José de Souza Martins: A nova ignorância

- Valor Econômico / Eu &Fim de Semana

Historicamente, no Brasil, ignorância é um juízo de valor e manifestação de poder de quem, em posição de mando, não se considera ignorante. Era a definição que os poucos escolarizados davam aos muitos não escolarizados nas primeiras décadas do século passado. Estes, considerados socialmente inferiores, porque trabalhadores, mestiços ou descendentes de escravos, gente ao longo das gerações condenada ao trabalho braçal, supostamente vazio de trabalho intelectual.

No entanto, seja na lavoura, no artesanato, no trabalho doméstico, havia e há sistemas complexos de conhecimento, modos de fazer e de pensar que a maioria dos críticos da ignorância ignora. Aliás, analfabeto não quer dizer ignorante. Os estudos antropológicos nas áreas das etnociências mostram que o conhecimento popular tem elaborações e peculiaridades lógicas que indicam um labor cognitivo que não é antagônico ao da ciência e ao da arte.

Ao ignorar essa cultura, em vez de uma ponte de diálogo criativo e de aprendizado, a escola preferiu o abismo que a separa daqueles que pretende educar. Raramente nos lembramos de que a escola é um poder e instrumento de poder. Foi esse poder que decretou que aqueles aos quais o trabalho impediu a escolarização fossem definidos como ignorantes.

Ignorância é um rótulo, um dos conceitos de nossa cultura de preconceitos. A ignorância muda com o tempo, a circunstância e a mentalidade dominante. Ignorantes de hoje, na classe média e mesmo na elite, passaram pela escola e até mesmo pela universidade. Apesar de terem opinião sobre todos os assuntos, quando muito dominam apenas uma área do saber. Fora de sua área, são ignorantes pela especialização, pelo raciocínio estereotipado e desvinculado do pensamento crítico.

No plano das condutas e da visibilidade da ignorância, há meio século, os ignorantes já sabiam o motivo pelo qual eram assim definidos. Desenvolveram formas de dissimulação de sua ignorância para enfrentar as adversidades numa sociedade em que ser ignorante tornara-se motivo de discriminação e vergonha. A ignorância expressava-se não só na fala e nos simplismos, mas na apresentação pessoal, no uso impróprio de coisas e modos do que Erving Goffman define como equipamento de identificação.

Uma técnica tem sido a de copiar formas de expressão e de apresentação pessoal em público, prestar muita atenção no que os outros fazem e dizem e tentar imitá-los. Imita-se na fala, no traje, nos gestos. Mas a dissimulação da ignorância tinha e tem limites. Não raramente, gestos, palavras e trajes impróprios denunciam que a pessoa desconhece o que é apropriado para assegurar a eficácia da imitação. É ignorante.

Mas a concepção de que é socialmente mais decisivo parecer do que ser se difundiu, criou uma cultura, definiu valores e regras de penosos esforços de apresentação e de conduta. A forma aparente incluiu socialmente os excluídos. A superficialidade tornou-se democrática e, mesmo, decisiva, para incluir enganosamente o ignorante. Há uma função terapêutica no uso desses recursos numa sociedade que enfrenta, cada vez mais, limites no acesso à cultura erudita e que, cada vez mais, oferece recursos de dissimulação da ignorância. A sabedoria popular foi confrontada com a frágil sabedoria de ocasião.

Nos anos 1960, a difusão da leitura dinâmica, de ler apenas uma de cada duas palavras, ou de cada três, permitia "ler" um livro na metade do tempo da leitura normal. Não era ler para saber, era para que o "leitor" fizesse de conta que o havia lido, para simular conhecimento. O importante não era e não é deixar de ser ignorante. Importante é fingir não ser ignorante. Uma nova forma social de ignorância estava nascendo.

Nos anos 1970, as chamadas classes populares emergiram no cenário político brasileiro. Em alguns anos elegeriam um presidente da República. A intelectualidade dos movimentos populares produziu racionalizações que na essência asseguravam que o ignorante é sábio, na contramão dos valores da própria classe trabalhadora que, desde sua constituição entre nós, sempre valorizou a escola. Ignorância e poder se encontraram. Difundiu-se aqui a raiva como fundamento dos confrontos sociais, uma concepção antipolítica da luta de classes. O novo saber superficial e manipulável amalgamou-se com a raiva política, a incultura tornou-se prepotente. Durante quase um século a consciência da ignorância levou à busca da escola, à valorização da escola. Agora, a nova ignorância elegeu a escola como inimiga.

Da universidade ao palanque e do palanque ao botequim, o ignorante perdeu a consciência da ignorância, ao ponto de questionar o conhecimento erudito e minimizar e afrontar os profissionais do saber.
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José de Souza Martins é sociólogo. Membro da Academia Paulista de Letras. Entre outros livros, autor de “O Coração da Pauliceia Ainda Bate” (Ed. Unesp/Imprensa Oficial)


Artigo, Bolívar Lamounier, Estadão - Golias contra Davi

Moro será morto e lançado aos cães ou o gigante cairá fulminado pela certeira funda?

“Prova”, no plano da técnica jurídica, é um conceito complexo, daí o extremo cuidado com que todo juiz tem o dever de se conduzir na apreciação das informações que lhe chegam às mãos. Mas é algo perfeitamente compreensível a partir da razão comum que Deus, em sua infinita bondade, repartiu igualmente entre os homens, dela excluindo só os de má vontade e os mentalmente prejudicados. Realmente, só um rematado idiota ou alguém movido por interesse contestará que a história montada pela defesa de Lula acerca do sítio em Atibaia é uma farsa sem tamanho. Quem contasse algo parecido para tentar iludir um cidadão comum – alguém que não tenha ocupado altos cargos políticos ou não possa arcar com os obscenos honorários cobrados por advogados de renome – deveria ser imediatamente levado à delegacia de polícia mais próxima.

A reflexão acima veio-me à mente, como é óbvio, a propósito do inquérito do sítio em Atibaia, cuja propriedade Lula contesta, e da entrada do ex-ministro José Paulo Sepúlveda Pertence na equipe de advogados que defende o ex-presidente.

Tive o privilégio de conviver com o dr. Sepúlveda Pertence nos anos 1985-86, como colega dele na Comissão Afonso Arinos, nomeada pelo presidente José Sarney a fim de elaborar um anteprojeto de Constituição. Vezes sem conta me deslumbrei com a clareza de seu intelecto e a solidez de seus conhecimentos jurídicos. Não menos importante, admirava o rigor de suas convicções republicanas. Discordávamos no tocante ao sistema de governo – ele, presidencialista, eu, parlamentarista –, mas confortava-me sentir que daí não advinha diferença alguma em nossa devoção à democracia representativa.

Faz tempo que não o encontro, mas tenho, infelizmente, a impressão de que nos distanciamos um pouco no entendimento de nossos antigos ideais e valores. Apresso-me a esclarecer que essa afirmação não decorre diretamente de ele ter aceitado integrar a defesa de Lula. Todo acusado tem direito a defesa; argumentando por hipótese, digo que eu mesmo, se fosse advogado, torceria o nariz, mas aceitaria defender o ex-presidente. Tampouco me refiro aos altos honorários que vai receber, a julgar pelo que a imprensa veiculou durante a semana, cujos reais valores não conheço e não tenho interesse em conhecer.

O que me causa estranheza no caso é a natureza da relação que aparentemente se pretende estabelecer entre a acusação e a defesa – ou, para dizê-lo sem rodeios, entre o juiz Sergio Moro e o ministro Sepúlveda Pertence. A relação que começa a se configurar me parece bem distinta da clássica lide forense, na qual as partes até certo ponto se equivalem. Não é simplesmente o fato de que uma estará do lado de cá e a outra do lado de lá, com recursos e prerrogativas semelhantes, salvo, é claro, por uma eventual diferença de qualificação intelectual. Até onde me é dado compreendê-la, o que se tem dito, e me parece plausível, é, em primeiro lugar, o que geralmente se designa como “tráfico de influência”.

Um gigante das letras jurídicas brasileiras, ex-ministro do próprio STF, é contratado para exercer uma influência difusa sobre os integrantes do Egrégio Colegiado, levando um ou outro a mudar sua linha de raciocínio – no limite, até sua convicção – no tocante à prisão após a decisão em segunda instância. Influência decorrente, portanto, de uma posição de elevado status no nível mais elevado da comunidade de magistrados. Há crime nisso? Creio que não, mas, não tendo tido oportunidade de me louvar em matéria jurídica, abstenho-me de perseguir essa linha e volto ao que me parece palpável: o recurso ao status e a singularidade da questão que ora nos ocupa no presente contexto brasileiro.

Pertence, como antecipei, estará “do lado de cá: na defesa”. Do lado de lá, encarnando a prerrogativa acusatória inerente ao Estado, estará Sergio Moro, um juiz federal de primeira instância.

A questão crucial que o STF vai examinar é se Lula deverá ou não ser preso imediatamente. Já condenado em segunda instância, tal exame recairá somente sobre questões técnicas de Direito, não sobre o mérito, já decidido.

Visto por esse ângulo, o recurso de última hora ao status – quero dizer, a clara intenção de contrastar um deus do Olimpo aos dei minori do STF e mais ainda ao pobre diabo de Curitiba que exarou a primeira sentença – parece-me indisfarçavelmente antiética. Mas, como não poderia deixar de ser, admito que estou a exprimir uma opinião, um juízo de valor, uma expressão do que a meu ver deveria ser a ética advocatícia. Afirmo, não obstante, que minha inquirição ética vai muito além da aceitação da tarefa pelo douto ex-ministro Pertence. No cerne dessa celeuma há uma questão relevante para todo o ordenamento jurídico do País e para os valores que pelo menos em tese regem nossa ordem política: a da busca da igualdade republicana.

Não admitir a prisão em segunda instância equivale a deixar livres os criminosos que possam arcar com altos honorários advocatícios e facilitar a prescrição de seus crimes, apontando aos destituídos da terra a imediata reclusão numa das fétidas masmorras mantidas pelo Estado brasileiro. Isso é República? É igualdade de tratamento? De forma alguma. É outorgar a Lula um tratamento diferenciado, mais que isso, o status de monarca absoluto, acima de qualquer norma jurídica ou costumeira, no país que se quer republicano.

Esse aí, em português corrente, o triste papel que José Paulo Sepúlveda Pertence acaba de assinar. Comparado a Moro, homem de estatura média, ele parece um Golias de três metros. O futuro, como sabemos, a Deus pertence. Em algumas semanas saberemos se Moro será morto e lançado aos cães, como queria Golias, ou se o gigante cairá fulminado pela certeira funda de Davi.

*Cientista político, sócio-diretor da Augurium Consultoria, é autor do livro ‘Liberais e Antiliberais’ (Companhia das Letras, 2016)


Artigo, Fernando Gabeira - Meditando no carnaval

Se for a única opção, teremos o carnaval apesar de tudo

RIO — Andei por Salvador visitando mosteiros, templos e terreiros para um programa de tevê. Encontrei o carnaval duas vezes, em Ondina e no Rio Vermelho. Entrei na multidão para documentá-lo, mas não podia deixar de refletir. Não sou especialista em carnaval, nem mesmo fui um observador atento da festa nos últimos anos. Meditei um pouco sobre ele não no sentido que os budistas dão à meditação: um processo que esvazia a mente. Aliás, tenho dificuldade de alcançar esse estado de concentração e o mais perto que consigo chegar dele é quando estou boiando de costas. Meditação no meu caso é dar voltas sobre o tema.

Os entendidos dizem que o carnaval libera sentimentos reprimidos durante o ano de trabalho. Pensei: mas o que falta mais ser liberado? Na medida em que os costumes tornam-se mais ousados, o que restará aos foliões nos dias de festa?

Homem vestido de mulher, por exemplo, pode ser considerado um tipo de liberação num tempo em que isto é feito com profissionalismo e sucesso pelos artistas? Já vi poucos homens vestidos de mulher, mas prevejo uma certa decadência dessa fantasia de carnaval. Com o feminismo em ofensiva, as mulheres podem duvidar se certo modo de travestir é mais uma zombaria do que propriamente imitação.

No que me parecia um bem policiado carnaval, com PMs e guardas municipais em movimento entre os foliões, pensei no carnaval do Rio. Um motorista de táxi me disse: um estrangeiro deve achar estranho que num país em crise e o Rio em guerra civil, tanta gente saia para o carnaval. Mas um estrangeiro não sabe da força que impulsiona as pessoas, uma alegria que precisa sobreviver nas mais duras circunstâncias.

Mas há algo que me preocupa no carnaval em nosso esforço de fazer uma grande festa, apesar de tudo. No meio da semana, três vias importantes foram interditadas: Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela. De repente, minha reação foi pensar que alternativas teria caso tivesse de entrar ou sair da cidade. É assim que a gente começa a se acostumar.

Muitos já consultam o aplicativo Onde tem Tiroteio antes de se deslocar. Certos lugares, certas horas tornam-se proibidos. E a gente se adaptando.

Com o tempo, descobrimos que a vida está mudada e nosso comportamento é o mais ou menos clássico das populações que vivem em longos conflitos: tocar a vida com alguma normalidade apesar do caos em torno.


Há uma sabedoria nisso, mas também uma certa resignação. E se for a única opção, continuamos com o carnaval apesar de tudo, com nossa vida “normal” apesar de tudo, e as coisas podem piorar.

Uma chance para o Rio Grande

Uma chance para o Rio Grande
Os mais jovens certamente não se lembram, e alguns dos mais antigos fingem não lembrar. No ano de 2002, o Rio Grande do Sul vivia uma eleição de vida ou morte, para definir a sucessão do desastroso governo petista da época, que endividou o Estado, mandou a Ford embora, perseguia judicialmente jornalistas, mantinha relações pérfidas com a contravenção e usava sua poderosa máquina de moer reputações para destruir adversários e aliados.  Ciente do mal que o governo petista fazia às finanças e ao futuro do Estado, Brizola surpreendeu a muitos quando conduziu o PDT a apoiar a candidatura de Antonio Britto, então no PPS, o homem que havia privatizado a CRT, criada justamente por Brizola quando governador.  Como o estadista que era, Brizola fez a leitura do tempo histórico e compreendeu que o que estava em jogo era a permanência de um projeto de poder perdulário, autocrático e ruinoso para o Rio Grande.
Mais de quinze anos depois, o Rio Grande vive um novo ciclo de preocupação. Depois do governo Tarso Genro solapar as finanças gaúchas, oferecendo generosas isenções fiscais que seu partido hoje finge combater e ter transformado o Badesul num clube de amigos, o Estado não tem recursos para investimentos, atrasa salários, descumpre repasses com hospitais, e por isso o governo apresentou um plano de Recuperação Fiscal que, sim, possui medidas amargas e que nenhum governante gostaria de aplicar.  Dentre elas, a venda de estatais que provocou a compreensível reação adversa de muitos deputados, entre eles companheiros do Trabalhismo, advogando a defesa do futuro dos trabalhadores. Ocorre que o Trabalhismo, conforme preconizado por Pasqualini, nunca defendeu apenas o trabalhador do setor público, mas também o da iniciativa privada, no campo e na cidade. E o colapso estrutural do Rio Grande do Sul causaria prejuízos a todos os trabalhadores gaúchos, sem exceção, como já vem acontecendo.  Que o digam os municípios gaúchos, que tem de assumir diversos serviços de competência estadual sem a devida contrapartida em recursos. Como prefeito já na quarta gestão, posso assegurar que este é um dos contextos mais graves já vividos pelas municipalidades.
A renúncia a futuras ações de cobrança de dívidas contra a União, sem dúvida, é um ingrediente controverso, felizmente sanado por recente decisão da Ministra Carmem Lúcia no STF. O Trabalhismo, como idéia generosa e norteadora de defesa da soberania, não deveria alinhar-se com a defesa dos super-salários da deficitária CEEE, onde os dez maiores contracheques somam, juntos, mais de R$ 600 mil mensais, e um engenheiro pode receber, num mês, até R$ 80 mil. Não há professor ou médico da rede estadual que tenha salário semelhante.
Brizola, quando teve oportunidade, mostrou que, às vezes, o segredo é desfazer paradigmas do passado para construir um novo rumo. O Trabalhismo precisa compreender o momento histórico sem perder a essência: defender o Rio Grande hoje, para que amanhã o trabalhador gaúcho possa ter um futuro.
Rossano Dotto Gonçalves

Prefeito de São Gabriel RS

Conab reestima para baixo produção de grãos

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou ontem a quinta estimativa para a safra 2017/18 de grãos, com estimativas de área plantada e de produção. 

De acordo com o levantamento, a área plantada será de 61,0 milhões de hectares, o que representa uma ampliação de 0,2% ante a safra 2016/2017. Dentre as culturas mais relevantes, as estimativas de maiores altas de área estão associadas ao algodão (17,4%) e à soja (3,3%). Em sentido contrário, a área de milho deverá diminuir 6,6%. A produção, por sua vez, está estimada em 225,6 milhões de toneladas, recuando 5,1% em relação à safra passada, que foi recorde (237,7 milhões de toneladas). 

Na comparação com a quarta estimativa, divulgada no mês passado, a produção foi revisada para baixo em 1,0%, refletindo a reavaliação com as produções de milho 1ª safra (em -1,7%) e 2ª safra (em -5,8%), influenciada pela expectativa de redução da produtividade e da área para a cultura, que deverá alcançar 88 milhões de toneladas neste ano (queda de 10% ante a safra anterior). Já a estimativa para a produção de soja passou de 110,4 para 111,6 milhões de toneladas, o equivalente a uma ampliação de 1,0% ante o mês anterior (queda de 2,2% em relação à safra passada). As produções de arroz e de feijão devem diminuir 5,6% e 2,9%, respectivamente, na atual safra. Por outro lado, é esperado aumento da produção de algodão, em 16,8%. A expectativa de menor volume produzido de grãos, ainda que seja o segundo melhor de todos os tempos, poderá levar a alguma elevação dos preços agrícolas neste ano.

Agenda de Lula no Sul


Terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Santana do Livramento
10h00 – Encontro com Pepe Mujica
Santa Maria
19h00 – Visita na Fazenda Nova Santa Marta (maior ocupação urbana do RS)
Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Santa Maria
09h00 – Reunião com reitores e diretores na Universidade Federal de Santa Maria
São Borja
17h00 – Visita aos Museus de Jango, de Getúlio e mausóleo do ex-presidente Getúlio Vargas na Praça XV de Novembro
Quinta-feira, 01 de março de 2018
Palmeira das Missões
18h00 – Encontro com movimentos sociais em Palmeira das Missões
Sexta-feira, 02 de março de 2018
Passo Fundo
13h00 – Visita aos cursos de saúde no campus de Passo Fundo da Universidade Federal da Fronteira Sul
Porto Alegre
19h00 – Ato pelo desenvolvimento regional e no Cone sul em Porto Alegre
Sábado, 03 de março de 2018
Florianópolis
10h00 – Reunião com reitores e diretores de Santa Catarina
12h00 – Ato pela educação no centro de eventos
Chapecó
19h00 – Atividade da agricultura familiar em Chapecó
Domingo, 04 de março de 2018
São Miguel do Oeste
14h00 – Visita na produção de leite CooperOeste 
18h30 – Ato regional do Oeste de Santa Catarina
Segunda-feira, 05 de março de 2018
Francisco Beltrão
10h00 – Atividade da agricultura familiar do sudoeste do Paraná
Quedas do Iguaçu
17h00 – Ato pela reforma agrária
Terça-feira, 06 de março de 2018
Laranjeiras do Sul
10h30 – Visita ao campus da UFFS e laboratório de ecoagrologia
12h00 – Encontro com assentados no Assentamento 8 de junho seguido de almoço
Pinhão
18h00 – Encontro regional em Pinhão
Quarta-feira, 07 de março de 2018
Curitiba
19h00 – Ato de encerramento da Caravana

Ricardo Hingel: TRF4, o mercado e o ferrolho


Embora nossa legislação ofereça uma espécie de ferrolho àqueles que possuem mandato, espera-se que muitos ainda venham a ser condenados

Acostumado a trabalhar no mercado financeiro, com suas lógicas e racionalidades, constantemente tenho dificuldades em compreender os resultados de processos judiciais no Brasil. O aparato de leis que compõem a Justiça brasileira permite que tudo seja judicializado e com altas doses de subjetividade nas decisões, incorporando, por vezes, entendimentos pessoais de quem julga, afastando-se do senso comum que origina as regras.

Nesse sentido, me causou surpresa positiva a qualidade do trabalho da 8ª Turma do TRF4, que confirmou a condenação do ex-presidente Lula. Não vou entrar aqui no mérito do julgamento, mas, sim, na forma como os relatos foram apresentados. Olhando com meu viés financeiro, mais objetivo, chamou atenção o estilo técnico e pontual com que os pronunciamentos foram sendo apresentados; didaticamente conceituaram o que seria uma prova e, na sequência, traziam o fato a ser julgado; se se enquadrava no conceito, era prova e seria considerada; fora do conceito, seria descartada.

Sem qualquer erudição, a decisão foi construída e embasada, sendo afastadas as subjetividades que poderiam comprometer o juízo do mérito. Por sua clareza e didática, o procedimento dos três desembargadores deveria servir de modelo. Os não letrados em geral agradeceriam.
O resultado se somou aos do Mensalão, do Petrolão e, agora, aos da Lava-Jato, que imediatamente encarcerou alguns dos principais figurões de nossa República, por suas ações de assalto ao patrimônio público.
Embora nossa legislação ofereça uma espécie de ferrolho àqueles que possuem mandato, protegendo-os criminalmente e os diferenciando dos simples mortais, espera-se que muitos ainda venham a ser condenados. A Constituição de qualquer país civilizado garante que todos os cidadãos são iguais perante a lei; a nossa parece diferente, pois oferece salvo-conduto para alguns.
Após o julgamento, o mercado financeiro reagiu favoravelmente, não porque tenha preferência partidária, mas porque se alinha com correntes econômicas que tenham racionalidade e responsabilidade. A atual correção dos rumos da economia precisa ser mantida e os resultados de recuperação já aparentes não estão garantidos. O não retorno à condução irresponsável da economia (vide a grave recessão, recém começando a ser superada), será fundamental para a garantia do equilíbrio das contas públicas, da inflação e dos juros baixos para que se volte a crescer e empregar pessoas.