe o ex-assessor especial para assuntos internacionais Marco Aurélio Garcia, mas, segundo apurado pela Folha, ele não deve integrar o grupo.
A equipe dela é formada por nomes como o assessor especial Giles Azevedo, o fotógrafo Ricardo Stuckert e o ex-subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil Jorge Rodrigo Messias, o “Bessias”, citado em conversa telefônica interceptada pela Polícia Federal entre a presidente e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, em março.
Para a coordenação da área de comunicação, Dilma chamou o jornalista Olímpio Cruz, que foi secretário de Imprensa do Planalto no último ano do primeiro mandato da presidente.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Ao tomar conhecimento desta matéria, o comentarista Wilson Baptista Jr, fez o seguinte desabafo: “Além de usar os aviões da FAB para viajar falando contra o golpe, Dilma vai continuar usando um portal do governo federal (‘Informa Brasil’) para fazer propaganda petista? Essa é demais… Temer deveria bloquear o portal contra interferências”. Além disso, o Blog acrescenta que é preciso estranhar na equipe a presença do fotógrafo Ricardo Stuckert, que é pago pela Confederação Brasileira de Futebol (R$ 35 mensais) para trabalhar para Lula e Dilma. Realmente, é demais. (C.N.)

Artigo, David S. Moran - O 68. aniversário da independência de Israel

          O Estado de Israel comemora o seus 68 anos de Independência e o país está coberto de bandeiras azul e branco, com a estrêla de David no meio. Este minúsculo país (menor que o Estado de Sergipe) é um verdadeiro milagre de ressureição e êxitos em muitas áreas que trouxeram mudanças no mundo todo. Tudo isto apesar da pequena população, das adversidades e da luta contra inimigos que querem destrui-lo.     Muitos poderão perguntar porque escrevo em milagre. Também pudera. Em volta os países árabes estão se desintegrando, lutando internamente e Israel está trabalhando, inovando e indo para frente.
         Nem tudo é azul, problemas existem: internamente e o problema árabe, que se transformou em palestino, muçulmano e adotado pelas extremas esquerda e direita. Enquanto os outros vão gritando e ameaçando, Israel vai fazendo e continuará desenvolvendo-se. Não tem outra alternativa. Como disse o ex Embaixador de Israel na ONU, Ron Prosor:" quando passava na entrada para a sede da ONU via quase 200 bandeiras, 31 com símbolos cristãos, 21 islamicos e só uma com a Estrêla de David". Isto nos enche de orgulho.
ALGUNS FATOS: Segundo o Instituto Central de Estatistica de Israel, a atual população do país é de 8.522.000, um aumento de mais de 10 vêzes, comparado aos 806 mil hab. em 1948. A população é composta de 6.377.000 judeus (74.8%), 1.771.000 árabes, a maioria de muçulmanos e minoria de cristãos,(20.8%) e 374.000 (4.4%) de cristãos não árabes e de outras religiões.   No último ano nasceram 195 mil bebes e o país acolheu 36 mil novos   imigrantes. Descontando os 47 mil falecidos a população cresceu em 2.2%, uma das maiores taxas no mundo Ocidental. A previsão é de uma população de 11.3 milhões de pessoas em 2035. Atualmente 75% da população é "sabra"(nasceu em Israel). A língua do país é Hebraico, ressucitada da Bíblia, após milhares de anos.
      Em 1848 só 1 cidade-Tel Aviv- tinha mais de 100 mil habitantes e hoje em dia são 14 cidades, das quais 8 tem mais de 200 mil habitantes: Yerushalaim, Tel Aviv, Haifa, Rishon le Sion, Petah Tiqva, Ashdod, Natania e Beer Sheva.
      Quando o país tornou-se independente, a população judaica mundial era de 11.5 milhões, dos quais apenas 6% vivia em Israel. Atualmente dos 14.3 milhões de judeus no mundo, quase a metade (43%) vive na Terra Prometida.
Em 1800, durante o govêrno Otomano, foi realizado um censo no qual registou o número de 6.700 judeus e o número foi crescendo. Há mais de 150 anos a maioria da população de Jerusalém é judaica. Em 1931, o govêrno do Mandato Britânico fez novo censo e registrou 174,610 judeus, numero que subiu para 750 mil em 1948 e 6.4 milhões atualmente.
Economia: O PNB deu um pulo gigantesco de 25.1 bilhões de shekel em 1950 para 1.109 bilhões de shekel em 2014.  O desêmprego é de 5.3% e as condições de vida vão melhorando. Se em 1956 uma família gastava cerca de 42% de sua renda em comida, hoje em dia este gasto é de apenas 16.2%. Nestes sinais de mundo moderno, nota-se que há aumento de gastos em transporte de 3% em 1956 para 20% em 2014. Em 1951 estavam registrados no país só 34,103 carros, atualmente correm pelas estradas 3 milhões de veículos. Em 1956 só 12% das casas tinha máquina de lavar, hoje 96% as tem. Assim o é com geladeiras de 37% para 99.9% e ar condicionado de 10% para 87% hoje. Em 1950 o número de universitários era de 1,600 e só 200 receberam o título universitário, em 2015 o país tinha 315,000 universitários e 72,500 receberam título.
Os economistas Dr. Adam Reuter e Noga Keinan recentemente publicaram uma retrospectiva, Israel- ilha de sucesso, na qual entre outras escrevem que Israel já é econômicamente um sucesso, que seria maior se superasse algumas dificuldades.
Fatos de sucesso economico que citam:
1) Aumento na Produção nos últimos 20 anos foi de 180% enquanto o número de habitantes subiu em apenas 45%.O PIB é de mais de 300 bilhões de dólares. A Produção individual é de 35 mil dólares,colocando Israel em 24 lugar de 187 países.
2) Estabilidade de Mercado.As reservas de moeda estrangeira são de mais de 90 bilhões de dolares, tornando o israelense portador de uma grande reserva individual e indicando estabilidade financeira.
3) Relação entre Dívida e Produção. Está diminuindo com maior e melhor participação da força de trabalho. Em 2000 o desêmprego foi de 11% e caiu para os atuais 5.3%, enquanto a média dos países do OECD foi de 6.3% para 7.2% no mesmo período.
Os economistas mencionam 4 vantagens israelenses:
I- Tecnologico- Israel está em 1° lugar investindo em Pesquisas e Desenvolvimentos e é também líder no emprego de funcionários nestas áreas, com 140 para cada 10.000 habitantes, seguida pelos EUA com 85. Israel está em 1° na segurança no Cyber.
Israel é o 2° no mundo em Pesquisas Científicas e 2° em gastos do Estado em educação escolar e está em 3° lugar no emprego de engenheiros na força de trabalho.
(do IMD.Competitiveness, year book,2014).
Israel é um dos apenas 8 países que lança foguetes ao espaço. Os outros são EUA, Russia, China, Índia, Japão, Inglaterra e França, muito maiores do que o Estado Judeu em tamanho e número de habitantes.
Israel tem 9 ganhadores de Prêmio Nobel, o maior número em relação a população. Está em 3° lugar dos ganhadores do Prêmio Turing, para ciências de computação e tem 30% do total de vencedores do Prêmio GÖDEL, dado as pesquisas teoréticas e exepcionais nas ciências de computação.
II- Empreendimentos- Israel atrai grandes empresas internacionais que querem as suas inovações (1° lugar no mundo), mas também por estar em 1° lugar em empreendimentos. Alguns ficam no país, outros adquiridos por empresas internacionais.
III- Vantagem GLOBAL. Deve-se a gerações de pessoas vindas dos quatro cantos do mundo, conhecendo as culturas, línguas e necessidades.
O israelense tem cultura desenvolvida de empreendedor e de coragem. Se falha numa, tenta noutra.  Sua visão é voltada a exportação, pois o mercado interno é pequeno.
Ações de 86 companhias israelenses são negociadas no NASDAQ, perdendo em número apenas para os EUA e a China.
Mais de 300 grandes companhias internacionais instalaram em em Israel centros de P&D, entre elas estão a Apple, Facebook, Microsoft, HP, Cisco, Google, e outras. No país desenvolvem novo produto que é testado e depois de aprovado é destinado ao mercado mundial.
Israel tem acôrdos internacionais em Pesquisas e Desenvolvimento, colocando o numa posição privilegiada.  Também tem acôrdos sobre impostos.
IV- Vantagem Demográfica- A população de Israel é a mais jovem dos paises da OECD, de média de 31 anos comparados a 42 anos e em 3° lugar no mundo em nível de estudos.O país tem imigração positiva,a melhor e mais baixa taxa de mortalidade de recém nascidos,3.8 para cada 1,000 nascimentos.No OECD são 4.4 mortos para mil partos.
Há "revoluções" em andamento.
1) Vencer o Deserto. Apesar de não parecer, mais da metade do território de Israel é desértico. Apesar disso a tecnologia israelense vence as terras áridas do deserto, cultivando e exportando produtos agrícolas. Em Israel não correm muitos rios e até mesmo o famoso Rio Jordão é tão pequeno, que muitas fazendas particulares no Brasil tem rios maiores. Isso obrigou o país a buscar solucões através da desalinização, do reuso de água (90%)- tornando Israel líder mundial, longe da Austrália que está em 2° lugar com apenas 22% de reuso- e da irrigação por gotas. Israel que sofria de grave falta de água, tem água suficiente podendo até exportar para os países vizinhos.
2) Energética. Com as recentes descobertas de campos de gás,em 4 anos Israel terá independência enregética e em 7 anos poderá ser exportadora de energia. Em 30 anos a previsão é de exportar no valor de 80 bilhões de dolares.  A queda nos prêços dos commodities e principalmente do petróleo, melhorara em muito a economia israelense.
3) Transportes. Há um grande desenvolvimento nas estradas do país e novas construções de estradas que desenvolvem  as periferias e também as aproximam do centro do país. O mesmo ocorre com construção de novos e mais profundos portos e até com aeroportos.
Sim, nem tudo é perfeito, mas há algum país perfeito?  Não se deve esquecer que grande parte da população que ajudou formar o Estado de Israel são refugiados que se salvaram das trevas do holocausto para vir construir nova sociedade. Outros são refugiados de países árabes que os obrigaram a deixar tudo que tinham e sair do país. Também vieram centenas de milhares de refugiados da ex URSS, da Rússia e seus satélites. Se levarmos em conta também as adversidades das guerras que lhe foram impostos, há muito no que se orgulhar.
Apesar de todas as difamações de pessoas, organizações e nações interesseiras, os fatos e dados internacionais e internos demonstram que Israel é um sucesso.
O Indice da Felicidade Mundial publicado pela ONU para 2016 coloca Israel na 11ª posição. No Índice do Desenvolvimento Humano da ONU, Israel ocupa a 18ª colocação, antecedendo países como o Japão, Luxenburgo, Bélgica, Austria, França e Finlandia. Este índice leva em conta a longevidade, educação, renda.
A revista The Economist publicou uma pesquisa "aonde vale a pena nascer" e colocou Israel no 20° lugar, antecedendo países como a Inglaterra, França, Itália e Japão. A pesquisa analisou os melhores países para adulto viver em 2030, em termos de saúde, progresso e segurança pessoal.
O Instituto Central de Pesquisa publicou (5) seu último relatório (referente a 2014) segundo o qual 58% dos israelenses estão satisfeitos das suas condições economicas. Prevê-se que com a entrada maior de 2 segmentos da sociedade israelense- os haredim (ultra-ortodoxos) e dos árabe-israelenses- na força de trabalho, o índice da pobreza e da inigualdade (Índice Gini) melhorará a  situação e a satisfação.
O israelense se interessa pelo que passa no país e sempre quer melhorar a situação. A democracia prevalece e mesmo que o voto não é obrigatório os eleitores cumprem sua obrigação cívica. Nas últimas eleições gerais, em 2015,foram as urnas 72.3%dos eleitores uma das maiores taxas no mundo Ocidental.
O israelense que cumprimenta com "shalom" (paz) espera que uma paz real chegue e que já no ano que vem possa adicionar este importante evento aos logros que o país conseguiu. Não só para Israel,mas para toda a região que será beneficiada com a paz para o desenvolvimento humano e tecnologico local e universal. Enquanto  shalom não chega, Israel continuará atenta, desenvolvendo-se e aos outros.
Hag Atzmaut Sameah - Feliz dia da Independência

David S. Moran , de Israel 12/05/2016

P.S. Há muitos vídeos sobre Israel é só entrar no GOOGLE  e acessar.
       Envio aqui um link que vem em Hebraico e versão inglesa. ex.most.gov.il
 Aparecerão fotos (expostos também no Aeroporto Internacional Ben Gurion). Clicando na foto aparecerão detalhes adicionais. O melhor para conhecer o Estado de Israel e sua realidade é visitar o país e conhece-lo pessoalmente.



                                                     




Editorial, Estadão - A missão de Temer

O que se espera de Michel Temer é que não corrompa os fins – as ideias – rendendo-se à prática de meios reprováveis

Após a decisão do Senado Federal de afastar temporariamente a presidente Dilma Rousseff do exercício da chefia do Executivo, coube a seu substituto constitucional, o vice-presidente Michel Temer, anunciar oficialmente o que pretende fazer para superar a intrincada crise em que o lulopetismo jogou o país e com a colaboração de quem contará para corresponder à enorme expectativa dos brasileiros. Caberá a ele e a essa equipe fazer com que o governo federal trabalhe com seriedade e competência na promoção dos genuínos interesses nacionais, resgatando o país do nefasto domínio do populismo irresponsável que provocou a maior crise política, econômica, social e moral da história republicana.
Michel Temer dedicou várias semanas à composição do novo governo e à definição das linhas gerais e das principais ações pontuais, algumas de evidente urgência, que pretende adotar a partir de sua investidura temporária na chefia do governo. Em editorial publicado neste espaço no último domingo, destacamos a decepção, por parte de quem vislumbra um futuro melhor para todos os brasileiros, com o fato de Temer, até então, ter-se “permitido associar seu nome a situações e arranjos que frustram, desde já, as expectativas a seu respeito”. De fato, especialmente no que diz respeito à composição de seu Ministério, Temer tendia a se render à lógica do fisiologismo exacerbado, ao toma lá dá cá que o PT consagrou como método para garantir apoio parlamentar. Tanto que, além de alimentar especulações sobre a nomeação de auxiliares envolvidos em investigações da Lava Jato, caminhava para abandonar seu projeto original de promover, como símbolo de novos tempos, uma significativa redução do número de Ministérios.
A repercussão negativa de muitas das especulações sobre as intenções de Temer parece tê-lo persuadido a ser mais rigoroso no cumprimento das diretrizes básicas inovadoras e saneadoras que anunciara inicialmente e retomar a decisão de reduzir o tamanho do Ministério. De qualquer modo, ele não teve condições de recrutar um grupo de “notáveis” para compor o primeiro escalão de seu governo. O que se explica pelo fato de não existirem tantos “notáveis”, seja porque a formação de líderes honestos, competentes e de reconhecida reputação foi comprometida pela mediocridade do populismo lulopetista, seja porque os existentes não desejam associar seus impolutos nomes a uma atividade que, ultimamente, só cobre de opróbrios quem a exerce.

Por tudo isso e muito mais, a expectativa da enorme maioria dos brasileiros que saíram às ruas contra o governo petista e acabaram criando as condições políticas para o impeachment de Dilma é de que seja promovida agora uma faxina na administração federal. Isso significa que não será suficiente afastar os quadros petistas coniventes com o fisiologismo. Do ponto de vista da recuperação da eficiência da máquina governamental, essa “limpeza” acabará se tornando inútil se os afastados forem substituídos por apaniguados políticos ávidos por uma “boquinha”.
O governo vai mudar, o país se livrará da nefasta hegemonia política do lulopetismo, mas é preciso levar em conta que o sistema político permanece o mesmo, com a mesma estrutura político-partidária comandada pelas mesmas figuras de alguma forma comprometidas com as mazelas da era petista. O próprio Michel Temer, não nos esqueçamos, foi o vice-presidente de Dilma Rousseff por duas vezes. Por isso mesmo, tendo aderido às correntes democráticas da sociedade brasileira que exigem o fim do ciclo petista, Temer precisa demonstrar que está inequivocamente determinado a inaugurar de fato uma nova fase da política brasileira. Para tanto, deve conquistar rapidamente a confiança da população. E isso só será possível se demonstrar, desde logo, sua disposição de resistir ao fisiologismo e a coragem de adotar medidas de emergência impopulares sem as quais será impossível o saneamento das contas públicas.

O que se espera de Michel Temer é que, partindo do princípio de que a política é a arte de aliar meios a fins, não corrompa os fins – as ideias – rendendo-se à prática de meios reprováveis. Restaurada a moralidade e devolvida alguma eficiência ao governo, a nação brasileira fará o que sempre soube fazer: crescerá em paz e proverá em abundância.