Luis Carlos Heinze - Investir em infraestrutura é voltar a crescer


Não é de hoje que a situação econômica do Rio Grande do Sul não vai bem. As gestões tentam todos os caminhos para colocar a casa em ordem. Apostar em infraestrutura é voltar a gerar riquezas. De norte a sul, tentamos facilitar o transporte de produtos ligados ao setor primário e de bens de consumo. A produção passa pelas rodovias, aeroportos, ferrovias e hidrovias. Por isso, as questões que apoiam o empresariado, o produtor, o consumidor, comércio, indústria e turismo são tão importantes. Caminhos para a prosperidade do nosso Estado.
Desde o ano passado, encorajado pelo ex-deputado e ex-prefeito de Passo Fundo, Fernando Carrion, estou empenhado no projeto da construção de um porto hidroviário no Litoral Norte gaúcho. Foram inúmeras reuniões, envolvendo empresários, população, órgãos ambientais e a Marinha, grande parceira desse projeto.
A ideia remonta ao tempo do Império Brasileiro. À época, Dom Pedro II encomendou a engenheiros ingleses um estudo sobre a viabilidade. Impressionados com a profundidade do mar gaúcho, pesquisadores teriam orientado a construção de um terminal onde hoje fica Torres. Entretanto, a opção foi por Rio Grande.
O tempo passou e queremos mais. Outro ponto de parada para o turismo e trânsito de nossas riquezas. Com uma costa de 640 quilômetros, o Rio Grande do Sul só tem um porto. Santa Catarina possui uma economia menor do que a nossa e com 200 quilômetros a menos de costa tem seis terminais.
Desde 1955 não eram realizadas novas pesquisas em nosso litoral. Neste ano, a Marinha produziu estudos de maregrafia e batimetria, entre Torres e Tramandaí, para encontrar um local adequado à instalação. A cidade de Arroio do Sal foi a escolhida, pois possui extensões de praias adequadas em águas profundas, sem prejudicar o meio ambiente.
Segundo estimativas do movimento Mobilização por Caxias (MobiCaxias), parceiros na iniciativa, o terminal vai diminuir os custos com frete. Teremos dois portos, em regiões estratégicas. Em termos de logística, desafogaremos a circulação em Rio Grande, com um melhor funcionamento, focado no atendimento da Região Centro-Sul do Estado. Já as regiões Norte e Serra, por exemplo, poderão escoar suas produções pelo Litoral Norte. É o caminho para a geração de empregos, facilidade logística e, principalmente, para o desenvolvimento do Estado.

Receita Estadual do RS busca sonegadores na área de cosméticos


A Receita Estadual deflagrou, na manhã desta quarta-feira (18/12), mais uma operação ostensiva de fiscalização para combater a sonegação de ICMS. Os alvos da ação do fisco gaúcho são cinco empresas da região de Lajeado que atuam no setor de fabricação de produtos cosméticos. O total de ICMS sonegado aos cofres públicos, acrescidos de multas e juros, é estimado em R$ 25 milhões.
Os indícios apontam para redução dos valores arrecadados com a omissão de saída dos produtos, além de subfaturamento na Substituição Tributária. Por meio da operação batizada “Preço Maquiado”, em alusão ao setor e às irregularidades verificadas, o objetivo é realizar a busca e apreensão de provas e documentos que corroborem os trabalhos de auditoria fiscal.
Também está sendo investigada a possibilidade de participação de contadores na orientação da fraude. Ao todo, 17 auditores fiscais, dez técnicos tributários e quatro policiais militares participam da ação.
A iniciativa faz parte de um conjunto de ações implementadas no setor de medicamentos e cosméticos, coordenada pelo Grupo Especializado Setorial de Medicamentos e Cosméticos da Receita Estadual. O objetivo é combater práticas de grupos de empresas que se utilizam da sonegação fiscal para obter vantagem concorrencial ou enriquecer ilicitamente, prejudicando a concorrência leal nos segmentos. Enquanto alguns contribuintes recolhem integralmente os tributos ao Estado do Rio Grande do Sul, outros prejudicam o mercado com práticas ilegais.
Fiscalização especializada
A fiscalização especializada por segmentos econômicos é uma das iniciativas do Receita 2030, agenda propositiva com 30 medidas pra modernização da administração tributária gaúcha. O objetivo é possibilitar um conhecimento profundo do setor, com metas focadas na recuperação da brecha tributária e arrecadação, repercutindo também em ações de combate à sonegação, de autorregularização e de política tributária. O Grupo Especializado Setorial de Medicamentos e Cosméticos é um dos 16 grupos previstos na medida.
Operações da Receita Estadual
Por meio das operações deflagradas, a Receita Estadual vem intensificando sua atuação em diversos ramos da economia, procurando desta forma garantir um tratamento isonômico entre as empresas do setor. Além de buscar recuperar os valores devidos aos cofres públicos e combater a sonegação, as ações promovidas pelo fisco gaúcho visam regular a economia e combater a concorrência desleal.
Em 2019, já são mais de 35 operações de combate à sonegação realizadas, envolvendo setores como móveis, autopeças, artigos e utilidades domésticas, plásticos e polímeros, embalagens, colchoaria, vitivinícola, metalúrgico, metalmecânico, alimentício, sorvetes, máquinas e equipamentos, materiais elétricos e iluminação, vestuário, calçados, joias, óticas, brinquedos, chocolates, restaurantes, supermercados, implementos rodoviários, materiais de limpeza e materiais de construção. 

Artigo, Francisco Ferraz, Estadão - Na democracia instituições não morrem, suicidam-se


Quando o nome dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) é conhecido pelo
povo em todo o País; quando se consegue antecipar o voto dos ministros sem errar;
quando ministros se agridem oralmente, usando linguagem vulgar nas sessões; quando
não hesitam em atropelar competências, a comprometer a segurança jurídica; isso só
pode significar que o STF está numa trajetória equivocada de afirmar a sua
superioridade política sobre os demais Poderes e está irreversivelmente enredado na
política... É um desastre anunciado que já se instalou na Corte: a política está
expulsando o Direito do tribunal.
O fato inegável é que o STF tem competências que o diferenciam do Executivo e do
Legislativo. O poder de decretar a inconstitucionalidade de um diploma legal é exclusivo
dele, afeta os outros dois Poderes sem ser por eles afetado. O STF não é um órgão
eleito pelo povo, não está sujeito a mandato fixo, salvo por idade, e tem seus ministros
indicados pelo Executivo e aprovados pelo Legislativo. Os freios da escolha popular ou
do mandato com prazo fixo não o atingem. Por fim, é a última instância não só do
Judiciário, como do sistema político em matéria jurídica.
Se o Judiciário tem esse poder que pode levá-lo a considerar-se superior aos outros
dois, este também é o seu calcanhar de Aquiles.
Tribunais superiores, em regra, acautelam-se no exercício desses poderes. Não
pretendem ser populares, detestam as especulações jornalísticas, proíbem fotografia,
gravação ou filmagem de suas atividades, não dão entrevistas e evitam a todo o custo
envolver-se na política. Preservam religiosamente sua discrição e sua independência, o
mistério e a magia da instituição. Sabem que o maior inimigo da legitimidade da Corte é
o envolvimento político. São 11 ministros que sabem qual o custo de tão elevada
função: evitar a política, manter sob reserva suas características pessoais e evitar a
popularidade, que gera expectativas e pressões.
Nosso Supremo, guardadas as diferenças entre os sistemas políticos de outras nações,
tem se mantido dentro desses parâmetros comportamentais a maior parte do tempo.
Os casos desviantes sempre existiram, mas divisão por motivos políticos, com
formação de blocos, controles de fidelidade e a ousadia de submeter a segurança
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formação de blocos, controles de fidelidade e a ousadia de submeter a segurança
jurídica a interesses políticos não faziam parte da história do STF.
Então, por que o STF cada vez mais se envolve em decisões políticas? Porque a política
está expulsando o Direito do tribunal?
O próprio ex-presidente Lula respondeu a essa pergunta quando da divulgação dos
telefonemas gravados pelo então juiz Sergio Moro. Neles o ex-presidente exigia de seus
companheiros que “cobrassem” dos ministros o apoio de que estava necessitando, a
revelar que a nomeação deles implicava a contrapartida em votos no plenário. Se a
lógica do aparelhamento político precisava de confirmação, o ex-presidente
encarregou-se de fornecê-la.
O ingresso da política no STF foi também coadjuvado pelo próprio tribunal quando
liberou a transmissão das sessões pela TV. O público não acompanharia sessões
técnicas, mas o faria nas sessões em que estavam em julgamento questões políticas.
Mas a TV no STF teve mais consequências. Ministros subitamente se tornaram figuras
públicas. Seus acertos, como seus erros, passaram a ser vistos por todos, choveram
convites para eventos, jornalistas estavam sempre em busca de entrevistas, sua
presença nos noticiosos era frequente. Ministros, sendo 11, eram mais presentes na
mídia do que as centenas de deputados e dezenas de senadores. Nem mesmo os
presidentes das Casas Legislativas tinham cobertura de mídia tão intensa. Conflitos
logo se tornaram públicos, o que exigia dos contendores coerência na continuidade da
desarmonia.
A TV e a notoriedade pública envolveram os ministros do STF, atraindo-os para um
protagonismo político para o qual não estavam preparados, mas cuja atração se
revelou irresistível. Se a política entrou no STF, em boa parte foi porque a TV entrou na
Corte.
Houve ainda um terceiro fator na politização da Corte. Como a ação da Lava Jato
decorria numa comarca, sob a autoridade de um juiz singular, a investigação
desembocava num processo e o processo conduzia ao julgamento, à sentença e,
inevitavelmente, a recursos a instâncias superiores. A leitura dos que já estavam
inoculados pela popularidade era de que um juiz de primeira instância havia aplicado
uma capitis diminutio nos juízes do STF.
De início não se percebeu a desproporção que decorria da entrega do maior caso de
corrupção da História do País a um jovem juiz singular. Não era uma ação de governo
investigando suas entranhas, conduzida por autoridades de espectro nacional. Era uma
ação em que o governo do País e suas autoridades surgiam como suspeitos e, como
réus, ficaram sujeitos ao processo penal. Políticos, empresários e servidores da mais
alta hierarquia acabaram submetidos à autoridade de um jovem juiz de subseção.
Restaria ao STF, então, julgar recursos em matéria de Direito, porque em matéria de
fato não havia mais o que fazer. E tudo o que surgia era resultado da ação de um
juizado singular. Foi muito difícil para alguns ministros aceitar essa aparente
humilhação. 2/3

Assim, Lava Jato e mensalão seguiram roteiros opostos quanto à sua origem: a Lava
Jato deslocou-se de baixo para a cúpula do sistema político; o mensalão, ao contrário,
nasceu e se extinguiu no STF.

Foi o mensalão televisionado, entretanto, que introduziu os ministros no mundo da
política e do espetáculo, cujo ingresso ocorre com facilidade, até mesmo por descuido,
mas cuja saída não se dá sem pagar um preço proibitivo na majestade institucional da
Corte e naquele “terrível poder” dado ao homem para julgar o homem. Fácil é entrar no
jogo político, difícil sair; impossível sair ileso e recuperar a pureza de outrora.


*PROFESSOR DE CIÊNCIA POLÍTICA, PÓS-GRADUADO PELA UNIVERSIDADE PRINCETON,
EX-REITOR DA UFRGS, É CRIADOR E DIRETOR DO SITE http://WWW.MUNDODAPOLITICA.

A aposta irresponsável do dinheiro público em startups


José Cesar Martins, sociólogo, fundador da Paradoxa Ventures

São raros os que conseguem filtrar startups com sucesso. Inovar não é fácilDivulgação / Divulgação
Investir em startups é uma aposta atraente mas extremamente arriscada, precisando-se filtrar entre milhares de ideias novas que, via de regra, dão errado. Mesmo assim, muitas gigantes de tecnologia cresceram sustentadas por investidores, e o sonho de participar do próximo Facebook ou Twitter é sedutor. 
Os recursos para startups cresceram muito no Brasil: no final de 2018, eram mais de R$ 16 bilhões comprometidos, o dobro de 2017. Mesmo Porto Alegre possui fundos locais, da tradicional incubadora do Tecnopuc a fundos consolidados como a CRP e a WoW, e uma plataforma porto-alegrense (chamada Captable, ela mesmo uma startup) que permite investir diretamente em startups. Isso tudo além dos inúmeros investidores individuais "anjos", que não entram na estatística. 
Mas são raros os que conseguem filtrar startups com sucesso. Inovar não é fácil: mesmo a gigante Uber ainda dá prejuízo e não se provou sustentável. William Sahlman, professor de Harvard, revela que os sucessos de startups se concentram desproporcionalmente em um punhado de investidores renomados, devido a um processo que se retroalimenta: os melhores investidores encontram os melhores empreendedores, que, por sua vez, tornam seus fundos mais atraentes. 
Hoje, startups não querem apenas dinheiro, mas acesso à rede, ao conhecimento e o reconhecimento público de um fundo de excelência. Ainda, investidores privados têm incentivos alinhados, com seu sucesso atrelado à startup: se o filtro for ruim, eles perdem tudo. 
É por isso que o papel do investidor de risco é inerentemente privado, sendo equivocado criar um fundo público para startups. Não apenas já existe capital disponível para inovação como um fundo público será pouco atraente para os empreendedores de maior chance de sucesso. Mais importante ainda, falta alinhamento: se a aposta der errado, os prejuízos serão socializados. 
A cidade acaba de acertar suas contas depois de 15 anos no vermelho. São inúmeras prioridades de natureza pública, de segurança a regularização de favelas, nas quais os recursos devem ser investidos de forma mais segura e mais eficiente e de natureza de fato pública, não disponível no setor privado. Não é momento de jogar com dinheiro público na roleta das startups

Cantata dos Casarões


Uma das atrações mais esperadas da programação do Natal Alegre 2019 é a Cantata dos Casarões. Das janelas de dois casarões do século XIX, a Pinacoteca Ruben Berta e o Solar dos Câmara, situados em um dos logradouros mais antigos de Porto Alegre, a Rua Duque de Caxias, ecoarão as vozes do Coral Viva La Vida. O evento, um recital natalino para ser apreciado ao ar livre pela população porto-alegrense, ocorrerá na segunda-feira, 16, às 20h30, na Rua Duque de Caxias, próximo ao número 973. O evento é gratuito. Em caso de chuva a apresentação será cancelada. 

Sob a regência de Eduardo Alves, que estará postado em um palco no meio da rua – que será fechada pela EPTC (informações de trânsito abaixo), mais de trinta cantores interpretarão, peças do repertório brasileiro e internacional. 

Realizada pela parceria da Secretaria Municipal da Cultura e do Departamento de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, a Cantata dos Casarões integra o Natal Alegre 2019.

Coral Viva La Vida  - criado em 2015 para compartilhar a música Viva la Vida (Coldplay) numa apresentação com o grupo dinamarquês Vocal Line, de Jens Johansen, em Porto Alegre. Desde então, mantém a característica de ser composto por cantores experientes que também atuam em outros coros da região. O repertório é variado, incluindo músicas e arranjos inéditos, no intuito de difundir a tradição do canto coral dentro e fora do Rio Grande do Sul, bem como a música vocal à capela,  brasileira e internacional.

Repertório
Amanhã Colorido (Duka Leindeker)
Paciência (Lenine)
Ding Dong Merrily on High
He is Always Close to You
Vem que está chegando o Natal
Bate o Sino
Jesus What a Wonderfull Child
Surgem Anjos
Noite Feliz
Happy Day
Stand by me
Halleluyah (Leonard Cohen)

Orientações de trânsito
Bloqueio na Duque entre as ruas Gen. João Manoel e Gen. Auto - das 19h às 22h30
Desvio da linha C3 pelas ruas Gen. São Manoel e Siqueira Campos
Desvio da linha C1 pelas ruas Demétrio Ribeiro e Gen. Auto

Cantata dos Casarões
Coral Viva La Vida
Regência: Eduardo Alves / preparação vocal: Cintia de Los Santos
Rua Duque de Caxias, 973 - Centro Histórico - Porto Alegre
Segunda-feira, 16, às 20h
Informações: acervo@portoalegre.rs.gov.br / (51) 3289 8292
Evento gratuito (em caso de chuva o evento será cancelado).

O Natal Alegre 2019 tem patrocínio de Trilegal, Cyrela, Motormac, Center Shop, Aldo Magazine, OAB RS, Porto Alegre Airport. Conta com apoio de Acomac, Sindicov, Fenabrave, Abrasel, Convention Bureau, Sescon-RS, Sincopeças-RS, Fetransul, Sulpetro, Aehn, Lide, Adce, Setcergs, Agas, Seprogrs, Abrasce e Sinepe. Realização do Sindilojas POA, CDL POA, Sistema Fecomercio, Sesc/Senac, Shopping Total, Sindha, ACPA e Prefeitura Municipal de Porto Alegre.


Hospital Moinhos de Vento integra rede para receber pacientes traumatizados


Ampliar acesso a atendimento qualificado e reduzir mortes é um desafio para os hospitais brasileiros

No Brasil, causas externas – como acidentes, violência urbana e catástrofes – são as que mais matam pessoas até 39 anos de idade. O país ocupa o quinto lugar no ranking mundial de vítimas fatais no trânsito e, ano após ano, segue entre os 20 com os maiores índices de homicídios. Estima-se que, para cada morte, os hospitais tenham de 20 a 40 sobreviventes em tratamento. Os custos sociais e econômicos são incalculáveis.

O tema foi assunto do I Simpósio Cirurgia do Trauma – Atendimento Qualificado ao Traumatizado: Como Enfrentar este Desafio, realizado na última quinta-feira (12), no Hospital Moinhos de Vento. Médicos cirurgiões, intensivistas, enfermeiros e técnicos trocaram experiências e conheceram a realidade de outras regiões do estado e do Brasil, além de uma cidade dos Estados Unidos semelhante a Porto Alegre.

Um problema de saúde publica
O cirurgião Tércio Campos, presidente da Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Trauma, falou sobre os problemas que o Brasil enfrenta hoje no atendimento a traumatizados. Falta de treinamento, de equipamentos e de um registro para ter dados mais precisos são alguns deles. O especialista considerou os acidentes de trânsito uma questão de saúde pública, sendo necessários investimentos pesados em prevenção. “Os países que mais conseguiram reduzir mortes e invalidez foram os que mais investiram em campanhas de conscientização”, afirmou.

O médico apresentou gráficos que apontam quase 50% de redução das mortes e dos gastos com tratamentos de politraumatizados em São Paulo nos últimos dez anos. A evolução acompanha os avanços na legislação, como as leis Seca, do ABS e do air-bag, além do Maio Amarelo e de outras campanhas de conscientização. “Ao mesmo tempo, aumentou o acesso das vítimas à cirurgia imediata, ampliando também as chances de recuperação”, ressaltou. O médico abordou o Plano Nacional de Catástrofes, criado para servir de referência em casos como o incêndio na boate Kiss e o rompimento da barragem em Brumadinho. “Temos de estar preparados e treinados. E esse treinamento tem que ser integrado: médicos, enfermeiros, técnicos, socorristas etc”, concluiu.

A experiência do cirurgião gaúcho Luiz Gonçalves Foernges, que hoje trabalha no Geisinger Medical Center, nos Estados Unidos, foi outro destaque da noite. No hospital da cidade de Danville, quase metade dos pacientes traumatizados são encaminhados de outras instituições. A realidade é muito diferente da brasileira. Com seis helicópteros e centros de trauma adulto e pediátrico, já recebeu quase três mil pacientes traumatizados para a realização de cirurgias em 2019. “Se esse sistema de encaminhamento acontecesse aqui, desafogaria os leitos no SUS”, disse.

Ampliando o atendimento ao trauma
Em Porto Alegre, o Hospital de Pronto Socorro atende em média 400 pacientes traumatizados por dia, enquanto o Cristo Redentor possui 264 leitos. São os únicos da capital gaúcha que podem prestar o atendimento primário em casos de acidentes e violência com ferimentos graves. Mas depois de estabilizar o paciente, não há impeditivo para a transferência. “O desafio é que é pouco comum hospitais privados terem equipes estruturadas para a cirurgia do trauma”, ponderou o médico Artur Seabra, chefe do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Moinhos de Vento.

Seabra apresentou a equipe especializada nesse atendimento que começou a atuar na instituição. São onze médicos com formação em cirurgia do trauma e três intensivistas, além da equipe assistencial com enfermeiros e técnicos e da equipe de apoio com neurocirurgiões, traumatologistas e ortopedistas, cirurgiões plásticos e especialistas em queimados e cirurgiões vasculares.

“Estamos totalmente preparados para receber pacientes vítimas de trauma após serem estabilizados nos hospitais de pronto socorro. Temos uma equipe que é referência em cirurgia do trauma e tratamento intensivo, com a excelência do nosso time assistencial e a tecnologia de ponta que o Moinhos de Vento oferece”, destacou o cirurgião. Seabra disse que a ideia é se estruturar para, no futuro, prestar também o atendimento primário às vítimas.

O superintendente Médico da instituição, Luiz Nasi, reiterou o compromisso do Hospital Moinhos de Vento de cuidar de vidas. “É mais uma entrega que se soma aos investimentos de 2019, como o Centro de Fertilidade, a ampliação do atendimento no Centro de Oncologia com um novo TrueBeam e a nova Emergência Pediátrica, entre outros. Nosso propósito é oferecer medicina de excelência, equivalente aos melhores centros médicos do mundo. E, para isso, agora estamos também preparados para atender pacientes de alto risco, politraumatizados, que precisam desse serviço altamente especializado”, pontuou.

O evento contou também com a participação da cirurgiã Dóris Lazzarotto Swarowsky, diretora regional da Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado (SBAIT), e do cirurgião Antonio Rogério Crespo, do Hospital Moinhos de Vento.

O drama da Sra. K


O drama da Sra. K

Por Renato Sant'Ana


          A Sra. K, 37 anos, esgotou seu repertório de nomes feios quando, ao
despertar, viu que tinha faltado energia elétrica: nada funcionava, do secador de cabelo ao controle eletrônico do portão.

          O drama apenas começava. Tinha planejado dormir até o limite: precisava só de 25 minutos para ir de carro ao trabalho. Não esperava que, naquela sexta-feira (06/12/19), metade do bairro Vila Ipiranga, em Porto Alegre, estivesse às escuras, semáforos desligados e o trânsito caótico.

          Pior foi saber a causa do desmantelo: um moleque de 21 anos, entretido com um brinquedinho letal, isto é, o carro da mamãe, tinha derrubado um poste e arrancado os fios de luz e telefone.

          "E não morreu esse infeliz!", pensava ela, trancada no engarrafamento, temendo a reação de sua chefe, mulher irritadiça e muito rígida.

          No grupo de WhatsApp do condomínio, soube que o patife participava de um "racha" e que, depois do estrago, tentou fugir a pé, mas foi detido pela Brigada Militar, ferido e com visíveis sinais de embriaguez.

          Sem elaboração, normal no WhatsApp, claro, falaram muito de "abuso". Certo. Desdenhar a lei e fazer só o que dá vontade é abuso, seja o
abusador um empreiteiro, ministro de algum tribunal ou um borra-botas de
21 anos, seja em Brasília, no trânsito ou na área comum do condomínio.

          Não foi por nada que, três dias antes, o jornal The Cairns, da Austrália, publicou matéria em que Porto Alegre aparece como a décima cidade mais violenta do mundo e a terceira do Brasil.

          No grupo, um condômino falou que a cidade precisa de um prefeito linha dura que traga um pouco de disciplina e ordem à capital.

          Ela reagiu sem reflexão. Odiou! E repetiu mentalmente o que já tinha
dito a ele: "Fascista! Fascista!" Tudo depois que ele pegou no pé do filho dela, de nove anos, só porque o guri cospe no elevador, já bateu em meninos menores e afrontou o porteiro da noite.
          É assim. Se alguém mexe com o seu "imperadorzinho", ela reage como uma leoa. Não entende que, passando a mão na cabeça do filho e tolerando suas transgressões, está criando um abusador, que, amanhã, vai sair por aí derrubando postes. E poderá morrer, o infeliz...

          Com o carro na velocidade de uma carroça, ruminava o rancor. Se pudesse, ela se vingava do derrubador de poste, de sua chefe e dos seus vizinhos.

          Com vocabulário de Facebook, ela não interpreta, não analisa, apenas reage. E faz como todo mundo: fala mal dos políticos e acha que são "os outros" que não sabem votar e escolhem mal.

          Nas próximas eleições, seu voto será um "voto consciente", claro! Sem crítica e desinformada, ela vai votar em quem adular melhor o eleitor,
um gaiato populista ou uma sirigaita ideológica...

          E assim caminha Porto Alegre: para trás... Enquanto a estirpe da Sra. K segue sendo numerosa. Aliás, é igual em toda parte.

          É essa mentalidade que dá causa à existência de leis frouxas: o
irresponsável que põe em risco a vida dos outros, dirigindo bêbado, apenas paga uma multa e tem, por algum tempo, restrições para dirigir. Não tarda e já está de volta.


Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.
E-mail: sentinela.rs@uol.com.br