Fala Fátima, exilada política na Argentina

 O UOL, que é do grupo da Folha de S. Paulo, mandou os repórteres Amanda Cotrim e Eduardo Militão a Buenos Aires, La Plata e Foz do Iguaçu, tudo para levantar dados sobre a movimentação da exilada política brasileira Fátima Aparecida Plati, 63 anos, vendedora autônoma e ativista de oposição que foi condenada a 14 anos de prisão por Alexandre de Moraes e que fugiu depois que o ministro resolveu interromper sua liberdade vigiada, devolvendo-a para a cadeia. 

Moraes mandou a PF atrás de 200 presos políticos que cumpriam medidas restritivas com o uso de tornozeleiras eletrônicas e que fugiram para a Argentina, como Fátima. Ele pediu que o Itamaraty procurasse o governo argentino para capturá-los e extraditá-los.

O UOL encontrou a exilada, mas ela não quis conversa. Apenas disse que Moraes "vai pagar caro pelo que está fazendo" e confirmou que está ajudando perseguidos políticos brasileiros que queiram fugir para a Argentina. O UOL mandou seus repórteres a Foz do Iguaçu, onde um motorista de táxi transportaria brasileiros para o outro lado. Ela, Fátima, alugou uma casa em La Plata, 53 kms de Buenos Aires, para abrigar os fugitivos de Moraes. Cada um paga R$ 600 por mês para mofar ali. 

CLIQUE AQUI para ler a reportagem no original.

Sonho do bem

Sílvio Lopes, jornalista, economista e palestrante.

      Sejam pré-socráticos ou pós Sócrates, os filósofos tiveram- todos eles, indistintamente- a influência da Bíblia Sagrada como norteadora de sua sabedoria e de seus ensinamentos. É só conferir. Portanto, citar Deus ou seus "escolhidos" para difundir a Palavra, é também- e, principalmente- filosofar ao melhor estilo de gente como Demócrito, Tales de Mileto, Heráclito e Pitágoras, entre outros; ou até mesmo Sócrates, Platão e Aristóteles.

      Vejam este versículo de Isaías, 59 (14,15): " Por isso a justiça é posta de lado, o direito é afastado. A verdade anda tropeçando nos tribunais, e a honestidade está longe de lá. A verdade desapareceu e os que procuram ser honestos são perseguidos".

      Tudo a ver, pois, com o que hoje vivenciamos no Brasil. Sem tirar nem por. E notem, o profeta Isaías viveu entre 765 e 681, antes de Cristo...Que profecia!

      Digo e não canso de repetir, que o mais catastrófico legado dos tempos que vivemos hoje, quem sabe  por muitas décadas à frente, repousa na ação pensada da esquerda no desmantalamento ético e moral das nossas instituições democráticas- agora já nem tanto assim.

      Restabelecer e limitar tais instituições em suas funções originais e recompor o seu caráter imparcial e de moralidade pública, será, portanto, tarefa hercúlea e que exigirá determinação e um verdadeiro espírito democrático de todo um povo. 

       Este país, como se vê, de tão extraordinário potencial para ser uma nação das mais poderosas entre as demais, não perde a oportunidade de perder a oportunidade de, finalmente, decolar e se consolidar no concerto mundial das nações.

     No dia em que imitarmos os animais, que " não escolhem qualquer estúpido para liderar a manada", como bem lembrou Winston Churchill, aí sim daremos o passo mais importante da nossa história. Claro que, então (e daí em diante), estaremos livres para sonhar o acalentado sonho de um dia transformar um este país numa grande e abençoada nação.


Artigo, Marcus Vinicius Gravina - A maldição do Rolex

Alguém imaginou se a autoridade de outro país, doadora do relógio, por meios diplomáticos vier a pedir a devolução do presente dado ao ex-presidente Bolsonaro. 




Diante da inusitada repercussão causada pelo destino dado ao relógio - de enredo de filme policial - com operação da Polícia Federal, invadindo residências e prendendo suspeitos, pode fazer com que o Sheik pense nisso.   




Afinal, foi uma autoridade de um país árabe, quem entregou a pessoa de seu convidado, um presidente amigo o presente, que está servindo de motivo para levá-lo à cadeia.  




Nisso tudo há uma espécie de triângulo:  o doador da joia, o presenteado e a esquerda adversária com o reforço do STF, pronto para aplicar a penalidade.   




O inquérito, bombástico, da Polícia Federal está diante de um tripé. O doador deveria ser ouvido, também.  Cabe a ele dizer se o presente foi destinado à pessoa do ex-presidente ou ao Estado Brasileiro, que não tem pulso para usá-lo e só mão grande para saquear o seu povo.  




Tenho ouvido várias narrativas a respeito mas, nada parecida com esta hipótese. De que o presenteador tem o direito de escolher a quem presentear e de se ofender, mormente, quando sem claras restrições  previstas em lei brasileira, vê o seu convidado atingido por perseguições políticas, transformadas numa “maldição de um Rolex”, ofertado por ele.  




A sua vontade é a que deve preponderar. Fato a ser tratado diferentemente das condenáveis propinas depositadas diretamente em contas de paraísos fiscais, recebidas de empreiteiras ou de fornecedores de aviões transacionados em luxuosos hotéis no exterior.  




Estou curioso para saber, em caso de condenação, qual a lei será aplicada e a penalidade cabível.  Isto porque o que encontrei, dispõe sobre a preservação e proteção dos acervos documentais privados do presidente da República, que ficam a cargo de uma Comissão de Memória dos Presidentes da República.  O Decreto  n.4,344/2003, que regulamenta a Lei 8.394/91 é tão inconsistente quanto à própria Lei, que versa sobre acervos privados dos presidentes, isto é, do conjunto de documentos de natureza arquivista durante o seu mandato.  Nesta discussão, parece ter sido usado o Tribunal de Contas da União, como se tivesse poderes para escrever o seu entendimento sobre como o presidente da República deve agir, quando receber presentes.  




O TCU determinou, por decisão do Plenário, que o Bolsonaro entregue as joias/relógio, sob um fundamento pífio do ministro presidente Bruno Dantas, de que “um presente só pode ser incorporado ao patrimônio pessoal se atender o binômio de uso personalíssimo e baixo valor”.  




Trata-se de uma avaliação subjetiva, sem parâmetro constante em lei. O TCU não tem poderes para legislar e deve saber que sem lei anterior que autorize, não há irregularidade ou crime a ser punido. O TCU que se recolha, neste caso, a sua função de bedel do STF.   




O interessante é que descobri que o acervo dos presidentes pode ser vendido:  




“A venda de acervos documentais privados dos presidentes da República deverá ser precedida de comunicação por escrito à Comissão Memória dos Presidentes da República que se manifestará no prazo máximo de sessenta dias sobre o interesse da União na aquisição desses acervos”. Com maior razão a um relógio. 




Pois, se a lei recomenda a sua reavaliação, por lacunas ou falta de clareza, que seja substituída no Congresso Nacional. 




Alguns amigos, atentos aos meus artigos publicados no Blog do Políbio Braga, me perguntaram o que eu acho deste episódio do Rolex. 




Respondi, que ainda falta muito de aprendizagem ao Bolsonaro para chegar ao nível do seu mestre Lula. 




Caxias do Sul, 14.08.2023 

Artigo, Ricardo Hingel, Zero Hora - O desastre do RS e o foco na União

- O autor é CEO da Score Capital. Ele foi diretor do Banrisul e diretor regional do BTG Pactual. 

A enchente histórica que assolou o Rio Grande do Sul é inédita quanto a seus efeitos e não há estrutura pronta para atender todas as demandas de curto e longo prazo para recuperar o que se foi.

O total dos prejuízos são ainda desconhecidos e estimativas de perdas são precárias, pois não há inventário exato dos danos.

Mas é certo que caberá ao poder público o financiamento e o alcance majoritário de recursos, em especial pelo governo federal, pois o Estado e os municípios prejudicados não conseguirão arcar sozinhos com os prejuízos. 

Nesse sentido, deve ser entendido o pacto federativo, em especial porque anualmente arrecadamos recursos federais para a União na ordem de R$ 57,4 bilhões (2021) e recebemos de volta R$ 13,3 bilhões; são R$ 44,2 bilhões em um ano que a sociedade gaúcha remete para o custeio da máquina federal e para outros estados.

O princípio federativo pressupõe um mecanismo de solidariedade entre União, estados e municípios. Em momentos excepcionais, esse mecanismo poderia ser alterado e o RS deveria passar a receber recursos federais e não se dar ao luxo de continuar transferindo renda para outros entes. 

O pacto federativo deveria ser entendido como um seguro, onde pagamos um prêmio de R$ 44,2 bilhões anuais e quando necessário, poderíamos contar com a apólice para cobrir os prejuízos. Se a União não assumir o custeio excepcional da reconstrução, a recuperação levará um tempo inimaginável, pois o Estado e os municípios não terão recursos suficientes e no tempo necessário.

As compensações até o momento anunciadas pelo governo federal, de R$ 91,6 bilhões, são insuficientes, pois grande parte são empréstimos e antecipação de benefícios já programados, há pouco para habitação e não contempla a recuperação da infraestrutura, além de contabilizar a compra de arroz no valor de R$ 7,2 bilhões como auxílio, quando se sabe que essa ação é altamente prejudicial ao agronegócio gaúcho.

Depois da enchente, a tímida ação federal passa a ser nossa maior preocupação.


Ricardo R. Hingel

Economista

rrhingel@gmail.com


Governo sem povo-

 Dentro de dois dias, portanto no sábado, começará o Cpac, como é conhecido por esta sigla. O evento é uma versão brasileira do Conservative Political Action Conference (CPAC), que acontece anualmente, desde 1973, e reúne nomes do conservadorismo dos Estados Unidos com o objetivo de discutir estratégias eleitorais para a expansão do pensamento conservador no mundo.

Será em Balneário Camboriu, Santa Catarina e ocorrerá no sábado e no domingo.

O evento é amplamente controlado pelo PL mais bolsonarista que existe, a começar pelo seu maior líder no momento, o filho do ex-presidente, Eduardo Bols0onaro.

O prefeito de Balneário Camboriu também é do PL, como é do PL o governaor catarinense Jorginho Melo.

Eu quero destacar dois fatos relevantes que cercam este evento político de enorme importância:

1) A presença do presidente argentino Javier Milei, que neste final de semana deveria estar presente na reunião do Mercosul, marcada para segunda-feira em Assunção. O Mercosul está sob a presidência do Brasil. Milei deu de ombros e resolveu viajar para se encontrar com Bolsonaro.

2) A desistência da viagem que Lula faria a Santa Catarina, também neste final de semana, temendo ser hostilizado.

Sobre a presença de Milei, a mídia amiga e o próprio governo mandam recados oblíquos para intimidá-lo e evitar que ele volte a insultar - ou dizer as verdades, sobre o presidente nomeado Lula da Silva.

Em entrevista para a Rádio do jornal La Nación, Buenos Aires, na semana passada, um jornalista quis saber se ele iria se desculpar com Lula, que exigiu isto para concordar em recebe-lo. A resposta do argentino foi duríssima: "Eu menti: Lula é descondenado, ladrão e comunista.

Ontem, na CNN Brasil, a jornalista Fernanda Lima, que é uma espécie de assessora de imprensa informal do governo federal nomeado, pasou recados do Planalto para Milei:

1) Se passar do ponto em Camboriú e voltar a insultar o presidente, o governo brasileiro congelará suas relações diplomáticas com a Argentina.

2) O governo brasileiro já vem trabalhando com governadores argentinos da oposição.

É uma no ferro e outra também no ferro.

Claro que Javier Milei sabe que está em território estrangeiro e que é presidente de um País que mantém relações diplomáticas com outro, mas até aí poderia manter suas críticas, porém o problema é que ao contrário de Países como Espanha e Itália, visitados recentemente por Milei, o Brasil está sob um regime autoritário esquerdopata.

Esta é que é a verdade.

Quanto ao cancelamento da viagem de Lula a Santa Catarina, cancelada, vale a pena repetir o que avaliou o jornalista Gerson Camarotti, da Globonews:

- Um presidente que tem medo de viajar para os Estados, com receio de ser hostilizado, é um presidente fraco, que se fragiliza e fragiliza seus apoiadores.

Este governo nomeado e seu presidente nomeado, comprovam a cada dia que passa que foram parar ali contra a vontade do povo e governam sem o povo.

É simples assim.

Produtores gaúchos lotam ginásio da Fenarroz em protesto contra governo federal

Mais de dois meses após catástrofe climática que dizimou o agronegócio, socorro prometido por Brasília ficou apenas na promessa

Milhares de produtores rurais e lideranças do agronegócio gaúcho lotaram, nesta quinta-feira (4), o ginásio da Fenarroz, em Cahoeira do Sul (RS), para protestar contra a demora do governo federal em anunciar medidas de socorro ao setor. A mobilização fez parte do movimento SOS AGRO RS, organizado por diversas entidades representativas do setor produtivo. 


Mais de dois meses já se passaram desde a catástrofe climática que atingiu cerca de 470 municípios. Segundo dados da CNM, os prejuízos financeiros para o agronegócio gaúcho somam aproximadamente R$ 4,5 bilhões. Mais de 200 mil propriedades rurais foram afetadas, ou seja, um terço de todas as 600 mil propriedades registradas no último censo agropecuário. 


 Autor do Projeto de Lei 1536/2024, que concede perdão e adia o pagamento das dívidas agropecuárias, o deputado Luciano Zucco (PL-RS) participou do encontro e ressaltou que a situação no estado é de terra arrasada. “A força das águas arrancou os solos, deixando à mostra uma terra dura e pedregosa. Muitas lavouras foram cobertas com lama e areia que ficava no fundo dos rios. Rebanhos inteiros morreram afogados, galpões, maquinários e ferramentas foram totalmente destruídos. Precisamos de um plano estratégico para reerguer nosso agronegócio, mas até agora o que temos é muita promessa não cumprida”, criticou.  


Aprovado por unanimidade na Câmara, o PL 1536 contempla financiamentos de custeio agropecuário, de comercialização e de investimento rural, contratados por produtores naqueles municípios em estado de calamidade pública ou situação de emergência reconhecidos pelo governo federal. O texto ainda depende da análise dos senadores para ser encaminhado à sanção presidencial. “O que causa revolta é essa demora em aprovar medidas que já deveriam estar em vigor. Se o Palácio do Planto quisesse mesmo socorrer os produtores já tinha editado uma Medida Provisória”, destacou Zucco, lembrando que uma MP tem efeito legislativo imediato. 


Conheça as pautas do Movimento SOS AGRO


1 – Prorrogação de dívidas: 15 anos, com dois anos de carência e taxa de juros de 3% ao ano; 

2 – Crédito para reconstrução e capital de giro;

3 – Securitização e anistia de dívidas;

3.1) Pronaf e Pronamp com taxas de juros reduzidas (1% a 3% a.a.) e prazos de reembolso de até 15 anos; 

3.2) Anistia das parcelas do Programa Nacional de Crédito Fundiário e do Programa Nacional Habitação Rural com vencimento entre maio de 2024 e dezembro de 2025; 

4 – Linhas de crédito e assistência técnica;

4.1) Para reconstrução das propriedades e capital de giro para cooperativas de produção; 

4.2) Destinação de R$ 20 milhões para assistência técnica e extensão rural, Linhas de Crédito e Assistência Técnica No valor de um salário mínimo pelo período de seis meses para famílias rurais. Auxílio Emergencial

5 – Auxílio Emergencial no valor de um salário mínimo pelo período de seis meses para famílias rurais.

Exclusivo, Cláudia Woellner Pereira - Os entulhos da política brasileira

Cláudia Woellner Pereira é tradutora e redatora.

Três meninos brincam alegremente nos entulhos. O homem carrega vitorioso o violão de doze cordas que não soará mais na igreja. Duas mulheres levam um sofá estropiado num carrinho de mão. Outro sujeito levanta uma porta do monturo e diz que vai fazer uma mesa. As águas, ironicamente, arrancaram de uns e lançaram alguma possibilidade aos pés de outros. Sabe lá Deus se foi o otimismo ou a alienação o autor desses movimentos.

Não são só os otimistas, ou alienados, que circulam. Caminhões e escavadeiras. Carros de TV e Rádios farejam algum “furo”, como se o todo já não fosse uma enorme “bomba”. Rostos abatidos, olhares perdidos. A pergunta que ninguém transforma em grito, mas que é muito mais forte que o fôlego remanescente, está cravada em cada esquina. A normalidade vai encontrar o seu curso?

Cenário de guerra onde não houve sequer um estopim. Houve, sim. Nas urnas, quando os brasileiros transformaram o seu voto em moeda de troca. Nos gabinetes de vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores, assessores, presidente, quando os seus ofícios descambam para o gozo de favores e campo de corrupção.  

Vamos responsabilizar as mudanças climáticas quando existem fatos antecedentes de ocorrência semelhante no mesmo espaço geográfico? Não é o que propõe o pensamento científico pós-moderno, o de usar o corpo de conhecimento produzido para benefício da humanidade? Não somos capazes de mapear as áreas de risco e, de forma inteligente, gerar políticas públicas de prevenção e proteção?

Quando estive em ruas de Canoas/RS com um grupo de voluntários para amenizar um pouco a dor daqueles que perderam tudo, o alvo da minha raiva não foi Deus, questionando onde Ele estava quando tudo isso aconteceu. Não foi o mundo capitalista que supostamente desequilibrou o clima. O alvo da minha indignação voltou-se para aqueles que têm a responsabilidade de desenvolver e executar planos diretores, de administrar o planejamento urbano e rural, de conhecer as áreas de risco de seus municípios e aplicar medidas de proteção.

Os meninos têm que seguir brincando alegremente. O violão precisa e deve ser tocado. O sofá tem que ser lugar de aconchego e tempo de família. Nunca, nunca em meio a entulhos gerados pelo descaso e a omissão.